A Pureza de Intenção segundo Santo Afonso

“Da Pureza de Intenção” é uma meditação de Santo Afonso da Terça-feira da Quarta semana depois de Pentecostes1, na qual ele define que tal virtude consiste em fazer todas as ações com o único intuito de agradar a Deus.

Esta intenção sobrenatural é o que nos adquire méritos para a vida eterna através de uma boa ação feita em estado de graça. Assim, é muito útil aprendermos as lições que o Santo nos ensina neste texto. Vejamos um resumo do que ele nos fala mediante a citada meditação.

Santo Agostinho explica a citação de Jesus Cristo: “se teu olho for simples, todo teu corpo será luminoso. Mas se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará em trevas” – dizendo que: o olho simples significa a intenção de agradar a Deus; o olho tenebroso significa a intenção má, quando se faz algo por vaidade ou para própria satisfação. Segundo a intenção da obra, se boa ou má, assim também ela será aos olhos de Deus, boa ou má.

Poderá haver obra mais sublime do que o dar a vida pela fé?, questionamento esclarecido por São Paulo: aquele que morre com outro intuito que não a vontade de Deus, nenhum proveito tem de seu mérito.

Que utilidade terão todas as pregações, livros, trabalhos dos operários sagrados, austeridades dos penitentes, quando feitos para granjear louvores humanos ou para contentar o amor próprio? Nenhuma, se não é sofrido por amor de Deus, nenhum mérito é aproveitado.

As obras, embora santas por natureza, mas não feitas para Deus, são postas em um saco roto, se perdem todas e nada resta. Ao contrário, de todas as ações feitas para agradar a Deus, por mais insignificantes que sejam, estas têm muito mais valor do que muitas obras grandiosas feitas sem reta intenção, como diz o profeta Ageu.

A exemplo a viúva pobre do Evangelho de São Marcos que depositou no cofre das oferendas apenas duas pequenas moedas, mas segundo Nosso Senhor: “Esta viúva pobre deu mais do que todos os outros”. São Cipriano esclarece que assim é considerado, porque deu as duas pequenas moedas com a intenção pura de agradar a Deus.

Alguns sinais podem nos dizer se uma ação foi feita com intenção reta: quando não nos perturbamos se o intento desejado não é alcançado; e, quando a obra concluída, apesar de alguma desaprovação ou reclamação, nos deixa contentes e tranquilos.

No entanto, se a obra for louvada, não se deve inquietar pelo medo ou vanglória. São Bernardo ensina que se este pensamento surgir à mente, deve ser desprezado e dizermos: “Não é para ti que comecei, nem para ti a quero interromper”.

A intenção de adquirirmos uma glória mais alta no céu é boa, porém a mais perfeita é a de agradar ao Senhor. Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer coisa, tudo fazei para glória de Deus.

A Venerável Beatriz da Encarnação dizia que “nenhum valor terrestre pode igualar o de qualquer obra feita para Deus, posto que mais insignificante”.

Certamente, porque todas as obras feitas para Deus são atos de amor divino.

A pureza de intenção faz preciosas as ações mais desprezíveis, contanto que sejam feitas por obediência e com intuito de agradar a Deus.

Santo Afonso nos ensina que desde pela manhã, devemos dirigir a Deus todas as ações do dia. E será muito vantajoso renovar essa intenção no começo de todas as ações, ao menos das mais importantes como: oração, comunhão e leitura espiritual.


 

  1. LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 183-185.
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