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	<title>santo afonso | Salve Maria</title>
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	<description>Congregação Mariana da Imaculada Conceição - Manaus, Amazonas</description>
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		<title>Carta aos aspirantes, noviços e consagrados da Congregação Mariana da Imaculada Conceição de S. Afonso de Ligório &#8211; Manaus/AM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Dec 2021 19:32:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Congregação Mariana]]></category>
		<category><![CDATA[congregacao mariana]]></category>
		<category><![CDATA[nossa senhora]]></category>
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<p>O conteúdo <a href="https://salvemaria.com.br/carta-aos-aspirantes-novicos-e-consagrados-da-congregacao-mariana-da-imaculada-conceicao-de-s-afonso-de-ligorio-manaus-am/">Carta aos aspirantes, noviços e consagrados da Congregação Mariana da Imaculada Conceição de S. Afonso de Ligório &#8211; Manaus/AM</a> aparece primeiro em <a href="https://salvemaria.com.br">Salve Maria</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje e nos próximos sete dias, relembramos com intenso fervor da profecia de Isaías, de que um menino nasceria, um filho nos seria dado, aquele que seria chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, o Príncipe da paz (Is 9, 5-6). Este menino faria que um povo que andava nas trevas visse a luz e que essa luz resplandeceria sobre todos os que habitassem numa região tenebrosa (Is 9, 1), a qual sabemos ser a região tenebrosa do pecado.</p>
<p>De fato, a luz tornou-se forte e alcançou o mundo inteiro. Um menino enfaixado com pobres panos em uma manjedoura, num estábulo frio e úmido, trouxe para nós a salvação, a dignidade de filhos de Deus e a possibilidade inenarrável de ver a este Deus face a face por toda a eternidade. Este menino é o próprio Deus.</p>
<p>Lamenta-se Santo Afonso em uma de suas meditações natalinas que a graça salvadora, manifestada a todos os homens pela encarnação de Deus, não foi conhecida por todos, porque &#8220;a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz&#8221; (Jo 3, 19).</p>
<p>Os que estão nas trevas são, primeiramente, os que deliberadamente escolhem manter suas más obras, afastando-se da Verdade, da Luz, que é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Há aqueles ainda que por causa da ignorância não veem a luz, mas pela fé a luz os alcança mais cedo ou mais tarde. Assim começou a minha história na Congregação Mariana: alguém que havia visto a luz de modo muito ofuscado, conheceu a Deus, dentro de suas limitações, muito mais claramente pelo auxílio da Congregação de Maria Imaculada; alguém que apesar dos anos de vida gastos em &#8220;comunidade&#8221;, não sabia sequer rezar um terço sozinha, que ia a Missas mal rezadas e que não entendia o real sentido delas, que não sabia nem de perto o que seria meditação; alguém que por providência divina teve como primeiro encontro na CM um simpósio sobre Família, porque ganharia para si uma verdadeira Família, que não seria de sangue, mas que seria formada por filhos de uma mesma mãe, a Virgem Maria.</p>
<p>A Congregação Mariana foi, portanto, esta via pela qual Deus me deu a benesse de contemplar a verdadeira Luz muito mais nitidamente, sem os percalços de uma vida moderna na Igreja. A Congregação é, senão, o instrumento que nos traz a companhia de Nossa Senhora para seguirmos juntos até Belém e, dentro de todo o sofrimento de más instalações, desprezo, frio e pobreza, podermos contemplar a Verdade exposta na manjedoura. Por meio da Congregação de Maria, compreendemos o valor do sofrimento, da oração e do recolhimento, entendendo que somente assim o Menino Jesus será de fato adorado e glorificado. Sim, a Congregação Mariana é tudo isto e até mais do que eu possa expressar.</p>
