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	<title>santidade | Salve Maria</title>
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	<description>Congregação Mariana da Imaculada Conceição - Manaus, Amazonas</description>
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	<title>santidade | Salve Maria</title>
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		<title>Da Castidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Aug 2021 00:14:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Cristã]]></category>
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		<category><![CDATA[virtudes]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Santo Afonso, no seu Tratado da Castidade, afirma que ninguém melhor que o Espírito Santo saberá apreciar o valor inestimável de uma alma casta, ou seja, da castidade em si. A castidade é chamada por Santo Efrém de “A Vida do Espírito” e uma pessoa que possui esse estado de vida consegue viver sem se abalar com nada pois “Todo o preço é nada em comparação duma alma casta” (Eclo 26, 20).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já dizia Santo Efrém: “Esse estado de vida faz com que o homem possa ser comparado a um anjo”, “mas muito mais que isso”, já dizia São Bernardo, “porque o homem se difere do anjo por conta da bem-aventurança pois enquanto a castidade do anjo é mais ditosa a do homem é mais intrépida, ou seja, é destemida por conta da escolha de vida que a pessoa faz”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além disso, para viver esse estado, faz-se necessária muita oração, penitência e mortificação. Isso é importante porque a luta travada contra a carne, o demônio e o mundo são extremamente difíceis. Mas por que é difícil? Porque eles tentam de tudo para desvirtuar a alma que quer seguir a castidade e a perfeição cristã, e tentam até mesmo a que já segue nesse caminho. Por isso adverte São Carlos Borromeu: “Se não vigiares continuamente sobre ti mesmo, é impossível que te conserves casto, pois a negligência traz juntamente de si a perda da castidade de forma demasiada fácil”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por isso, para conservar a castidade, são extremamente necessárias:</p>
<ul>
<li>A vigilância dos pensamentos</li>
<li>A modéstia dos olhos</li>
<li>A guarda do coração</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A vigilância dos pensamentos</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Santo Agostinho ensina que não pode haver pecado onde não existe o consentimento da vontade. Por isso, nem todos os maus pensamentos em si são pecados, pois, para isso acontecer, deve haver a sugestão do pensamento. Essa sugestão nada mais é do que imaginar a situação pecaminosa. Ao imaginá-la e nela se delongar, a pessoa peca. Mas quando a combate e a rejeita, evita-se o pecado. Logo, a sugestão nada mais é do que o motivo que leva a praticar o mal que vem à mente. Seguida da sugestão vem a deleitação. Essa já é mais perigosa pois se não combatida de imediato a pessoa acaba caindo no consentimento, que é quando já existe o pecado de fato e a morte da alma para a Graça de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A modéstia dos olhos</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Santo Agostinho afirma que os olhos são a janela da alma, por isso, é o primeiro foco onde o demônio busca tentar a alma que quer seguir o caminho da castidade, pois já disse Santo Afonso: “Olhar, desejar e consentir”. “As primeiras setas que ferem as almas castas, e não raro as matam, entram pelos olhos” já dizia São Bernardo. Por isso a guarda dos olhos e a procura por manter um olhar mais rebaixado são a guarda principal, pois até mesmo um olhar voluntário lançado para uma pessoa do sexo oposto acende uma faísca infernal que pode levar a alma à perdição eterna;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>A guarda do coração</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aqui se deve procurar ter muito cuidado com as amizades perigosas, e dentre elas, um cuidado especial e redobrado deve ser dado às amizades sensuais. Sobre este tópico alerta São Francisco de Sales em Filotéia: “A amizade fundada sobre os prazeres sensuais ou sobre certas perfeições vãs e frívolas é tão grosseira que nem merece o nome de amizade.”. Isso porque quase sempre elas se baseiam na questão pura dos prazeres dos sentidos. Continua o mesmo Santo:</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>“Chamo prazeres sensuais aqueles que provêm imediata e principalmente dos sentidos exteriores, como o prazer natural de ver uma bela pessoa ou de ouvir uma voz melodiosa, de apalpar outros prazeres semelhantes. Chamo perfeições vãs e frívolas certas habilidades ou qualidades, quer naturais, quer adquiridas, que os espíritos fracos têm em conta de grandes perfeições”.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Logo, quem conserva esse tipo de amizade cai facilmente no abismo, segundo Santo Agostinho, pois esse tipo de amizade está fortemente ligada às relações perigosas. Mas, para poder manter a guarda dos sentidos e da castidade, faz-se necessária a verdadeira prudência, evitando as possíveis ocasiões em que o pecado pode superabundar. Deve-se sempre procurar agir com prudência tanto nas falas quanto no comportamento e assim sucessivamente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Outros meios muito eficazes</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma outra forma de poder fortalecer o espírito, além das armas citadas anteriormente, a Comunhão e Confissão frequentes são verdadeiros remédios para a alma, uma vez que renovam as forças que foram perdidas durante a árdua luta contra o demônio, o mundo e a carne.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além dessas duas supracitadas, vale-se a oração mental, em especial na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os santos fortemente recomendam essa meditação, em especial no momento da tentação, ela é um verdadeiro remédio para a alma por ser extremamente eficaz principalmente contra a sensualidade.  