Apresentação de Nossa Senhora

Aos três anos de idade da Imaculada Virgem Maria, seus pais, São Joaquim e Santa Ana, que pela graça de Deus haviam conseguido gerá-la após anos de esterilidade, levaram-na ao Templo, onde ela entregou-se sem demora e sem reservas a Deus para preparar-se para o grande momento da vinda do Salvador.

No Templo, havia dependências onde as meninas eram educadas piedosamente, podendo realizar pequenos trabalhos, conforme a idade e aptidões, como limpeza e ornamentação do lugar.

Era de se convir que Nossa Senhora se encerrasse num lugar como este, a fim de que não se expusesse ao contágio do mundo e também servisse de inspiração às almas consagradas à vida religiosa.

O caminho até o Templo

Sabe-se que havendo Deus dignado a Nossa Senhora a função de Sua Mãe, haveria por bem de conceder-lhe desde então maiores virtudes e dons que aos outros, até mesmo aqueles concedidos aos anjos e outros santos. Portanto, sendo Maria semelhante a Seu Filho na ordem da graça, recebeu de Deus o uso perfeito da razão na mais tenra idade. Tão logo, Nossa Senhora aprofundou-se em Deus e fê-lO Senhor de sua vida.

Diante deste notável dom, a pequena menina tomou conhecimento da promessa que seus pais haviam feito a Deus se conseguissem gerar prole, de que consagrariam o filho ao serviço do templo. Verdadeiramente, Nossa Senhora já havia se consagrado a Deus, mas sabendo da promessa de S. Joaquim e S. Ana, quis prontamente cumpri-la. Logo, aos três anos, em uma idade na qual as crianças naturalmente necessitam de assistência paterna, a Virgem Santíssima insistiu aos pais que a conduzissem ao Templo para que fosse apresentada a Deus e lá permanecesse. S. Ana e S. Joaquim, com tamanha fé, assim o fizeram.

Como numa prefiguração da Apresentação do Menino Jesus no Templo, onde Nossa Senhora entregou Seu Filho inteiramente a Deus-Pai, sendo Ele o bem mais precioso que tinha, assim fizeram S. Joaquim e S. Ana, sacrificando a Deus o que de mais caro havia em suas vidas.

Foram necessárias aproximadamente 30 horas de viagem, de Nazaré até Jerusalém, durante a qual a pequena Virgem foi acompanhada de poucos parentes e de uma revoada de anjos que admiravam a sua pureza e disposição – “Como são belos teus passos, ó filha do príncipe!” (Ct VII, 1). O próprio Deus, segundo Bernardino de Busti citado por Santo Afonso de Ligório, fez neste dia uma grande festa com a corte celeste, porque seria esta a criatura mais bela e santa que se tornaria Sua Esposa.

Ao chegar em seu destino, Nossa Senhora ajoelhou-se diante de seus pais, beijou-lhes as mãos e pediu-lhes a bênção. Logo depois, subiu os quinze degraus do Templo, despedindo-se ali do mundo e renunciando a todos os bens que ele prometia, oferecendo-se e consagrando-se inteiramente ao Criador.

Assim fez Nossa Senhora como a pomba enviada por Noé que, diferentemente do corvo mandado antes, nem sequer tocou a terra e logo retornou com um ramo de oliveira, pois a Santa Virgem privou-se do mundo desde logo para aproximar-se do Santo dos Santos, fazendo-se agradabilíssima a Ele.

A estada no Templo

A Santíssima Virgem Maria desde os primeiros instantes de vida, sabendo que Nosso Senhor não aceita corações divididos, amou a Deus inteiramente fazendo jus ao mandamento “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração!”. Sendo assim, ao adentrar no templo adorou o Deus todo poderoso, dando-Lhe graças pelo favor de tê-la recebido tão nova. Logo após, como num ato solene, entregou todas as suas potências, sentidos, todo seu coração e mente, toda alma e corpo. Foi aí que realizou o voto de virgindade, que segundo Roberto, abade, citado por Santo Afonso, foi ela a primeira a fazê-lo.

Tinha a pura intenção de servir a Deus no Templo por toda a vida, se assim fosse do agrado dEle, onde demonstraria mais firmemente o amor por Suas obras, como que dizendo “O meu amado é meu e eu sou dele” (Ct II, 16).

No período em que esteve no Templo, Nossa Senhora encheu-se de virtudes. Era como uma oliveira, segundo S. João Damasceno, que plantada na casa de Deus era regada pelo Espírito Santo, fazendo-se habitar de todas as virtudes. Tudo o que fazia era envolto por sua modéstia, humildade, amor, docilidade e mansidão.

A sua rotina era contida de orações perseverantes e trabalhos virtuosos. Procurava sempre ser a primeira nas vigílias, a mais conhecedora dos livros santos, a mais correta na Lei, e a mais profunda e perfeita na humildade e nas outras virtudes. Era muito boa até mesmo nos bordados das toalhas utilizadas no templo.

Considerava-se a menor entre as criaturas, a mais indigna das graças divinas. Por isso, pedia muito a Deus as graças e virtudes necessárias. Nossa Senhora, portanto, mesmo sendo plena de graças, vivia em orações continuamente e em intensas penitências e lágrimas, de modo a agradar mais a Nosso Senhor.

Diz o Santo Doutor Afonso de Ligório que por amor a esta excelsa menina a vinda do Redentor foi adiantada, de modo que a Virgem Santíssima nem se colocava como merecedora de ser serva da Mãe de seu Senhor, tendo Deus a elegido com a suprema dignidade da maternidade divina, porque não havia moça mais santa e mais perfeita para tão importante papel.

Inspiração das almas consagradas

A consagração de Nossa Senhora serve ainda como modelo, mais especificamente, a todas às pessoas direcionadas à vida religiosa.

Primeiramente, por ter se disposto prontamente a realizar a vontade de Nosso Senhor na mais tenra idade, sendo obediente desde o início de sua vida. Além disso, demonstrou generosidade ao largar tudo para atender os desígnios divinos. Por fim, entregou-se total e irrevogalmente à Vontade de Deus, tendo se dedicado inteiramente às orações e trabalhos do templo.

A Virgem Santíssima renunciou a todos os bens terrenos, para não ter outra fortuna senão o Senhor, renunciou a sua própria vontade para seguir em tudo a Deus e a todos os prazeres dos sentidos pelo voto de virgindade, a fim de agradá-lO.

Nossa Senhora procedeu, portanto, de forma exata e completa os três votos religiosos, nascidos dos conselhos evangélicos: a obediência, pela inteira submissão à vontade de Deus; a pobreza, porque abandonou sua casa e bens familiares; a castidade, por ter realizado seu voto de virgindade.

Fontes:

Glórias de Maria, 1787 – Santo Afonso de Ligório.

Curso de Catecismo Médio Mariano, 1947.

Maria ensinada à Mocidade – Pequeno Catecismo de Nossa Senhora, 1915.

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