<p>Passados mais de 5 anos de aprendizado, quedas e soerguimentos, estou eu aqui, despedindo-me neste Natal, porque parece haver um chamado de Deus para outra paragem, um outro recanto de Nossa Senhora. Não desejando ser ingrata com tudo que me foi dado por meio desta Congregação, mas, pelo contrário, buscando manifestar toda minha gratidão ao que Deus me deu, manifesto, num primeiro momento, a grande dor que estou sentindo ao partir, ao perder tudo o que Deus há de conceder aos apostolados da Congregação, de não ver o nosso colégio grande, como sempre sonhávamos para o futuro, de não ver minhas afilhadas crescerem, de não mais acompanhar as crianças da Cruzada, de não ver mais o que a Congregação Mariana é capaz de fazer pela Tradição e pela Missa em Manaus. É de fato muito dolorido perder tudo isso e muito mais, mas Deus é quem sabe de todas as coisas e agora, como uma filha que recebe a permissão de sua mãe, eu peço licença a Nossa Senhora para deixá-los.</p>
<p>Por algumas vezes relutei e perguntei-me se deveria ser assim. Se deveria ser eu a primeira congregada a ir buscar uma vida religiosa (espero eu que logo logo não seja a única). A resposta foi muito clara. Não é pelos meus míseros méritos e nunca haveria de ser, mas porque Deus escolhe os fracos para confundir os fortes e os de pouco discernimento para confundir os sábios (I Cor 1, 26-27). Lembremos que o próprio Deus se fez fraco naquela pobre manjedoura, para que naquela fraqueza se manifestasse a sua força (II Cor 12, 10). Não é, portanto, porque há qualidades em mim, mas porque Deus assim o quer, assim eu acho, para que se manifeste mais claramente as  suas obras (Jo. 9, 3). Por isso, eu peço com veemência que, diante de minhas fraquezas, todos rezem pela minha vocação.</p>
<p><strong>Abro espaço agora para os agradecimentos.</strong></p>
<p>Agradeço aos cupidos e casamenteiros de plantão, que buscando, acredito eu, o melhor para mim, direcionaram esforços e orações para que eu conseguisse um matrimônio já em meia-idade, lançando até mesmo um buquê quase que certeiro em minha direção. Tenho certeza que os méritos dos seus esforços foram direcionados para a escolha da minha vocação.</p>
<p>Brincadeiras a parte, primeiramente, agradeço ao Sr. Presidente, Nilson Neto, pela paciência e confiança durante estes anos de trabalho. Torno-me agraciada por saber que da relação de um presidente e uma secretária tenha nascido um grande sentimento fraterno. Hoje considero-o como um irmão.</p>
<p>Extensivamente, agradeço à Diretoria da Congregação pela paciência em me suportar todo esse tempo e pela coragem de permanecer nestes cargos, mantendo a vida da Congregação, apesar das dificuldades.</p>
<p>Agradeço também, in memoriam, à dona Goretti que foi uma grande amiga, conselheira e mãe para mim. Que nos lembremos sempre com muito carinho de seus conselhos e &#8220;puxadas de orelha&#8221;, bem como da sua linda morte. </p>
<p>Prefiramos o paraíso, como ela.</p>
<p>À minha mãe, in memoriam, que durante um pouco mais de 29 anos suportou-me e cuidou muito bem para que eu não desistisse do que era importante. Peço que rezem por ela.</p>
<p>Às mães que ganhei nesta Congregação, dona Socorro, dona Silene, dona Elizete, que me considerando como filha, trataram-me como tal, dando-me conselhos, ajudas e carinho.</p>
<p>Às crianças da primeira turma da Cruzada Eucarística pela oportunidade de orientá-las durante este ano e aos alunos que turmas de catecismo anteriores. Tenho plena certeza que a pessoa que mais aprendeu neste processo, fui eu mesma.</p>
<p>Enfim, a todos os congregados pelo auxílio, paciência e cuidado. Aos novos e aos mais antigos como eu, meu muito obrigada. É uma grande alegria ver a Congregação crescendo e gerando frutos por onde passa.</p>
<p>Por fim, tenho somente três pedidos a fazer e peço-lhes licença para tomar esta liberdade.</p>
