Vida e Vantagens da Congregação Mariana

A vida de uma Congregação Mariana tem duplo aspecto: um interno, outro externo. O primeiro abrange os atos de piedade com que a Congregação desperta, fomenta, radica e desenvolve nos Congregados o espírito da per­feição cristã. O segundo compreende as obras externas de zelo, por meio das quais a Congre­gação influi eficazmente no melhoramento social.

Um e outro aspecto, ou uma e outra vida da Congregação fluem naturalmente do fim a esta assinado nas Regras: fomentar nos seus membros a mais ardente devoção, reverência e amor filial à Santíssima Virgem; e, por meio desta devoção e pelo patrocínio de tão boa Mãe, fazer dos Congregados cristãos verdadeiros, que tratem sinceramente da própria santificação, e trabalhem com afinco em salvar e santificar os próximos e defender a Igreja de Cristo contra os ataques dos inimigos dela.

O ideal, pois, da Congregação Mariana é formar apóstolos; e a vida do bom Congre­gado, como a vida da Congregação, deve ser um apostolado contínuo.

 

Vida Interna

É fervorosa a vida interna da Congregação, quando nela se celebram com assiduidade:

 

Os exercícios de piedade próprios

  1. As reuniões ordinárias e extraordinárias;
  2. A Comunhão Geral;
  3. O tesouro espiritual;
  4. O Recolhimento Mensal;
  5. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio;
  6. A festa solene dos padroeiros, com a devida preparação e esplendor;
  7. A devoção ao santo do mês e as intenções mensais;
  8. A recitação em comum das orações tradicionais, como o Ofício de Nossa Senhora, a Hora Santa, a Via Sacra, o Rosário, etc
  9. A participação nas seções e academias

 

Os Atos de Governo

  1. Admissão de Aspirantes, Noviços e Congregados
  2. Assembléia Geral com ou sem eleição dos oficiais
  3. Consultas Ordinárias e Extraordinárias

 

Se a isto se acrescenta, por parte de cada um o desempenho fiel e consciencioso dos deveres próprios e do cargo, é quase impossível não se revelar na Congregação uma vitalidade abençoada, que Deus e a Virgem Santíssima coroam sempre de frutos salutares.

 

Seções e Academias

Uma parte importante da vida interna da Congregação está nas Seções e Academias. São verdadeiras escolas de formação, que cultivam a inteligência e o espírito, formam e apuram o gosto e orientam o critério de cada um, quer em matérias religiosas, quer em assuntos profanos. Quando bem assentes em piedade e bem dirigidas, são, na Congregação, o melhor tirocínio de apostolado.

Formam-se seções com os Congregados que se destinam aos estudos de cada ramo, ou têm gosto por eles. Determinam-se os trabalhos quinzenais ou mensais e fixa-se, para cada grupo ou seção, o dia da reunião. Nesta, lê ou expõe o seu trabalho quem foi encarregado ou discute-se depois em comum. Os assuntos devem ser bem escolhidos, entregues com a necessária antecedência e anunciados com tempo de poderem prepará-los, e discuti-los, todos os membros da seção. Os trabalhos, antes de apresentados em reunião, devem ser vistos pelo Diretor da Congregação ou por outrem competente.

 

Vida Externa

Compreende as obras de apostolado social e as múltiplas relações da Congregação ou dos Congregados, como membros dela.

Obras de apostolado

  1. Bom exemplo;
  2. Ensino e estudo da doutrina cristã;
  3. Visita aos enfermos;
  4. Visita aos presos e pobres;
  5. Promoção da frequência aos Sacramentos;
  6. Propagação da Comunhão Reparadora e Adoração;

 

Obras de educação

  1. Promover a difusão da Boa Imprensa;
  2. Promover a fundação de escolas católicas;
  3. Procurar a fundação de catequeses, oratórios festivos, bibliotecas populares de bons livros;
  4. Auxiliar eficazmente as obras da Propagação da Fé, dos seminários, das vocações sacerdotais e religiosas, universidades católicas, etc

 

O conjunto da vida interna e externa dos Congregados faz que o altar da Congregação seja um foco de bênçãos, de amor, de fé, de vida sobrenatural e de atividade cristã e apostólica. Nele se haurem forças e ânimos, se retemperam corações, armas e dele se voa, com valentia e ufania, aos combates da vida, que, à sombra do Coração e do manto de Maria, não deixam nunca de ser coroados de vitória e de prêmio. As Congregações Marianas, como bem al­to proclamam suas próprias leis aprovadas pela Igreja, são associações impregnadas de espírito apostólico e como tais incitam seus membros, por vezes elevados às culminâncias da santidade, não somente a realizarem em si e nos demais o ideal da perfeição cristã, mas ainda, com o favor dos Sagrados Pasto­res, a defenderem os direitos da Igreja, conseguindo formar incansáveis arautos da Vir­gem Santíssima e propagadores do Reino de Cristo

Pio XII em Bis Saeculari Diae

 

Vantagens da Congregação

Quem sente mais de perto os frutos imediatos das Congregações são os seus próprios membros, porque: (grifos da edição)