Lembrar do interrogatório, flagelação, abandono de Nosso Senhor pelos Seus apóstolos é de retalhar o coração. Lembrar que foi justamente por nossa causa que Nosso Senhor foi crucificado e suportou todas as dores e tormentos faz com que espantemos de perto todo e qualquer tipo de pensamento pecaminoso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Portanto, se suplicarmos o auxílio da graça de Nosso Senhor, pensarmos e recorrermos à Nossa Senhora e a todos os Santos, em especial os que tem a Pureza como virtude exemplar, i. e. São Luís Gonzaga, os que temos particular devoção e que apliquemos todas as ferramentas aqui sugeridas e utilizar da fuga das ocasiões perigosas, pois, quando a tentação contra ela ocorre, é extremamente necessário que não se pense a respeito, e que se fuja do local se ele for completamente propício ao pecado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por fim, lembremos que a Pureza e a Castidade são duas pérolas preciosas, que são frutos do Amor e da Paixão de Cristo e que seus valores consistem justamente em refrear aquela má inclinação que temos por conta do pecado de Adão. Recordemo-nos que a Pureza faz da nossa alma um santuário protegido do mundo e de toda a perversidade que existe, pois aquele que é puro procura sempre ir contra as seduções e vaidades do mundo e procura sempre desprezar tudo o que não é de Deus e sempre velar sobre seus sentidos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>“Venerunt mihi omnia bona pariter cum illa &#8211; Vieram-me todos os bens juntamente com ela” (Sap. VII, 2)</em></p>
<p>Escrito por um Congregado Mariano.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Fontes</h3>
<p>Tratado da Castidade – Santo Afonso Maria de Ligório</p>
<p>A Pérola das Virtudes – Pe. Adolfo de Doss, S.J</p>
<p>Tratado sobre a Prudência – Santo Alberto Magno</p>
<p>Filotéia – São Francisco de Sales</p>
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		<title>A necessidade da Santidade Sacerdotal</title>
		<link>https://salvemaria.com.br/a-necessidade-da-santidade-sacerdotal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2019 18:40:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Cristã]]></category>
		<category><![CDATA[Missa Tridentina]]></category>
		<category><![CDATA[sacerdocio catolico]]></category>
		<category><![CDATA[santidade]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No século XX observava-se a difusão de erros contrários à fé, oriundos do renascimento do paganismo no século XVI, como o protestantismo, o deísmo, o naturalismo, o liberalismo e o laicismo ou secularismo maçom, que ameaçavam descristianizar completamente os povos, sobretudo com o materialismo ateu dos comunistas que negava a religião, a propriedade individual, a família e a pátria, reduzindo toda a vida humana à vida econômica, semelhante à consideração de um corpo sem alma (GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 9-25). Segundo a análise do padre Garrigou-Lagrange, seria necessário que os próprios fiéis resistissem a este veneno mortal dos <a href="https://salvemaria.com.br/taticas-modernistas/">erros modernos</a>, mediante uma fé profunda. Mas, como aos sacerdotes da Igreja cabe o ofício de ensinar, estes deveriam primeiramente alcançar uma fé profunda, a fim de irradiá-la aos fiéis, pela pregação cristã. E, dado que a pregação deve proceder da contemplação, (AQUINO, p. II-IIæ, Q. 188, a. 6, resp.), então seria necessário aos sacerdotes, ao menos em razão de seu ministério de ensinar, o progresso na vida espiritual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>ASPIRAR À PERFEIÇÃO: FINALIDADE DA VIDA CRISTÃ </strong></h5>
<p>O desenvolvimento da vida sobrenatural na alma pelo duplo movimento de aversão às criaturas e conversão a Deus foi tratado <a href="https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/">neste artigo</a>. Agora, trataremos especificamente daquilo em que consiste a perfeição cristã, da necessidade geral de aspirarmos a ela e da especial obrigação de a ela tenderem os sacerdotes.</p>
<p>Há três tipos de perfeição: a mínima, que exclui os pecados mortais; a média, que exclui pecados mortais e veniais deliberados; e a plena que, além dos pecados mortais e veniais deliberados, exclui também imperfeições deliberadas e o modo relapso de agir (cf. GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 49-52). A aspirar a esta perfeição plena, todos são convidados (cf. São Mateus XIX,21) e mesmo obrigados de modo geral (Cf. V,48).</p>
<p>A santidade ou perfeição plena da caridade é dupla. Pode ser exterior, consistindo em atos exteriores, como a pobreza, a virgindade e a submissão voluntárias. Esta perfeição não obriga a todos. Pode também ser interior, consistindo no ato interior de amor a Deus e ao próximo. Esta nem todos estão obrigados a possuir, mas todos estão obrigados a aspirar a ela como fim, cada um segundo seu estado de vida, devido ao primeiro mandamento do decálogo não impor limites a esta obrigação (cf. GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 55). Assim, não exercitar a caridade é contrário ao preceito, pois significa não se dispor ao seu progresso como ao fim (cf. GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 58). A seguir, será tratada a especial obrigação à perfeição da caridade, ou santidade, no estado sacerdotal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>POR CAUSA DA ORDENAÇÃO SACERDOTAL.</h5>
<p>O Catecismo Romano ensina que desde que o seminarista recebe a prima tonsura, pela qual inicia o itinerário até o sacerdócio, deve preparar-se para uma união com Deus, com consequente separação das criaturas. Presente desde a Antiga Aliança, se bem que restrita à ordem natural, realiza-se na Nova Aliança pelo crescimento da vida sobrenatural do sacerdote:</p>
<blockquote><p>“A tonsura exprime quais predicados deve ter quem deseja ordenar-se. O nome de clérigo, que desde logo lhe é imposto, quer dizer que terá doravante o Senhor por sorte e partilha, assim como o tinham, entre os hebreus, aqueles que estavam ligados e consagrados ao culto divino. O Senhor proibiu que, na Terra Prometida, lhes fosse dado algum quinhão, porquanto afiançava: ‘Eu serei a tua partilha e herança’ (Números XVIII,20). Essa palavra se refere a todos os fiéis em geral, mas aplica-se em sentido mais particular àqueles que se consagram ao serviço de Deus” (Catecismo Romano, 1951, p. 370).</p></blockquote>
<p>Segundo D. Chautard, a vida sobrenatural cresce proporcionalmente com a caridade, “por meio de uma nova infusão da graça da presença ativa de Jesus”, isto é, a graça santificante, “produzida por ocasião dos atos meritórios e pelos sacramentos” (2017, p. 28). Deste modo, o fundamento próximo ou a raiz da santidade sacerdotal é a graça sacramental conferida pelo sacramento da ordem (cf. GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 172). Por ela, os sacerdotes “recebem uma disposição especial para o profundo conhecimento dos mistérios da fé, para o discernimento dos espíritos e para a oração e elevação da mente a Deus” (GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 174, tradução nossa).</p>