<p>Primeiro, peço que se esforcem em manter diligência nos apostolados da Congregação. Mesmo que possam fazer somente algo muito pequeno, façam com amor e dedicação, e não desistam. Usemos o exemplo de S. Bernadette, que foi congregada. Sabe-se que, por relatos de sua biografia, tudo que ela devia fazer, fazia com grande zelo. Se se tratava de uma limpeza no convento, limpava todos os cantos do cômodo, até mesmo os nunca vistos pelas pessoas. Seu amor a Deus resplandecia na sua obra, logo ela não se importava com o que os outros viam, mas somente com Aquele que tudo vê, o próprio Deus, o motivo de suas obras. Deus nem Nossa Senhora precisam de nós, mas por algum motivo nos puseram onde estamos. Então façamos o máximo que está ao nosso alcance para fazer a perfeita vontade divina. Limpemos o cantos que nos forem dados.</p>
<p>Segundo, sejam verdadeiramente irmãos uns dos outros. Alegrem-se juntos quando possível, suportem-se quando necessário, e amem-se sempre. Que nós sejamos gratos por todos que Deus no envia e também pelos que eventualmente nos venha a tirar. No ensejo, peço que tenham paciência e ajudem o quanto puderem a Diretoria da Congregação. Às vezes conciliar os afazeres é algo, de fato, muito difícil, principalmente corroborado pelas dificuldades pessoais de cada um. Por isso, rezem por eles.</p>
<p>Por fim, não desistam de nada, nada mesmo, que Deus tenha posto em suas mãos. Os nossos tempos estão cada vez mais difíceis, principalmente pelas proibições relacionadas a Missa, mas não esqueçam: &#8220;Quando mais difícil está é quando mais Deus quer ajudar&#8221;. Acompanhemos Nossa Senhora e São José até Belém e soframos com eles. Junto deles e do menino Jesus, símbolo de resignação e paciência, nada será tão difícil que não possa ser suportado. Não percamos a esperança, não desanimemos. É por Deus que passamos e iremos passar as mais diversas dificuldades e é Deus que há de nos recompensar, apesar das nossas mazelas.</p>
<p>Por tudo e em tudo devemos nos alegrar. Exultemos de alegria, &#8220;nasceu-nos um menino, um filho nos foi dado&#8221;, nasceu para nós, pobres pecadores, Um Salvador! Venite, Adoremus Dominum!</p>
<p>Prometo rezar por todos, enquanto houver forças. Salve Maria!</p>
<p>Manaus, 25 de dezembro de 2021, Festa da Natividade de Nosso Senhor,<br />
Luhana Nyevies Martins Soares, CM.</p>
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		<title>Como o Rosário deve ser recitado para que seja meritório</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nilson Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2020 06:22:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Marianismo]]></category>
		<category><![CDATA[rosario]]></category>
		<category><![CDATA[santo afonso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sermão de Santo Afonso sobre o Rosário e como recitá-lo para que seja meritório</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-10948" src="https://salvemaria.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EjtT4F_XYAANilz-854x1024.jpeg" alt="" width="854" height="1024" srcset="https://salvemaria.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EjtT4F_XYAANilz-854x1024.jpeg 854w, https://salvemaria.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EjtT4F_XYAANilz-250x300.jpeg 250w, https://salvemaria.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EjtT4F_XYAANilz-768x921.jpeg 768w, https://salvemaria.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EjtT4F_XYAANilz-1281x1536.jpeg 1281w, https://salvemaria.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EjtT4F_XYAANilz.jpeg 1708w" sizes="(max-width: 854px) 100vw, 854px" /></p>
