Coração de Jesus Modelo de Humildade
Coração de Jesus, modelo de humildade
Oh! quanto é bela a alma ornada da virtude da humilda-del O humilde de coração, nos diz São Paulino, torna-se o Coração de Jesus Cristo mesmo: Humilis corde Cor Christi est. E por que Porque a humildade nos une ao Coração de Jesus Cristo, que é a humildade mesma, como ele nos ensina por sua própria boca: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração (Mt 11,29). Antes de Jesus Cristo, esta bela virrude era pouco conhecida e pouco estimada, ou antes era aborrecida sobre a terra; por toda a parte reinava o maldito orgulho, que causou a desgraça de Adão e de todo o gênero humano; por isso o Filho de Deus veio do céu para no-la ensinar, não somente por sua palavra, mas ainda por seu exemplo; a este fim, ele se humilhou até fazer-se homem, tomando a forma de servo (Fl 2,7). Ele quis até, entre os ho-mens, ser tratado como objeto de desprezo e como o último de todos, conforme o que disse Isaias (Is 53,3). Com efeito, em Belém, nós o vemos nascido num presépio e deitado numa manjedoura; em Nazaré vemo-lo desconhecido e pobre numa oficina, fazendo o ofício de servo de um pobre ar-tesão. Vemo-lo, finalmente, em Jerusalém, flagelado como escravo, esbofeteado como homem vil, coroado como rei de teatro e crucificado como criminoso. Escutemos agora, o que ele nos recomenda: Eu vos dei o exemplo, a fim de que façais, o que eu fis por vás (Jo 13,15). Como se dissesse:
Meus filhos, se abracei todas estas ignomínias, é para que, seguindo meu exemplo, não as desdenheis.
Santo Agostinho, falando da humildade de Jesus Cris-to, diz que se tal remédio não nos cura de nosso orgulho, difi-cil será achar outro meio de nos livrarmos dele. Eis aqui o que o mesmo santo escrevia a um amigo: Se quereis saber qual é a virtude principal, que nos cumpre praticar para nos tornarmos discípulos de Jesus Cristo, e a mais eficaz para nos unir a Deus, dir-vos-ei que é primeiramente a humildade, em segundo lugar a humildade, em terceiro lugar a humil-dade; interrogai-me quantas vezes quiserdes, sempre tereis a mesma resposta.
A humildade de espírito consiste em nos julgarmos dignos de desprezo; mas a humildade de coração consiste em desejarmos ser desprezados dos outros e nos comprazermos nas humilhações. Esta é propriamente a humildade que Jesus Cristo veio nos ensinar por seu exemplo, quando disse: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de cora-ção. Muitas pessoas são humildes de boca, sem o serem de coração; há, diz São Gregório, pessoas que se declaram criminosas, dignas de todos os suplícios, mas que não creem no que dizem; por que, se alguém as repreende, logo se amofinam e sustentam que não têm a falta que se lhes imputa, não deram escândalo nenhum, valem mais do que muitas outras a quem não repreendem, etc. Esta humildade é só de boca; não é a humildade recomendada e praticada por Jesus Cristo, isto é, a humildade de coração. A humildade, dizia São Vicente de Paulo, parece bela em especulação, mas na prática é horrível, porque consiste em amar os abatimentos e desprezos. Conforme São Francisco Xavier, o amor das honras é coisa indigna de todo cristão, que deve ter sem cessar diante dos olhos as ignominias de Jesus Cristo; quanto mais indigno é esse amor da alma que se diz discípula do Coração infinitamente humilde de Jesus Cristo! Se queremos, pois, santificar-nos, apreciaremos, segundo o conselho de São Boaventura, viver ignorados e ser tidos em nada.
Prática
Evitarei falar em meu louvor; se outros me louvam, humilhar-me-ei interiormente lançando um olhar sobre minhas faltas e dizendo: Eu só valho aquilo que sou diante de Deus. Quando delinquir neste ponto, pedirei perdão logo ao Coração tão humilde de Jesus. Direi muitas vezes esta bela jaculatória: Jesus, manso e humilde de Coração, fazei meu coração semelhante ao vosso.
(300 dias de indulgência, uma vez por dia — 25 de janeiro de 1868)
Afeto e Súplica
Ó Coração humildíssimo de Jesus, que, por amor de mim, quisestes ser obediente até a morte de cruz, como ouso aparecer ante vós e dizer-me discípulo vosso eu, tão grande pecador, e contudo tão orgulhoso, que não posso suportar um desprezo sem ressentir-me? Donde me vem esse orgulho, se, por meus pecados, tenho merecido tantas vezes ser calcado aos pés do demônio nos infernos? Ó Coração divino, abeberado de tantos desprezos, fazei que eu me torne semelhante a vós. Sinceramente desejo mudar de proceder: por meu amor sofrestes todos os opróbrios; quero por vosso amor suportar todas as injúrias. Meu divino Redentor, pelo fato de abraçardes as humilhações com tanto amor durante vossa vida, vós as tornastes tão honrosas e desejáveis, que eu de agora em diante quero pôr toda a minha glória em sofrer convosco e por vós: Longe de mim o pensamento de buscar minha glória em outra coisa fora da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ó humilíssima Maria, Rainha do céu e Mãe de Deus, em todas as coisas e especialmente nos padecimentos, adquiristes a mais perfeita semelhança com vosso divino Filho: obtende-me a graça de suportar com resignação todos os ultrajes que me forem feitos no futuro.
Jaculatória –Coração sagrado de Jesus, tende compaixão de mim. (100 dias de indulgência para os membros do Apostolado da oração – 26 de junho de 1867)
Meditações para o mês do Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso de Ligório
Pe. Edouard Saint-Omer