<p>O sacerdote é o templo de Deus, tanto pelo compromisso de castidade que fez, como pela unção que o consagrou a Deus (cf. LIGÓRIO, 2014, p. 80-83). Segundo Santo Afonso de Ligório, levando em consideração que todo cristão deve ser perfeito, conforme o mandamento de Nosso Senhor, e que esta perfeição ou santidade é produzida pela graça de Deus e a colaboração dos homens com ela, assim como a graça dispensada aos sacerdotes é superior, em razão de sua ordenação, também a vida do sacerdote deve exceder em santidade à dos simples fiéis (2014, p. 39).</p>
<p>Em outras palavras, “a santidade cristã é a vida de Cristo Cabeça em nós” pela graça santificante, a qual “faz por si só que o justo seja santo”. Ora, como “são muito diversos os graus da graça santificante” (GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 167, tradução nossa), assim também são proporcionalmente diversos os graus de santidade.</p>
<p>Ao sacerdote, devido ao grau mais alto da graça santificante ao qual foi elevado, corresponde, portanto, o mais alto grau de santidade. Dessa forma, o sacerdote tem uma obrigação especial de ser santo. Ora, sendo o sacerdócio católico substancialmente o mesmo que Nosso Senhor Jesus Cristo recebeu; e sendo o sacerdote o representante de Jesus Cristo, então é preciso que tenha uma pureza, uma santidade semelhantes às dele (cf. LIGÓRIO, 2014, p. 40-41).</p>
<p>Por isso, o sacerdote não pode contentar-se apenas com uma perfeição mínima, pois para fazê-lo caminhar na perfeição, o Senhor o cumula de graças e socorros especiais. Com efeito, provoca a maldição de Deus quando exerce o seu ministério com negligência, defeitos e falhas que não pensa em detestar (cf. p. 72-75).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>POR CAUSA DO MINISTÉRIO SOBRE O CORPO SACRAMENTAL DE CRISTO.</h5>
<p>“Para celebrar dignamente [a Santa Missa] é preciso ser um santo” (GARRIGOULAGRANGE, 1962, p. 163). Santo Afonso chega a esta mesma conclusão, analisando a necessidade especial de santidade no sacerdote, por causa do cuidado sobre o corpo sacramental de Cristo, a partir de três pontos (cf. A selva, p. 44-45, 90-92):</p>
<ul>
<li>O grau de santidade exigido é proporcional à altura do ministério exercido. Ora, servir a Nosso Senhor no altar é certamente o mais alto ministério. Portanto, exige-se do sacerdote o maior grau de santidade.</li>
<li>Exigia-se santidade dos sacerdotes do Antigo Testamento, que manuseavam vasos sagrados. Mas, são muito mais sagrados os vasos que contém o santíssimo Corpo e o preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, muito maior é o grau de santidade exigido dos sacerdotes do Novo Testamento.</li>
<li>Deveria ser santa e imaculada a Bem-aventurada Maria, pois traria em seu ventre Nosso Senhor. Ora, o sacerdote toca o Corpo, bebe o Sangue, diz as palavras e faz os gestos de Nosso Senhor. Assim, da mesma forma, deve ter o sacerdote uma grande perfeição de vida.</li>
</ul>
<p>Diante desta consideração, compreende-se a gravidade do pecado de uma missa sacrílega. Conforme o mesmo santo (2014, p. 92-100), aproximar-se alguém do altar, sem o respeito que lhe é devido é mostrar que o julga digno de desprezo, nas palavras de S. Cirilo de Alexandria; e ensina o Concílio Tridentino que, apesar de o Santo Sacrifício não poder ser maculado pela malícia do sacerdote, ao celebrar a Santa Missa em pecado mortal não deixa de a profanar. Esta profanação consiste em o sacerdote cometer quatro pecados mortais (cf. p. 94): consagrar em estado de pecado; comungar em estado de pecado; administrar o santíssimo sacramento em estado de pecado; e, administrando-o a si próprio, administrá-lo a um indigno.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>POR CAUSA DO MINISTÉRIO SOBRE O CORPO MÍSTICO DE CRISTO.</h5>
<p>O sacerdote deve ser santo também como mediador entre Deus e os homens. Conforme Santo Afonso (2014, p. 47-49), é pelo ministério dos sacerdotes que os fiéis recebem a graça de Deus, nos sacramentos. Para obter a graça aos outros é preciso que o sacerdote seja santo, na qualidade de dispensador dos sacramentos (cf. GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 80-81).</p>
<p>Por isso que a Igreja obriga o sacerdote à recitação do Ofício Divino diariamente; enquanto que à celebração da Missa, apenas algumas vezes ao ano. Para D. Chautard (2017, p. 110), os dois grandes meios de ação do sacerdote, são a oração, sobre o coração de Deus e a santidade, sobre o coração dos homens.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>A SANTIDADE CONVENIENTE AO ESTADO E ÀS FUNÇÕES SACERDOTAIS.</h5>
<p>Meditando na grandeza do sacerdócio católico, Santo Afonso chega a uma conclusão à primeira vista surpreendente:</p>
<blockquote><p>“Escolheu, o Senhor, o padre, do meio de tantos outros homens, para ser ministro seu e para lhe oferecer em sacrifício o seu próprio Filho. Escolheu-o, entre todos os homens viadores, para oferecer o sacrifício a Deus. Deu-lhe poder sobre o Corpo de Jesus Cristo; depôs em suas mãos as chaves do Paraíso; elevou-o acima de todos os reis da terra e de todos os anjos do Céu; numa palavra, fê-lo um Deus terreno!” (2014, p. 56).</p></blockquote>
<p>Mas também São Vicente de Paulo, em uma conferência na Congregação da Missão, chega a semelhante exclamação:</p>
<blockquote><p>“Nada de maior existe que um padre, a quem dá Nosso Senhor todo poder sobre seu corpo natural e sobre o corpo místico, o poder de perdoar os pecados, etc. Ó Deus! Que poder! Ó! Que dignidade! Esta consideração nos obriga a servir este estado tão santo e sublime” (PAULO, 2016, p. 87)</p></blockquote>
<p>Em sentido negativo, assim como a corrupção do ótimo resulta no péssimo, também a corrupção dos sacerdotes é causa dos piores males para a Igreja.</p>
<blockquote><p>“Não tem a Igreja inimigos piores que os [maus] padres. Foi deles que provieram as heresias. O testemunho disso nos é dado por estes dois heresiarcas, Lutero e Calvino, que eram padres. Foi por intermédio dos padres que os hereges prevaleceram, reinou o vício e a ignorância firmou seu trono no meio do pobre povo. E isso, por causa do próprio desregramento deles e por não se oporem, com toda a energia, conforme suas obrigações, a essas três torrentes que inundaram a terra” (PAULO, 2016, p. 88).</p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<h5><strong>CONCLUSÃO</strong></h5>