<p>A oração é definida por São Damasceno como <em>ascensio mentis ad Deum:</em> Uma elevação da mente a Deus, sem a qual não há oração verdadeira. É dividida em oração mental e oração vocal: <strong>a oração mental consiste inteiramente no exercício interior da mente; a oração vocal consiste em louvar a Deus e orar a ele com a língua, sem excluir essa ascensão da mente a Deus, </strong>pois rezar só com a língua, sem a mente, seria sem fruto e sem mérito, como explica São Boaventura: &#8220;<em>só com a voz, sem nenhuma aplicação da mente, sem saber o que diz, quem não vê que ele é como um papagaio?</em>&#8221;</p>
<p><strong>A elevação da mente exigida na recitação do Rosário deve ser uma meditação piedosa sobre os quinze mistérios, gozosos, dolorosos e gloriosos</strong>; assim, enquanto nós rezamos com nossas vozes os &#8220;Pai Nossos&#8221; e &#8220;Ave Marias&#8221; que compõem o Rosário, em nossos pensamentos consideramos em nossos pensamentos os mistérios que pertencem a cada dezena.</p>
<p>É verdade que uma oração vocal, como o Rosário, pode ser meritória sem a aplicação da mente à consideração dos quinze mistérios designados; é suficiente que se reflita sobre a presença de Deus, sua onipotência, sua misericórdia ou algumas de suas outras perfeições; tanto nos castigos temporais ou eternos que alguém merece, ou em outros assuntos que se referem a Deus para que a oração seja meritória; <strong>mas se recitarmos o Rosário com tais pensamentos, ao invés de considerarmos seus quinze mistérios, não ganhamos as indulgências concedidas pelo Soberanos Pontífices</strong>, como Bento XIII declarou expressamente.</p>
<p>Enganamo-nos, pois, se pensamos que temos algum mérito ao recitar o Rosário, permitindo-nos atentar o que se fala ao nosso redor, olhar o que acontece, interromper-nos muitas vezes para comentar sobre o que se vê ou responder o que se nos pergunta. Fazendo assim, merecemos o opróbrio do Senhor: <em>Este me louva com os lábios, mas seu coração está longe de mim (Mt 15, 8).</em> E não permita Deus que não nos entreguemos apenas às distrações, mas cheguemos a ponto de considerar vingança, nutrir sentimentos de ódio ou nos ocupar com pensamentos perversos durante a oração; pois então, muito longe de adquirir mérito, tornaria-nos dignos de castigos eternos!</p>
<p>Se, portanto, desejamos encontrar na devoção do Rosário um apoio seguro na esperança que temos de salvar nossas almas por meio dela, <strong>ela deve produzir em nós uma verdadeira emenda, uma verdadeira reforma de nossas vidas, segundo o que a Santíssima Virgem, a Mãe de Deus, espera de nós.</strong> Mas nunca obteremos este fruto, se na recitação do Rosário <strong>não estiver unida à nossa voz uma meditação piedosa sobre estes mistérios</strong>, que colocam diante de nossos olhos os feitos amorosos, os trabalhos, as humilhações e os sofrimentos de Jesus Cristo.</p>
<p>Há quem se iluda ainda mais: são os que imaginam que, levando consigo o Rosário, se acham fortalecidos com um braço seguro contra o diabo, e assim se prometem uma boa morte; confiam na recitação de exemplos antiquados de pecadores, que, depois de uma vida cheia de crimes, porque recitaram e levaram consigo o Rosário, obtiveram por intercessão de Maria a graça de morrer arrependidos. Mas esses exemplos, se verdadeiros, são milagrosos; e não creio que ninguém ame tão pouco sua alma a ponto de desejar salvá-la apenas por um milagre! Não! <strong>Se desejamos ser salvos com a proteção de Maria, convém que façamos um melhor uso das devoções instituídas em sua honra</strong>; pois sabemos que pelas devoções mal realizadas e empreendidas para viver sem temor da justiça de Deus, longe de obter a proteção da Santíssima Virgem, apenas provocamos seu desgosto.</p>
<p><strong>Não é suficiente para quem recita o Rosário ter um coração puro ou uma boa intenção: ele também deve ter uma língua pura</strong>. A devoção do Rosário floresceu em todas as casas; mas qual é a casa em que floresceu com o cheiro bom com que o santo rei Davi desejava que sua oração fosse embalsamada para que fosse agradável a Deus? &#8220;<em>Senhor</em>, disse ele, <em>que minha oração cresça como incenso em Tua presença</em>&#8220;. É de se temer que muito Rosários sejam como as flores do Egito, das quais Plínio diz que não têm aroma: como uma flor sem odor dificilmente é agradável ou é mesmo desagradável, também as rosas oferecidas a Maria são dificilmente agradáveis ​​e podem ser até desagradáveis , porque têm menos odor.</p>
