A Consagração do Congregado Mariano

A consagração do Congregado Mariano a Nossa Senhora é um dom completo de si mesmo para toda a vida e para a eternidade. Um dom não de pura fórmula ou sentimento, mas efetivo, que se prova na intensidade da vida cristã e mariana e na vida apostólica, que faz do Congregado Mariano o ministro de Maria e, por assim dizer, suas mãos visíveis na Terra, com o fluxo espontâneo de uma vida interior superabundante que é derramada em todas as obras exteriores de devoção sólida, de adoração, de caridade, de zelo. É o que inculca com singular energia a primeira das nossas regras: esforçar-se para se santificar no seu estado e se dar deveras, quanto a posição social permitir, a salvar e santificar os outros e a defender a Igreja de Jesus Cristo. Tal é a escolha que o congregado, livremente, aceita de forma resoluta no ato de sua consagração; Tal é o magnifico programa de vida traçado pelas Regras

Pio XII, jan de 1945 

Nessas palavras, Pio XII recorda aos congregados marianos a grandeza e a excelência de sua consagração, ato de entrega total à Santíssima Virgem, promessa eterna de fidelidade, lealdade e serviço, tributo mais sublime de servidão: De joelhos, diante do Altar, com uma vela acesa em mãos, símbolo da fé e da caridade, a fim de ser verdadeiramente livre faz-se o congregado servo de Maria. E repete as palavras ditas tantas vezes por tantos congregados ao longo dos séculos:

Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, eu N. N., ainda que indigníssimo de ser vosso servo, movido contudo pela vossa admirável piedade e pelo desejo de vos servir, vos elejo hoje, em presença do meu Anjo da Guarda e de toda a Corte celeste, por minha especial Senhora, Advogada e Mãe e firmemente proponho servir-vos sempre e fazer o quanto puder, para que dos mais sejais também fielmente servida e amada. Suplico-vos e rogo-vos, ó mãe piedosíssima, pelo Sangue de Vosso Filho por mim derramado, me recebais por servo perpetuo no número dos Vossos Devotos. Assisti-me em todas as minhas ações e alcançai-me graças para que sejais tais, daqui para o futuro, aos meus pensamentos, palavras e obras, que nunca mais ofenda os Vossos olhos e os de Vosso Divino Filho. Lembrai-vos de mim, e não me abandoneis na hora da minha morte. Amém

Analisemos a fundo as palavras de nossa consagração.

 

Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus,

Iniciamos a oração de nossa consagração invocando a Santidade, a Pureza e a Grandeza de Nossa Senhora.  Santidade sem par daquela que é mais santa que os querubins e serafins; pureza virginal, perpétua, fecunda, que deu ao Mundo a verdadeira Luz e, pela graça, possuiu herança em Israel, isto é, possuiu para si, como filhos, todos os eleitos; grandeza de Mãe de Deus, Rainha do Céu e da Terra, que portou em seu ventre aquele que o Mundo inteiro não pode conter.

 

Eu, N. N……..,

De nossa baixeza, voltamo-nos para nós mesmos e pronunciamos nosso nome, como em todo ato de promessa e juramento. Mais uma vez, como em nosso batismo, prometemos sob nossa honra, pecadores vamos à fonte do perdão, pequenos, vamos à fonte da grandeza.

 

ainda que indigníssimo de ter vosso servo,

reconhecemos duas coisas: A grande dignidade de ser servo de Maria e a nossa grande indignidade. Cor contritum et humiliatum Deus non despicies – um coração contrito e humilhado vós não desprezais, ó Deus. E se assim é verdade com o Filho, também é verdade com a Mãe. Ao reconhecermos a grande honra que é o serviço a Nossa Senhora, compreendemos o antigo ditado latino: Cui Servire Regnare est – Servir Nossa Senhora é reinar!

 

movido contudo pela vossa admirável piedade

É a piedade de Nossa Senhora que nos arrasta ao pé do altar. Essa piedade se manifestou tantas vezes desde nosso batismo até o momento de nossa consagração! Piedade admirável porque extremamente generosa nos dons e porque perseverante apesar de nossa má correspondência.

 

e pelo desejo de vos servir,

Do fundo de pobreza e baixeza, é o desejo de servir livre e generosamente a Nossa Senhora a oferta que o Congregado faz para corresponder a piedade de sua Senhora.