<p>Concluindo este primeiro artigo, de uma série de quatro artigos sobre o sacerdócio católico, pode-se resumir assim o argumento: o sacerdote tem uma obrigação especial, em razão de sua ordenação, de exercer dignamente os seus ofícios sacerdotais. Ora, a causa final de seus ofícios sacerdotais é a perfeição plena e interior da caridade. Portanto, o sacerdote tem obrigação especial de aspirar à perfeição plena e interior da caridade (cf. GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 81-106;148), isto é, à santidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><strong>REFERÊNCIAS</strong></h5>
<p>AQUINO, S. T. D. Suma Teológica. Permanência, Rio de Janeiro. Disponivel em: &lt;http://permanencia.org.br/drupal/node/8&gt;. Acesso em: 19 Julho 2018.</p>
<p>CHAUTARD, D. J. B. A alma de todo apostolado. São Paulo: Cultor de livros, 2017.</p>
<p>CONCÍLIO ECUMÊNICO DE TRENTO. Catecismo Romano. Tradução de Leopoldo Pires MARTINS. Nova edição portuguesa baseada na edição autêntica de 1566. ed. Petrópolis: Vozes, 1951.</p>
<p>GARRIGOU-LAGRANGE, P. R. La santificacion del sacerdote. 2ª. ed. Madrid: Ediciones Rialp, S. A., 1956. 225 p.</p>
<p>GARRIGOU-LAGRANGE, P. R. La union del sacerdote con Cristo, sacerdote y víctima. 2ª. ed. Madrid: Ediciones Rialp, S. A., 1962. 310 p.</p>
<p>LIGÓRIO, S. A. M. D. A selva. São Paulo: Cultor de livros, 2014.</p>
<p>PAULO, S. V. D. Obras completas: correspondência, colóquios, documentos. Tradução de Getúlio Mota GROSSI. Belo Horizonte: O Lutador, v. XII, 2016.</p>
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		<title>A Vida Sobrenatural</title>
		<link>https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Nilson Neto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jul 2018 16:31:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vida Cristã]]></category>
		<category><![CDATA[devoção]]></category>
		<category><![CDATA[santidade]]></category>
		<category><![CDATA[vida sobrenatural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O “amor da ação pela ação”, considerando o meio como um fim, fez do século XX um “século de agitação”, com uma “espiritualidade moderna”, o&#46;&#46;&#46;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O “amor da ação pela ação”, considerando o meio como um fim, fez do século XX um “século de agitação”, com uma “espiritualidade moderna”, o americanismo, que “relega ao segundo plano o essencial”, submetendo a vida interior às exigências da civilização moderna, conduzindo os “homens de obras” a uma vida apenas exterior, “fora de si mesmos”<span id='easy-footnote-1-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-1-5436' title='CHAUTARD, 2017, p. 35-36'><sup>1</sup></a></span>. Uma falsificação, portanto, da verdadeira vida espiritual que, não só atravessou a passagem de século, como talvez tenha até mesmo alcançado maiores níveis de degeneração atualmente, em tempos de agenda do milênio das Nações Unidas.</p>
<p>A vida espiritual compõe-se, sobretudo, dos atos interiores próprios da virtude de religião, ou seja da devoção (ato de nossa vontade ao desejar entregar-se inteiramente a Deus) e da oração  (ato de nossa inteligência que se eleva a Deus) e é parte integrante da virtude de religião, que é uma virtude anexa à justiça, praticada, no caso, para com Deus.</p>
<p>Sendo, assim, como virtude cardeal, a vida espiritual pode corromper-se por dois vícios em extremos opostos: ou a irreverência, pela falta, ou a superstição, pelo excesso. Portanto, é necessário o estudo da espiritualidade para, assim, conhecer a doutrina católica sobre a vida espiritual, a fim de melhor praticá-la, purificá-la por assim dizer, e alcançar a sua finalidade ou perfeição.</p>

<p>&nbsp;</p>
<h4>A Vida Interior da Santíssima Trindade</h4>
<p>Deus é a própria vida e não é nas suas operações exteriores, senão que nas operações interiores que o Ser manifesta mais intensamente esta vida<span id='easy-footnote-2-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-2-5436' title='CHAUTARD, 2017, p. 39-40; 57-58'><sup>2</sup></a></span>. Assim, cabe considerar as operações interiores, da Santíssima Trindade, como a fonte da vida interior. Estas operações interiores são chamadas processões, pois “em Deus a processão implica um ato que não tende a nenhum termo extrínseco, mas permanece no próprio agente” <span id='easy-footnote-3-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-3-5436' title='AQUINO, p. I, Q. 27, a. 3, resp.'><sup>3</sup></a></span>.</p>
<p>São Tomás, seguindo, explica que nos seres de natureza intelectual, estas operações pertencem ao intelecto e à vontade. Ora, Deus é o Ser intelectual por excelência. Logo, sua vida interior manifesta-se pelos atos de sua inteligência e de sua vontade. Deve-se, portanto, estudar o sujeito e o objeto do conhecimento e do amor divinos.</p>
<p>Nós conhecemos limitadamente: forma-se em nossa inteligência uma ideia, uma imagem da coisa conhecida, sem que esta ideia ou imagem se identifique com a nossa inteligência. Ao contrário, à proporção que a conhecemos melhor, mais nítida se torna para nós. Por sua vez, Deus se conhece perfeitamente, a Ideia ou Imagem que Ele concebe – também chamado de Verbo –, de Si mesmo corresponde exatamente ao que é, ou seja, Ele mesmo. Portanto, a Idéia, a Imagem ou o Verbo concebido de Deus é Deus mesmo, enquanto conhecido. Assim, há Deus que conhece e Deus conhecido, as duas primeiras Pessoas da Santíssima Trindade: o Pai e o Filho.<span id='easy-footnote-4-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-4-5436' title='Das Processões Divinas. Flos Carmeli Estudos, 2018. Disponível em: &amp;lt;http://floscarmeliestudos.com.br/das-processoes-divinas/&amp;gt;'><sup>4</sup></a></span>