<p><strong>A triste causa deste infortúnio pode ser atribuída às palavras impróprias que tantas vezes saem das bocas </strong>: elas tiram o cheiro bom das orações, porque não podem agradar à Mãe de Deus. Assim, há alguns que não podem falar dez palavras sem entrelaçá-las com alguma expressão indecente; outros, quando ficam com raiva, falam uma linguagem muito grosseira; muitos dificilmente podem apresentar alguma graça sem dizer uma palavra indecente. <strong>Este hábito detestável, além do mal que inflige diretamente às almas, causa grande dano aos exercícios de piedade, e especialmente ao Rosário; pois a Santíssima Virgem não pode aceitar estes Rosários que lhe são apresentados em línguas que estão em tão mau estado.</strong> Não se deve entender que falo aqui daquelas palavras sujas que espalham um odor pestilento de lascívia, e que o diabo nos faz considerar permissíveis para animar a companhia, palavras que são causa de escândalo por excitarem a mente e o coração maus pensamentos e afeições impuras: refiro-me àqueles que contêm reprovações injuriosas, expressam coisas rudes, indecentes e vergonhosas!</p>
<p>Quantas vezes não vemos pessoas que, irritadas por coisas vãs ou irracionais, vomitam uma torrente de injúrias e discursos intemperantes! Quantas vezes, indignados contra seus filhos, seus operários, seus servos, lhes atribuem ou desejam mil males e os ameaçam com termos rudes e furiosos! Freqüentemente, permite que outros que ouçam isso comece a falar no mesmo caminho. Como podemos acreditar que o Rosário, quando o recitamos com uma língua assim manchada, pode ser agradável à Mãe da pureza? Se alguém oferecesse a uma senhora flores ou frutas depositadas em uma cesta ou vasilha impura, em vez de ficar satisfeita com tal presente, ela se ofenderia; <strong>como então se pode imaginar que a Santíssima Virgem deseja acolher as orações e os Rosários que lhe são oferecidos numa língua habituada a pronunciar palavras sujas e vergonhosas? </strong></p>
<p>Nicéforo, na sua história da Igreja, relata que saiu do corpo de Santa Glicéria um líquido que, recolhido num vaso de bronze, produziu efeitos maravilhosos, especialmente para a cura dos enfermos. O bispo então achou conveniente, por respeito, substituir o vaso de bronze por um de prata; mas naquele exato momento o precioso líquido parou de fluir. Depois de muitas penitências e orações, soube-se por revelação que essa mudança se devia ao fato de o vaso de prata ter sido antes usado para usos profanos, o que o tornou impróprio; o vaso foi então removido e o milagre continuou seu curso. São Jerônimo diz que os lábios empregados em louvar, orar e abençoar o Senhor nunca devem ser maculados por nenhum pecado: &#8220;<em>É errado que aqueles lábios com os quais você confessa, pede e abençoa o Senhor sejam poluídos pela mancha de qualquer pecado&#8221;. </em>Ora, se é uma grande indignidade sujar a língua com um propósito ruim, que grande mal não será maculá-la a cada momento com tantas palavras indecentes, vergonhosas e imodestas! E poderia alguém ainda manter que a Virgem Abençoada consideraria agradável o Rosário recitado em tal língua?</p>