 

vos elejo

A consagração do Congregado Mariano a Nossa Senhora é uma dupla eleição. Nossa Senhora, por sua misericórdia, elege o Congregado como seu servo, seu soldado, seu filho; E o congregado, para sua honra, elege Maria por sua Rainha, Advogada e Mãe

 

hoje

O dia de sua consagração, dia que ficará para sempre marcado em sua vida, mas não só – poderíamos dizer, para sempre. O congregado, renovando constantemente sua consagração, faz de sua vida um constante hoje de serviço e amor a Nossa Senhora.

 

em presença do meu anjo da guarda

Por ser seu companheiro mais próximo e constante, o Congregado toma como testemunha desse ato de consagração seu anjo da guarda, o mesmo que foi testemunha, que pena, de tantos pecados e ingratidões, de tantas falhas e omissões, hoje se regozija nessa entrega total do congregado a Senhora dos Anjos e dos Homens.

 

e de toda a corte celeste

Toma o congregado por testemunha de sua consagração todos os anjos do Céu, e todos os santos do Céu, os santos apóstolos e mártires, os santos confessores e as virgens, os santos congregados marianos e os santos padroeiros de sua congregação.

 

por minha especial Senhora, Advogada e Mãe

De todos os servos de Deus, Maria é Senhora. De todos os pecadores, é advogada. De todos os filhos de Deus, é Mãe; Mas para o Congregado Mariano esses três títulos são tomados de modo todo especial, e com direito o congregado invoca Nossa Senhora por esses títulos de uma maneira mais especial que os demais fiéis:

  • Senhora
    porque voluntariamente se entrega ao seu serviço, e Nossa Senhora, superabundante em generosidade, trata o bom congregado – conforme as palavras dos papas – como membro de exército de escól, como suas mãos visíveis na Terra
  • Advogada
    porque uma vez consagrado ao serviço e defesa de sua Senhora, com todo direito tem nela especial advogada e defensora
  • Mãe
    Sem dúvida esta é a mais terna relação entre o congregado e sua Senhora. Santo Estanislau, ao considerar a grandeza dessa filiação, exclamava quase que em êxtase: “Ela é minha mãe! A Mãe de Deus é minha mãe!”. Que honra ao congregado ser filho da Mãe de Deus.

 

E FIRMEMENTE PROPONHO

Com essas palavras, inicia o congregado sua promessa. Firmemente proponho, não como um simples desejo ou inspiração passageira, não como uma veleidade ou sonho, mas de maneira firme, decidida, aguerrida. É este ato de consagração um juramento solene, um penhor, uma entrega total.

 

SERVIR-VOS

Eis nosso juramento: Servir a Nossa Senhora! Servir na vida cotidiana, buscando sempre sua própria santificação e o apostolado, seguindo a Regra de Vida, a vida de piedade, as orações, a frequência nos sacramentos, nos atos da congregação. Mais do que isso, a busca pela santificação, fugir das ocasiões de pecado, vencer as más inclinações, evitar as más amizades e divertimentos, evitar a preguiça e o ócio, evitar tudo aquilo que ofenda ou prejudique a vida espiritual. E ainda mais, o apostolado, colaborar com alguma coisa na Congregação Mariana, com alguma obra de caridade, dando catecismo, praticando alguma obra de misericórdia, etc.

 

SEMPRE

Isto é, a todo momento. O congregado é congregado para sempre e em todo tempo e lugar. Não é congregado apenas na Congregação e na Igreja, mas também é congregado no trabalho, na universidade, em casa; nos divertimentos, nos momentos de descanso, junto de suas companhias ou sozinho, durante o dia ou durante a noite. Ao se consagrar, já não é mais para si mesmo, mas para o doce serviço de sua Senhora, em todos os momentos.

Um objeto, após consagrado, não perde sua consagração exceto ao ser deteriorado e não mais servir para o fim a que se destina. Assim também será com o congregado. Que não permita jamais que sua consagração seja deteriorada e destruída por sua leviandade ou mau comportamento.

 

E FAZER QUANTO PUDER

Apesar dos cansaços, das incompreensões, das fraquezas e incapacidades, promete o Congregado fazer tudo que estiver dentro de suas possibilidades, conforme seu estado de vida, para a honra de sua Senhora e do Divino Mestre. Não existe congregado sem apostolado.