<p>Há em Deus outra processão, a da vontade, “pela qual o amado está no amante, assim como, pela concepção do verbo, a coisa dita ou inteligida está no inteligente. Donde, além da processão do Verbo, há em Deus outra processão, que é a do Amor” <span id='easy-footnote-5-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-5-5436' title='AQUINO, p. I, Q. 27, a. 3, resp.'><sup>5</sup></a></span>. Porém, a processão do amor, “segundo a natureza da vontade, não se funda na noção de semelhança, mas antes, na noção de um agente que impele e move para algum termo”. É diferente, pois, da processão do Verbo, que se funda na noção de semelhança, e por isso não recebe o nome de geração. Assim, “o que em Deus procede ao modo do amor” procede como espírito, “nome que designa uma certa moção vital e um impulso, no sentido em que se diz que alguém é movido ou impelido pelo amor a fazer alguma causa” <span id='easy-footnote-6-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-6-5436' title='AQUINO, p. I, Q. 27, a. 3, resp.'><sup>6</sup></a></span>. Esta é a processão do Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a moção vital e impulso que move o Pai ao Filho e o Filho ao Pai.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>A Vida Sobrenatural Concedida à Criatura Espiritual</h4>
<p>Deus, por ser o sumo bem e por ser próprio do bem o ser difusivo, concedeu às criaturas espirituais, os anjos e os homens, a participação na vida divina, ou seja, as faculdades para o conhecimento e o amor de Deus. Assim, pela graça santificante, anjos e homens foram elevados, da ordem preternatural ou natural, respectivamente, de suas vidas para a ordem sobrenatural da vida divina. Nisto consistiu e consiste a sua beatitude ou felicidade, o seu fim último.</p>
<p>Antes de estudar o caso particular da essência da vida sobrenatural no homem, convém conhecer o efeito do pecado original sobre ela. Para tanto, há de se observar os casos anterior e posterior ao pecado original de Adão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>No estado de justiça original</h5>
<p>Adão fora criado em estado de justiça original, pelo qual sua alma era aperfeiçoada por Deus, a quem estava sujeita<span id='easy-footnote-7-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-7-5436' title='AQUINO, p. I-II, Q. 85, a. 3, resp.'><sup>7</sup></a></span>. Recebera dons sobrenaturais, participação na natureza divina: a graça santificante, as virtudes teologais de fé, esperança e caridade e os dons do Espírito Santo; e dons preternaturais, comuns à natureza angélica: a ciência infusa, a integridade, a impassibilidade e a imortalidade.</p>
<p>Pelas virtudes teologais, podia conhecer e amar a Deus. Pelo dom de ciência infusa, Adão tinha o conhecimento de todas as coisas que poderiam ser naturalmente conhecidas, para aos demais instruir e governar <span id='easy-footnote-8-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-8-5436' title='AQUINO, p. I, Q. 94, a. 3, resp.'><sup>8</sup></a></span>; pelo dom da integridade, as paixões existentes em sua alma estavam totalmente sujeitas à razão <span id='easy-footnote-9-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-9-5436' title='AQUINO, p. I, Q. 95, a. 2, resp.'><sup>9</sup></a></span>; pelo dom da imortalidade, o corpo humano era preservado de toda corrupção, enquanto a alma permanecesse sujeita a Deus <span id='easy-footnote-10-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-10-5436' title='AQUINO, p. I, Q. 97, a. 1, resp.'><sup>10</sup></a></span>; pelo dom da impassibilidade, não padecia tanto no corpo quanto na alma, no sentido em que não era removido de sua disposição natural de felicidade por nenhuma perturbação de dor ou sofrimento <span id='easy-footnote-11-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-11-5436' title='AQUINO, p. I, Q. 97, a. 2, resp'><sup>11</sup></a></span>.</p>
<p>Por fim, a natureza humana possuía a estabilidade das virtudes cardeais ou morais, tendo todas as potências da alma ordenadas ao fim próprio: a razão, sujeito da prudência, à verdade; a vontade sujeito da justiça, ao bem; o apetite irascível, sujeito da fortaleza, ao árduo e o apetite concupiscível, sujeito da temperança, ao prazer moderado pela razão <span id='easy-footnote-12-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-12-5436' title='AQUINO, p. I-II, Q. 85, a. 3, resp.'><sup>12</sup></a></span>. A tabela a seguir resume as disposições da natureza humana, em estado de inocência original, para a vida da alma:</p>
<table style="height: 288px;">
<tbody>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 129px; border-color: #f2f2f2; height: 72px; background-color: #f2f2f2;" rowspan="3"><strong>SOBRENATURAIS</strong></td>
<td style="width: 420px; background-color: #f2f2f2; height: 24px;">Graça santificante;</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 420px; background-color: #fdfdfd; height: 24px;">Virtudes teologais;</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 420px; background-color: #f2f2f2; height: 24px;">Dons do Espírito Santo.</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 129px; height: 96px; background-color: #f2f2f2;" rowspan="4"><strong>PRETERNATURAIS</strong></td>
<td style="width: 420px; background-color: #fdfdfd; height: 24px;">Ciência infusa;</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 420px; background-color: #f2f2f2; height: 24px;">Integridade;</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 420px; background-color: #fdfdfd; height: 24px;">Impassibilidade;</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 420px; background-color: #f2f2f2; height: 24px;">Imortalidade.</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 129px; height: 120px; background-color: #f2f2f2;" rowspan="4"><strong>NATURAIS</strong></td>
<td style="width: 420px; background-color: #fdfdfd; height: 24px;">Razão ordenada à verdade;</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 420px; background-color: #f2f2f2; height: 24px;">Vontade ordenada ao bem;</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="width: 420px; background-color: #fdfdfd; height: 24px;">Apetite irascível ordenado ao árduo;</td>
</tr>
<tr style="height: 48px;">
<td style="width: 420px; background-color: #f2f2f2; height: 48px;">Apetite concupiscível ordenado ao prazer moderado pela razão.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h5>Após o pecado original</h5>
<p>O pecado original de Adão causou à natureza humana a destituição de todos os dons, sobrenaturais e preternaturais, recebidos e a ferida da natureza, ou seja, a ferida da ignorância, pela qual a razão ficou privada de ordenar-se para a verdade; a da malícia, pela qual a vontade ficou privada de ordenar-se para o bem; a da fraqueza, pela qual o apetite irascível ficou privado de ordenar-se para o árduo; e a da concupiscência, pela qual o concupiscível ficou privado de ordenar-se ao prazer moderado pela razão<span id='easy-footnote-13-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-13-5436' title='AQUINO, p. I-II, Q. 85, a. 3, resp.'><sup>13</sup></a></span>. “Estas quatro feridas tocam as quatro virtudes cardeais e assim provocam em nós uma desordem contínua”<span id='easy-footnote-14-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-14-5436' title='LEFEBVRE, 2015, p. 82'><sup>14</sup></a></span>. Todas estas consequências explicam porque a vida espiritual, a partir do pecado original, é um combate constante, como será tratado a seguir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>A Vida Interior, perfeição da Vida Cristã</h4>