  1. A Congregação por si mesma lhe dá todos os bens da associação: União, esforços comuns, luz, orientação, méritos, privilégios e apoio.
  2. Tem uma proteção especial da Santíssima Virgem Maria, por se consagrarem de modo também especial, ao serviço e culto da Mãe de Bondade: “Esta divina Mãe acode-lhes quando carecem do seu auxílio, consola-os na aflição, protege-os nos perigos, assiste-lhes nas enfermidades, fortifica-os na hora extrema e lhes dá uma boa e santa morte”
  3. Tem ao lado o zelo de um Diretor solícito e ouvem muitas exortações e leituras de piedade, que são o pasto do espírito e lhes dão novas forças.
  4. A eles, mais que a ninguém, aproveitam os bons exemplos. Entre os congregados encontram-se sempre fiéis que vivem, em corpos mortais, a vida pura dos anjos, chefes de família verdadeiramente cristãos, homens de probidade e proceder irrepreensível. E será possível que, vendo-os e convivendo com eles, não diga cada um para si: “Por que não farei eu o que vejo praticado pelos outros?” — Foi esta reflexão que converteu S.  Agostinho e S. Inácio.
  5. Aproveitam-lhes até as orações comuns que tem uma força particular na presença de Deus.
  6. Para eles são em particular “os socorros mútuos da caridade cristã”. Os congregados amam-se uns aos outros como verdadeiros irmãos: Cor unum et anima una. Quaisquer que sejam as circunstâncias em que se encontrem, acharão em seus irmãos santas e caridosas consolações, nos momentos de dificuldade e no derradeiro alento.
  7. Para a vida cristã dos Congregados faz muito o “empenho que contraem em cumprir as Regras da Congregação, frequentar os Sacramentos, propagar o Culto de Nossa Senhora e de desejar serem avisados quando tiverem caído em qualquer falta”.Estas obrigações, embora não se imponham sobre pena de pecado, é certo que supõem elas uma alma de boa vontade que tomou a sério o cumprimento dos seus deveres, na feliz necessidade de praticar a virtude.
  8. Acresce o merecimento das boas obras de todos os Congregados a que cada um tem legítimo direito; e para avaliar todo o alcance deste merecimento, bastará recordar as inumeráveis práticas de devoção e caridade próprias da Congregação.
  9. Finalmente, as indulgências da Santa Igreja são um incentivo pra aproveitar os tesouros da graça, e uma poderosa consolação ao pensar na satisfação quem pedem os nossos pecados.

 

Do que fica dito, facilmente se conclui com quanta propriedade S. Bernardino aplicava às Congregações Marianas o que S. Bernardo dizia das Comunidades religiosas: “Ali vive o homem mais puro: cai menos vezes em pecado; quando cai, é menos gravemente; levanta-se mais depressa; anda com mais precaução; tem mais sossego de espírito; é mais orvalhado com a chuva da divina graça; satisfaz mais a Deus e abrevia o purgatório; morre com maior confiança e alegria e é coroado de maior glória no Céu”.

No meio social, quando nele vivem vida de fervor, ação e zelo, é impossível que as Congregações não façam sentir intensa e extensamente os seus benéficos influxos. Porque a família e a sociedade lucram sempre quando contam em seu seio homens respeitadores da autoridade e da lei, amantes da ordem, da paz e do progresso, cumpridores conscientes do dever, votados de coração à prática das virtudes cristãs, especialmente à piedade, caridade, abnegação e sacrifício. E tais são os que as Congregações formam.

Depois, a Congregação é sempre um foco de apostolado direto: Na família, pela educação cristã; na paróquia, pelas obras de piedade e seções; na sociedade, pelas relações e influência dos seus membros. As obras de caridade, quando a Congregação é o que deve ser, estendem-se às classes indigentes, num duplo influxo de benfazer que mata a fome do corpo e melhora, preservando até, as almas e os costumes.

Na defesa dos sãos princípios é, por natureza, a Congregação um baluarte da fé e da razão. A obediência completa à autoridade eclesiástica, o conhecimento mais profundo da religião, o manejo das armas apologéticas nas formações, academias e círculos fazem de cada Congregado um combatente destro e valoroso, com que hão de haver-se os inimigos de Deus e da Igreja.
Na propaganda, finalmente, dos princípios cristãos e no ataque aos erros modernos, a palavra e a pena dos Congregados podem ser, e tem sido muitas vezes, um dos impulsores mais eficazes da resistência às insídias do mundo contra a Igreja, a Ordem e a Fé.

Com efeito, o ideal moral proposto pela Congregação é o mais levantado e puro: A Virgem Santíssima. E o amor efetivo e ardente à mãe de Deus faz brotar nos corações e alimenta neles as flores e frutos de todas as virtudes Cristãs.

A vida quotidiana do bom Congregado é o exercício contínuo e perseverante do amor ao dever e o cumprimento deste, em todas as conjunturas da vida e à custa dos sacrifícios necessários. Assim se forma a consciência, domam-se as paixões e se educa e fortalece a vontade, enquanto nas lides ordinárias e nos horizontes mais amplos abertos à iniciativa nas formações, academias e círculos, a inteligência se ilumina e exercita para os largos vôos da vida.

Numa palavra: O congregado tem na Congregação Mariana uma luz, uma força, uma orientação, uma fonte perene de espírito cristão e apostólico. Se o aproveita como deve, se dele se informa e conserva, será na vida inteira um combatente incansável de Deus e da Igreja, um apóstolo verdadeiro no meio em que viver, seja qual for seu estado e condição.
Felizes os corações que na Congregação Mariana sabem dar-se generosamente a Deus, pelas mãos de Maria e feliz a sociedade em cujo seio florescem as Congregações Marianas.

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