 

PARA QUE DOS DEMAIS SEJAIS FIELMENTE SERVIDA E AMADA

Promete não apenas buscar a própria santificação, mas também a do próximo, seja ele amigo ou inimigo. Promete, assim, praticar o apostolado e a oração pela conversão e expansão do Reinado Social de Cristo. O papel do Congregado é, assim, ser missionário de Nossa Senhora, e trazer aos seus pés quantos a Divina Providência colocar em seu caminho, para que seja Ela amada e servida como Mãe e Senhora dos homens e, por meio dela, obedeça o Mundo Inteiro ao Santíssimo Redentor.

 

Suplico-vos e rogo-vos, ó Mãe piedosíssima,

Após fazer sua promessa, e reconhecendo-se incapaz de, sozinho, cumprir toda a grandeza de sua missão, o congregado invoca aquela admirável piedade que foi o motivo de sua consagração. Confiando nEla, ele não fraquejará. Confiando em si mesmo, tudo há de perder. Por isso, suplica o congregado com amor filial a Nossa Senhora seu auxílio.

 

pelo sangue de Vosso Filho por mim derramado,

Recordare Iesu Pie quod sum causae tuae viae ne me perdas illa die – Recordai, ó Jesus Piedoso, que sou a causa de vossos sofrimentos, não me esqueçais naquele dia

O sangue do Divino Jesus foi derramado por mim! Quanta injustiça e futilidade ao preferir o comodismo e conveniência à abraçar a cruz! Pede o congregado que a Santa Mãe veja o padecimento que causou a sua salvação e graça de poder se consagrar hoje a Ela em Jesus: Tantus labor non sit causus – que tanto sofrimento não tenha sido em vão!

 

me recebais por servo perpétuo no número dos vossos devotos.

Pede, então, o congregado a graça de ser contado entre a multidão de homens e mulheres de todas as nações que serviram Nossa Senhora na Terra e após a morte gozam de sua presença adorável no Céu. Lembra, o congregado, não só dos santos e beatos, mas também daqueles que, recebendo ocultos do mundo a coroa da glória, hoje intercedem por ele.

 

Assisti-me em todas as minhas ações

O congregado invoca a assistência e o cuidado maternal de Nossa Senhora em todas as suas ações e em todos os momentos de sua vida, na alegria e nos momentos de dor, na riqueza e na penúria, na vida privada e na vida pública.

 

e alcançai-me de vosso Filho graça

Nossa Senhora é a Medianeira de todas as graças, a Medianeira junto ao grande Mediador, aquela que o Bom Deus estabeleceu como canal de toda benção

 

para que sejam tais daqui para o futuro meus pensamentos, palavras e obras que nunca mais ofendam os vossos olhos e os do vosso divino Filho

Nunc Coepi! – Agora começo. A consagração e sua renovação marcam sempre um recomeço. Se até ali falhou, animado pela piedade de Nossa Senhora o Congregado esforça-se para recomeçar, converter-se, santificar-se:

  • No pensamento
    Purificando sua inteligência, seus afetos, seus desejos. Rejeitando suas más inclinações e maus sentimentos e paixões desordenadas, inflamando seu amor a Deus; Excitando sua vontade em cumprir o seu dever
  • Nas palavras
    Rejeitando a mentira, as más conversas, a maledicência, os palavrões, as palavras e conversas indecentes e toda palavra que ofenda a Deus
  • Nas obras
    Consagrando não só suas atividades dentro da Igreja, mas também seu trabalho e seu estudo, enfim, toda atividade exterior de sua vida

E assim, propõe-se, mantendo fidelidade a sua consagração, a jamais ofender novamente a Mãe do Céu e o Divino Coração de Jesus, tão ofendido e injuriado por nossos pecados.

 

Lembrai-vos de mim

Memorare, ó piissima Virgo Maria – Lembrai-vos ó Santíssima Virgem Maria que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido a vós fosse desamparado. Depois desse juramento solene feito aos seus pés, com muito mais confiança pede o congregado que jamais seja desamparado e esquecido por Sua Senhora.

 

e não me abandoneis na hora de minha morte. Amém.

E lembrando-se do terrível momento da sua morte, pede a companhia de sua Mãe. Pede que Ela nunca o abandone, mas em especial nesse momento terrível, em que se fechará o Livro da Vida e diante da irrevogável sentença do Divino Juiz receberá a alma a recompensa ou a punição pela vida que levou e pela sua fidelidade a estas palavras.

 

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