<p>A vida sobrenatural é a vida do próprio Deus na alma, pelas virtudes de fé, esperança e caridade. Sua presença por meio desta vida sobrenatural é uma ação vital, que deixa subsistir o livre arbítrio e se utiliza de causas segundas para fazer adquirir ou aumentar a participação na vida divina que, após o pecado original, é inaugurada pelo Batismo, início da vida cristã<span id='easy-footnote-15-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-15-5436' title='CHAUTARD, 2017, p. 25'><sup>15</sup></a></span>, cuja perfeição é a vida interior <span id='easy-footnote-16-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-16-5436' title='CHAUTARD, 2017, p. 26'><sup>16</sup></a></span>. Esta, possui duplo movimento: um negativo de aversão às criaturas, pelo qual a alma se subtrai a tudo quanto, dentre a criação, possa ter de contrário à vida sobrenatural e procura estar sempre presente a si mesma; e um positivo de conversão a Deus, pelo qual a alma tende a Deus e com ele se une <span id='easy-footnote-17-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-17-5436' title='CHAUTARD, 2017, p. 26'><sup>17</sup></a></span>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>Aversio a creaturis</h5>
<p>A união com Deus reside na parte superior da alma, sobretudo na vontade <span id='easy-footnote-18-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-18-5436' title='CHAUTARD, 2017, p. 257'><sup>18</sup></a></span>. Após o pecado original, a alma ficou maculada com a revolta contra Deus, tendo, a partir deste ponto, uma vontade tendente para a criatura, ao invés de para o Criador. Assim, ao contrário da caridade sobrenatural para com Deus, a vontade humana manchada pelo pecado tem a tendência de se mover pelo amor natural e desordenado de si mesmo.</p>
<h6>O amor desordenado de si.</h6>
<p>O amor desordenado de si, consequência do pecado original, é o maior inimigo da vida espiritual, pois não se subordina ao amor de Deus <span id='easy-footnote-19-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-19-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 65, 66'><sup>19</sup></a></span>. “Pode causar certa desordem em todos nossos atos, inclusive os mais elevados”, pois desorienta sua finalidade, da satisfação da vontade de Deus para a nossa própria; “gradualmente nossa vida interior se vicia e a vida de Cristo em nós se faz impossível”, porque “cada vez aumenta mais a aversão a Deus e a conversão ao bem criado e ao amor de si” <span id='easy-footnote-20-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-20-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 67,69, tradução nossa'><sup>20</sup></a></span>, culminando no pecado mortal.</p>
<p>Do amor de si mesmo desordenado, nascem “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” <span id='easy-footnote-21-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-21-5436' title='I São João II,16'><sup>21</sup></a></span>, dos quais, por sua vez, procedem os sete pecados capitais, conforme a tabela abaixo:</p>
<p>&nbsp;</p>
<table style="height: 312px;">
<tbody>
<tr style="height: 32px;">
<td style="width: 572px; height: 32px; background-color: #ffffff;" colspan="3">Do amor desordenado de si mesmo nascem</td>
</tr>
<tr style="height: 96px;">
<td style="height: 96px; width: 141px; background-color: #d2d2d2;">CONSEQUÊNCIAS</p>
<p>DO PECADO</td>
<td style="height: 96px; width: 93px; background-color: #d2d2d2;">PECADOS CAPITAIS</td>
<td style="height: 96px; width: 326px; background-color: #d2d2d2;">VIRTUDES TEOLOGAIS</p>
<p>A QUE SE OPÕEM</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 93px; width: 141px; background-color: #f2f2f2;" rowspan="4">Soberba da vida</td>
<td style="height: 21px; width: 93px; background-color: #ffffff;">Ira</td>
<td style="height: 93px; width: 326px; background-color: #ffffff;" rowspan="4">Cegueira da mente, em lugar de uma fé viva</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 93px; background-color: #ffffff;">Inveja</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 93px; background-color: #ffffff;">Preguiça</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 93px; background-color: #ffffff;">Vaidade</td>
</tr>
<tr style="height: 48px;">
<td style="height: 48px; width: 141px; background-color: #f2f2f2;">Concupiscência dos olhos</td>
<td style="height: 48px; width: 93px; background-color: #f2f2f2;">Avareza</td>
<td style="height: 48px; width: 326px; background-color: #f2f2f2;">Desespero, em lugar de esperança</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 48px; width: 141px; background-color: #f2f2f2;" rowspan="2">Concupiscência da carne</td>
<td style="height: 24px; width: 93px; background-color: #ffffff;">Gula</td>
<td style="height: 48px; width: 326px; background-color: #ffffff;" rowspan="2">Discórdia e ódio a Deus, em lugar de caridade</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 93px; background-color: #ffffff;">Luxúria</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>“A virtude e o vício oposto não podem coexistir ao mesmo tempo no mesmo sujeito” <span id='easy-footnote-22-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-22-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 72, tradução nossa'><sup>22</sup></a></span>. Assim, por se opor principalmente às virtudes teologais, pelas quais se conserva e desenvolve a vida espiritual, o amor próprio desordenado precisa ser combatido, a fim de que a alma esteja bem disposta para a vida interior. Este combate haverá de ser feito contra a sua manifestação mais evidente na alma, ou seja, o defeito dominante.</p>
<h6>O defeito dominante.</h6>
