A consagração de um imperador

Quase todos os Arquiduques da Áustria foram Congregados Marianos. O imperador Fernando II, o Constantino Magno do século XVII, ainda maior pelas suas virtudes do que pela sua dignidade, antes de ser coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Fernando II, Rei da Hungria e Bohemia, ingressou na Congregação Mariana, como podemos ler nos registros daquela congregação:

Anno Domini 1618, die septima novembris, Ferdinandus, Ungariae Bohemiaeque Rex, archidux Austriae, Sodalis Beatissimae Dei Genitricis Virginis Mariae, scripsit, sub cujus praesidio se semper commendat

No ano do Senhor 1618, em 7 de novembro, Fernando, Rei da Hungria e da Bohemia, arquiduque da Áustria, inscreveu-se no Sodalício da Bem-Aventurada Mãe de Deus, a cujo patrocínio sempre se encomenda

Ao ser coroado imperador no ano seguinte, quis assinar uma segunda vez, agora revestido de sua nova dignidade, para mostrar que apreciava a coroa de filho de Maria mais que as mais gloriosas coroas da Terra.

Fernando IV, que chegou a ser rei da Hungria e da Boêmia e jurado rei dos romanos, digno imitador das virtudes do avô e do pai, quis entrar, ainda moço, na Congregação, intimamente penetrado do desejo de ter parte nos especialíssimos bens que nela se gozam. Cumpria com a maior exatidão as Regras, especialmente a do exame do consciência. Caiu doente no dia da Visitação de Nossa Senhora e morreu no último dia da oitava, dizendo que via a Virgem Santíssima dar- lhe a bênção. Tinha vinte anos de idade.

Fernando III

Anos antes, o imperador Fernando III, pai de Fernando IV, digno sucessor da coroa e da piedade de Fernando II, desejou ser recebido solenemente na Congregação de Louvain, no dia da Purificação de Nossa Senhora, três anos depois da sua eleição e quis escrever, de próprio punho não simplesmente o nome, como fazem os demais, mas uma fórmula especial da consagração de si e de tudo o que lhe pertencia, que os registros dessa venerável congregação transmitiram à história:

Eu me professo membro da congregação formada sob vossa invocação
Augustíssima Maria,
A vós confio a mim mesmo, minha esposa e meus filhos,
a vós confio o Império Romano, que Deus me concedeu,
e os reinos que meus ancestrais me legaram.
A vós, Santíssima Virgem,
confio meu povo e meus exércitos,
que combatem por vós e por vosso Filho

Recebei-me como vosso,
que a Vosso Filho, que a Vós, que a honra de ambos
vivo, reino, luto

Vosso serei, pois, Maria!
Vosso é tudo o que é meu
vossos meus domínios, meus reinos, meu império.
vossos meus súditos na paz e na guerra

Protegei-os, fazei-os prosperar na vitória,
reinai sobre eles e imperai
Assim faço meu voto
em 1640
Por vossa piedade e justiça,
Fernando

 

Brasão de Fernando III, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico

 


Versão original em latim

Illius ego cœtus sub invocatione tua Congregati,
Augustissima Maria,
Me libens et merito unum profiteor:
Tibei ego me meosque, conjugem ac liberos,
tibi romanum imperium, cui Deus me præfecit,
tibi regna a majoribus accepta,
tibi tutelæque tuæ populum et exercitus meos,
tibi tuoque filio militantes, commito.
Tu me in tuum admitte,
qui Filio tuo, qui Tibi, qui utriusque honori
Vivo, Regno, Pugno, tuus igitur ego ero, MARIA!
Tui erunt quicumque mei,
tua erunt ditiones et regna mea et imperium,
tui populi et exercitus.
Tu eos progete, tu eis vince, tu in eis regna et impera
Ita voveo,
MDCXL
Tuus pietate et justitia,
Ferdinandus

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