<p>Há quem diga que não tem escrúpulo de usar palavras indecentes, que afinal essas palavras não são blasfêmias, que merecem ser seriamente condenadas, mas que são faltas veniais, que por si mesmas não tiram o mérito de oração. No entanto, respondemos que são as moscas que o Espírito Santo diz que estragam o perfume do delicioso unguento (Ecl 10, 1), a causa pela qual se perdem o fervor da caridade e, por conseguinte, a devoção: para que o Rosário não tenha o mérito que o torna caro a Maria, nem tão eficaz para obter as graças que sempre obtém quem o recita devotamente. <strong>Embora palavras imodestas não sejam blasfemas, são falhas veniais</strong> muito graves que causam danos muito graves à alma<strong>.</strong> São estas ações <strong>causa pela qual as orações são recitadas sem mérito, porque a falta de fervor na caridade sempre os torna mais pobres em virtude, mais imperfeitos, mais frios e, conseqüentemente, menos agradáveis ​​aos olhos de Deus e da Santíssima Virgem</strong>. Por isso, São Tiago diz acertadamente que aquele que não deseja controlar sua língua não tem devoção verdadeira, mas uma devoção vã, apenas a aparência dela: <em>E se qualquer homem se considera religioso, não refreia a língua, mas engana seu próprio coração, este homem a religião é vã.</em> (Tg 1, 26)</p>
<p><strong> Se então desejamos que a recitação do Rosário seja meritória e proveitosa às nossas almas, além da posse da pureza de coração, será necessário que usemos uma língua pura e sempre consideremos o grande mal que é causado pelo vício contrário; por escândalo, mau exemplo, dado a seus filhos e a outros por suas palavras indecentes ou impróprias.</strong></p>
<p>Consideremos, além disso, que o mérito e o lucro serão ainda maiores <strong>se recitarmos o Rosário com devoção na companhia de membros da família ou de outras pessoas, e isso pelo bom exemplo que daí resulta e porque o Senhor se agrada encontrar-se no meio daqueles que se unem para glorificar o seu nome</strong>, como ele mesmo declarou: Pois onde estão dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou eu no meio deles (Mt 18, 20).</p>
<p>Acrescentemos que o Rosário pode ser proveitoso, não só para as nossas almas, mas também para as almas dos mortos, a quem, diz o Beato Alanus, Deus envia a sua misericórdia por este meio: “<em>A Santíssima Trindade envia aos misericórdia morta através do saltério de Maria, a Mãe da misericórdia&#8221;. </em>É muito agradável a Deus se procurarmos alívio para essas almas sofredoras; é um ato sagrado e salutar: &#8220;<em>é portanto um pensamento sagrado e salutar rezar pelos mortos&#8221;  (II Mac 12, 46).</em> E a Rainha do céu declarou-se sua Mãe afetuosa, como revelou a S. Brígida: &#8220;<em>sou a Mãe de todos os que estão no purgatório.</em>&#8221; Eles estão até mesmo sob a autoridade dela, diz São Bernardino de Siena: &#8220;A Santíssima Virgem tem domínio no reino do purgatório&#8221;. Não devemos, portanto, negligenciar um exercício tão piedoso como é a recitação do Rosário; <strong>devemos tentar recitá-lo com um coração puro e uma língua pura na companhia da família e de outras pessoas</strong>. Se assim o recitarmos com verdadeira devoção, será de grande proveito para a salvação de nossas almas e para o consolo das almas dos mortos.</p>
<p style="text-align: right;">Sermão de Santo Afonso sobre o Rosário, 1774<br />
Tradução e adaptação por um congregado mariano</p>
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		<title>A Pureza de Intenção segundo Santo Afonso</title>
		<link>https://salvemaria.com.br/a-pureza-de-intencao-segundo-santo-afonso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jackson Leite]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jun 2018 19:17:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[congregacao mariana]]></category>
		<category><![CDATA[evangelho]]></category>
		<category><![CDATA[meditacao]]></category>