<p>O defeito dominante é uma caricatura da inclinação boa, pela qual uma virtude degenera-se em um vício materialmente semelhante, embora realmente contrário, por exemplo: a magnanimidade degenerada em soberba. Manifestar-se-á na alma pelos pecados mais frequentemente cometidos <span id='easy-footnote-23-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-23-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 73'><sup>23</sup></a></span>. É preciso conhecê-lo, pois, para então combatê-lo, subtraindo o que possa alimentá-lo e operando cada vez mais por amor de Deus, para agradá-lo. Para tanto, requer-se pureza de intenção, abnegação progressiva externa e interna e o recolhimento habitual <span id='easy-footnote-24-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-24-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1962, p. 74-75'><sup>24</sup></a></span>.</p>
<p>Conforme D. Columba Marmion <span id='easy-footnote-25-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-25-5436' title='2018, p. 15-18'><sup>25</sup></a></span> todo homem age movido por uma causa em seus atos deliberados. Esta causa determina o valor dos seus atos. Portanto, conclui o autor que é fundamental conhecer a intenção e a finalidade dos atos da vontade, pois “<em>o homem vale aquilo que busca</em>” <span id='easy-footnote-26-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-26-5436' title='MARMION, OSB, 2018, p. 18'><sup>26</sup></a></span>. Dado o exposto, é fundamental para a alma considerar se o que move suas operações é o amor desordenado de si e das criaturas ou o amor de Deus, pois “enquanto sentirmos necessidade de alguma criatura e nos apegarmos a ela, não podemos dizer que buscamos a Deus unicamente, nem tão pouco Deus se dará a nós de modo perfeito” <span id='easy-footnote-27-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-27-5436' title='MARMION, OSB, 2018, p. 25'><sup>27</sup></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<h5>Conversio ad Deum</h5>
<p>Sob o aspecto positivo, a santidade é a vida interior levada até a estreitíssima união da nossa vontade com a vontade de Deus. No decurso da santificação, a ação de Deus e a da alma seguem marcha inversa. As operações de Deus cada vez assumem papel mais considerável, enquanto que a alma vai operando cada vez em menor escala <span id='easy-footnote-28-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-28-5436' title='CHAUTARD, 2017, p. 96'><sup>28</sup></a></span>.</p>
<h6>As virtudes teologais e morais e os dons do Espírito Santo.</h6>
<p>Dito de outro modo, a perfeição cristã consiste no amor de Deus até a renúncia de si. Ora, levando-se em conta a tríplice concupiscência e a ferida da natureza, bem como seus efeitos na alma, em consequência do pecado original, para alcançar o amor de Deus até a renúncia de si mesmo é necessário recorrer à purificação das virtudes. Logo, para alcançar a perfeição cristã, é um meio necessário a purificação das virtudes. Para que esta purificação seja perfeita, deve ser passiva além de ativa. Quando a alma luta contra os defeitos – sobretudo sensualidade e soberba espirituais – ativa e generosamente, Deus a purifica passivamente <span id='easy-footnote-29-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-29-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 167-189'><sup>29</sup></a></span>.</p>
<p>O Padre Garrigou-Lagrange explica brilhante e detidamente a ação dos dons do Espírito Santo na purificação de cada virtude, que pode ser resumida no seguinte esquema:</p>
<table style="height: 184px;">
<tbody>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 132px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" colspan="3">Da graça vêm</td>
</tr>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 132px; background-color: #f2f2f2; height: 69px;" rowspan="3" width="128">As virtudes teologais, e os dons correlatos</td>
<td style="width: 110px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="106">Caridade</td>
<td style="width: 106px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="99">Sabedoria</td>
</tr>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 110px; background-color: #f2f2f2; height: 23px;" width="106">Fé</td>
<td style="width: 106px; background-color: #f2f2f2; height: 23px;" width="99">Entendimento</td>
</tr>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 110px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="106">Esperança</td>
<td style="width: 106px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="99">Ciência</td>
</tr>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 132px; background-color: #f2f2f2; height: 92px;" rowspan="4" width="128">As virtudes cardeais e os dons correlatos</td>
<td style="width: 110px; background-color: #f2f2f2; height: 23px;" width="106">Prudência</td>
<td style="width: 106px; background-color: #f2f2f2; height: 23px;" width="99">Conselho</td>
</tr>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 110px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="106">Justiça</td>
<td style="width: 106px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="99">Piedade</td>
</tr>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 110px; background-color: #f2f2f2; height: 23px;" width="106">Fortaleza</td>
<td style="width: 106px; background-color: #f2f2f2; height: 23px;" width="99">Fortaleza</td>
</tr>
<tr style="height: 23px;">
<td style="width: 110px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="106">Temperança</td>
<td style="width: 106px; background-color: #fdfdfd; height: 23px;" width="99">Temor de Deus</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Tratando mais especificamente da purificação das virtudes, o autor explica melhor este processo, com o exemplo da purificação das virtudes teologais, no auge da santificação: a noite escura do espírito, que marca a passagem da via iluminativa para a via unitiva:</p>
<blockquote><p>“<em>As virtudes tanto mais se purificam quanto mais se manifesta seu objeto próprio, ao mesmo tempo em que o motivo formal. Deste modo, os três motivos formais das três virtudes teologais brilham na noite do espírito, como três estrelas de primeira magnitude: a Verdade Primeira Reveladora, ou Autoridade de Deus Revelador; a Misericórdia e Onipotência Auxiliadoras e a Infinita Bondade de Deus, amável sobre todas as coisas</em>” <span id='easy-footnote-30-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-30-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 188, tradução nossa'><sup>30</sup></a></span>.</p></blockquote>
<p>Aplicando-o às demais virtudes, os dons de conselho, piedade, fortaleza e temor de Deus purificam as virtudes de prudência, justiça, fortaleza e temperança, reorientando-as à verdade, ao bem, ao árduo e ao prazer moderado.</p>
<h6>As bem-aventuranças.</h6>
