Há uma crise de vocações na França, mas parece que os grupos tradicionais estão isentos

Fonte: Silere non possum e Rorate Caeli

Tradução e grifos por salvemaria.com.br

 

Rorate caeli traz um pensamento importante:

A crise mais grave em grande parte da Igreja é a das vocações — e a França não é exceção, é claro. No Rorate, abordamos o assunto com frequência, inclusive deixando claro que, com a persistência das tendências atuais, uma enorme proporção de padres ativos na França, dentro de algumas décadas, serão aqueles dedicados exclusiva ou principalmente à Missa Tradicional em Latim (cf. aqui , por exemplo).

Leão XIV se reuniu com a diretoria cessante da Conferência Episcopal Francesa (CEF) na semana passada e, como observa Silere non Possum, é o silêncio sobre as vocações — particularmente das comunidades tradicionais, completamente ignoradas no dramático relatório dos bispos de 2025 — que é digno de nota:

Notavelmente ausentes: as comunidades ligadas à liturgia tradicional

Há também uma omissão flagrante: nenhuma menção às ordenações dentro das comunidades tradicionalistas — aqueles grupos que celebram regularmente o rito romano em sua forma antiga e são, na França, não apenas numerosos, mas também notavelmente jovens. Essas não são comunidades cismáticas; estão em plena comunhão com o Papa. E, no entanto, são sistematicamente ignoradas, como se sua própria existência devesse ser apagada.

Silere non possum tem repetidamente apontado que a verdadeira questão não é a escolha do rito litúrgico, mas sim a vitalidade eclesial, a juventude dos candidatos e a seriedade da proposta formativa que essas comunidades oferecem. É isso que atrai tantos jovens a elas. Surge então a pergunta: por que essas comunidades são ignoradas em um relatório nacional sobre ordenações? A resposta é clara: ideologia. Uma ideologia que exclui o que não pode controlar, que silencia o que não se encaixa em seus próprios quadros culturais. E assim, mais uma vez, a divisão é fomentada. O apelo do Papa à unidade não deve ser deixado como letra morta.

O Papa Leão XIV tem falado repetidamente, desde o primeiro dia de seu pontificado, sobre a importância da unidade na diversidade. Mas este princípio não pode ficar no papel: deve tornar-se um critério de governança na Igreja. Se aqueles que lideram os dicastérios agirem de acordo com uma lógica pessoal ou ideológica, em vez de um espírito eclesial, o risco é real: fraturas dolorosas e injustiças graves.

A Igreja na França hoje é um campo complexo e frágil. Os bispos não podem mais se dar ao luxo de liderar excluindo, desprezando ou deslegitimando o que não se alinha ao seu estilo. Porque — não nos esqueçamos — quem divide não vem de Deus.

Comentário ao Recorte

Os bispos franceses, em geral, não são conhecidos por sua simpatia à liturgia tradicional da Igreja. Por isso, faz sentido que os grupos tradicionais — ainda que repletos de vocações — sejam frequentemente ignorados. No entanto, se os números seguirem essa tendência, até 2050 haverá na França mais padres ligados, ou ao menos favoráveis, à liturgia tradicional do que sacerdotes de perfil progressista. A verdade se impõe: os modernistas não têm vocações. A geração do Concílio, entusiasta das novidades, envelheceu. O futuro da Igreja será, inevitavelmente, o seu passado. Os bispos franceses podem tentar ao máximo ocultar essa realidade, mas, cedo ou tarde, ela se imporá.

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