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		<category><![CDATA[viuva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Da Pureza de Intenção” é uma meditação de Santo Afonso da Terça-feira da Quarta semana depois de Pentecostes, na qual ele define que tal virtude&#46;&#46;&#46;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://salvemaria.com.br/a-pureza-de-intencao-segundo-santo-afonso/">A Pureza de Intenção segundo Santo Afonso</a> aparece primeiro em <a href="https://salvemaria.com.br">Salve Maria</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Da Pureza de Intenção” é uma meditação de Santo Afonso da Terça-feira da Quarta semana depois de Pentecostes<span id='easy-footnote-1-4554' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-pureza-de-intencao-segundo-santo-afonso/#easy-footnote-bottom-1-4554' title='LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder &amp;amp; Cia, 1921, p. 183-185.'><sup>1</sup></a></span>, na qual ele define que tal virtude consiste em fazer todas as ações com o único intuito de agradar a Deus.</p>
<p>Esta intenção sobrenatural é o que nos adquire méritos para a vida eterna através de uma boa ação feita em estado de graça. Assim, é muito útil aprendermos as lições que o Santo nos ensina neste texto. Vejamos um resumo do que ele nos fala mediante a citada meditação.</p>
<p>Santo Agostinho explica a citação de Jesus Cristo: “se teu olho for simples, todo teu corpo será luminoso. Mas se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará em trevas” – dizendo que: o olho simples significa a intenção de agradar a Deus; o olho tenebroso significa a intenção má, quando se faz algo por vaidade ou para própria satisfação. Segundo a intenção da obra, se boa ou má, assim também ela será aos olhos de Deus, boa ou má.</p>
<p><em>Poderá haver obra mais sublime do que o dar a vida pela fé?</em>, questionamento esclarecido por São Paulo: <em>aquele que morre com outro intuito que não a vontade de Deus, nenhum proveito tem de seu mérito</em>.</p>
<p>Que utilidade terão todas as pregações, livros, trabalhos dos operários sagrados, austeridades dos penitentes, quando feitos para granjear louvores humanos ou para contentar o amor próprio? Nenhuma, se não é sofrido por amor de Deus, nenhum mérito é aproveitado.</p>
<p>As obras, embora santas por natureza, mas não feitas para Deus, são postas em um saco roto, se perdem todas e nada resta. Ao contrário, de todas as ações feitas para agradar a Deus, por mais insignificantes que sejam, estas têm muito mais valor do que muitas obras grandiosas feitas sem reta intenção, como diz o profeta Ageu.</p>
<p>A exemplo a viúva pobre do Evangelho de São Marcos que depositou no cofre das oferendas apenas duas pequenas moedas, mas segundo Nosso Senhor: “Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros”. São Cipriano esclarece que assim é considerado, porque deu as duas pequenas moedas com a intenção pura de agradar a Deus.</p>
<p>Alguns sinais podem nos dizer se uma ação foi feita com intenção reta: quando não nos perturbamos se o intento desejado não é alcançado; e, quando a obra concluída, apesar de alguma desaprovação ou reclamação, nos deixa contentes e tranquilos.</p>
<p>No entanto, se a obra for louvada, não se deve inquietar pelo medo ou vanglória. São Bernardo ensina que se este pensamento surgir à mente, deve ser desprezado e dizermos: “Não é para ti que comecei, nem para ti a quero interromper”.</p>
<p>A intenção de adquirirmos uma glória mais alta no céu é boa, porém a mais perfeita é a de agradar ao Senhor. Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer coisa, tudo fazei para glória de Deus.</p>
<p>A Venerável Beatriz da Encarnação dizia que “nenhum valor terrestre pode igualar o de qualquer obra feita para Deus, posto que mais insignificante”.</p>
<p>Certamente, porque todas as obras feitas para Deus são atos de amor divino.</p>
<p>A pureza de intenção faz preciosas as ações mais desprezíveis, contanto que sejam feitas por obediência e com intuito de agradar a Deus.</p>
<p>Santo Afonso nos ensina que desde pela manhã, devemos dirigir a Deus todas as ações do dia. E será muito vantajoso renovar essa intenção no começo de todas as ações, ao menos das mais importantes como: oração, comunhão e leitura espiritual.</p>
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