<p>A perfeição cristã consiste na beatitude ou bem-aventurança sobrenatural. Ao tratar de cada bem-aventurança no Sermão da Montanha, Nosso Senhor distingue os méritos, os atos das virtudes perfeitas com o auxílio dos dons; e o prêmio, que manifesta a união atual com Deus, mais tarde consumada no céu <span id='easy-footnote-31-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-31-5436' title='GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 127-129'><sup>31</sup></a></span>. A tabela a seguir esquematiza a vida interior, nos seus movimentos de afastamento do mal e aproximação do bem, correlacionando os dons, as virtudes purificadas e aperfeiçoadas, seus méritos e o prêmio, nesta vida e no céu:</p>
<table style="height: 312px;">
<tbody>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; background-color: #ffffff; width: 91%;" colspan="5" width="100%">Relação entre as bem-aventuranças, as virtudes e os dons do Espírito Santo<span id='easy-footnote-32-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-32-5436' title='Adaptado de GARRIGOU-LAGRANGE, 1956, p. 129-136.'><sup>32</sup></a></span></td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 7%; background-color: #d2d2d2;" width="7%">As bem-aventuranças importam</td>
<td style="height: 24px; width: 34%; background-color: #d2d2d2;" width="34%">MÉRITOS</td>
<td style="height: 24px; width: 22%; background-color: #d2d2d2;" width="22%">PRÊMIO</td>
<td style="height: 24px; width: 15%; background-color: #d2d2d2;" width="15%">DONS</td>
<td style="height: 24px; width: 13%; background-color: #d2d2d2;" width="13%">VIRTUDES</td>
</tr>
<tr style="height: 48px;">
<td style="height: 168px; width: 7%; background-color: #f2f2f2;" rowspan="5" width="7%"><em>Convérsio ad Deum</em></td>
<td style="height: 48px; width: 34%;" width="34%">Bem-aventurados os que são perseguidos</td>
<td style="height: 48px; width: 22%;" width="22%">Deles é o Reino dos céus</td>
<td style="height: 48px; width: 28%;" colspan="2" width="29%"><em>Todos os dons e virtudes perfeitas, sobretudo paciência</em></td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 34%; background-color: #f2f2f2;" width="34%">Bem-aventurados os pacíficos</td>
<td style="height: 24px; width: 22%; background-color: #f2f2f2;" width="22%">Serão chamados filhos de Deus</td>
<td style="height: 24px; width: 15%; background-color: #f2f2f2;" width="15%">Sabedoria</td>
<td style="height: 24px; width: 13%; background-color: #f2f2f2;" width="13%">Caridade</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 34%;" width="34%">Bem-aventurados os puros de coração</td>
<td style="height: 24px; width: 22%;" width="22%">Verão a Deus</td>
<td style="height: 24px; width: 15%;" width="15%">Entendimento</td>
<td style="height: 24px; width: 13%;" width="13%">Fé</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 34%; background-color: #f2f2f2;" width="34%">Bem-aventurados os misericordiosos</td>
<td style="height: 24px; width: 22%;" width="22%">Alcançarão misericórdia</td>
<td style="height: 24px; width: 15%;" width="15%">Conselho</td>
<td style="height: 24px; width: 13%;" width="13%">Prudência</td>
</tr>
<tr style="height: 48px;">
<td style="height: 48px; width: 34%;" width="34%">Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça</td>
<td style="height: 48px; width: 22%;" width="22%">Serão saciados</td>
<td style="height: 48px; width: 15%;" width="15%">Fortaleza</td>
<td style="height: 48px; width: 13%;" width="13%">Fortaleza</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 72px; width: 7%; background-color: #f2f2f2;" rowspan="3" width="7%"><em>Avérsio a creaturis</em></td>
<td style="height: 24px; width: 34%; background-color: #f2f2f2;" width="34%">Bem-aventurados os que choram</td>
<td style="height: 24px; width: 22%; background-color: #f2f2f2;" width="22%">Serão consolados</td>
<td style="height: 24px; width: 15%; background-color: #f2f2f2;" width="15%">Ciência</td>
<td style="height: 24px; width: 13%; background-color: #f2f2f2;" width="13%">Esperança</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 34%;" width="34%">Bem-aventurados os mansos</td>
<td style="height: 24px; width: 22%;" width="22%">Possuirão a terra</td>
<td style="height: 24px; width: 15%;" width="15%">Piedade</td>
<td style="height: 24px; width: 13%;" width="13%">Justiça</td>
</tr>
<tr style="height: 24px;">
<td style="height: 24px; width: 34%; background-color: #f2f2f2;" width="34%">Bem-aventurados os pobres de coração</td>
<td style="height: 24px; width: 22%; background-color: #f2f2f2;" width="22%">Deles é o Reino dos céus</td>
<td style="height: 24px; width: 15%; background-color: #f2f2f2;" width="15%">Temor de Deus</td>
<td style="height: 24px; width: 13%; background-color: #f2f2f2;" width="13%">Temperança</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Assim, a verdadeira vida espiritual, após o pecado original, é uma constante busca, uma vez que perdemos a graça e o próprio Deus, nosso sumo bem <span id='easy-footnote-33-5436' class='easy-footnote-margin-adjust'></span><span class='easy-footnote'><a href='https://salvemaria.com.br/a-vida-sobrenatural/#easy-footnote-bottom-33-5436' title='MARMION, OSB, 2018, p. 15-38'><sup>33</sup></a></span>. Esta busca constitui-se principalmente de dois movimentos, o primeiro de aversão às criaturas, aos bens, a si mesmo; e o segundo de conversão a Deus. Estes movimentos a alma realiza pelo exercício das virtudes e pela purificação e aperfeiçoamento delas pelos dons do Espírito Santo. A perfeição de cada uma das principais virtudes logra um mérito e produz um prêmio diante de Deus, concedido ainda nesta vida, mas plenamente realizado no céu, pela contemplação e posse perfeitas de Deus.  Nisto consiste a sua bem-aventurança ou a finalidade a qual deve corresponder.</p>
<h4>Referências</h4>
<p>AQUINO, S. T. D. Suma Teológica. Permanência, Rio de Janeiro. Disponível em: &lt;http://permanencia.org.br/drupal/node/8&gt;. Acesso em: 19 Julho 2018.</p>
<p>CHAUTARD, D. J. B. A alma de todo apostolado. São Paulo: Cultor de livros, 2017.</p>
<p>GARRIGOU-LAGRANGE, P. R. La santificacion del sacerdote. 2ª. ed. Madrid: Ediciones Rialp, S. A., 1956. 225 p.</p>
<p>GARRIGOU-LAGRANGE, P. R. La union del sacerdote con Cristo, sacerdote y víctima. 2ª. ed. Madrid: Ediciones Rialp, S. A., 1962. 310 p.</p>
<p>LEFEBVRE, M. M. A vida espiritual segundo São Tomás de Aquino na Suma Teológica. Tradução de Ana Prellwitz. Niterói: Permanência, 2015.</p>
<p>MARMION, OSB, D. C. Jesus Cristo, ideal do monge. São Paulo: Cultor de livros, 2018.</p>
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