Das principais graças oferecidas pelas confrarias – Santo Afonso

Congregação Mariana de Ourinhos

Introdução

O trecho que apresentamos a seguir, do excelente livro Glórias de Maria, traz uma das melhores recomendações de Santo Afonso para a prática da devoção a Nossa Senhora. Tratando das confrarias, sobretudo da Congregação Mariana, nosso santo patrono aplica os termos Arca de Noé e Torre de David para indicar a fundamental importância desses meios para a vida sobrenatural de seus associados. Esperamos que os leitores, levados pelo ensinamento de S. Afonso de Ligório, conheçam – ou rememorem – um pouco do espírito de um autêntico Congregado Mariano.

Os congregados.

Um dos primeiros meios de salvação é a meditação das verdades eternas.

Lembra-te dos teus novíssimos e não pecarás jamais” (Eclo VII, 40). Se tantos pecadores se perdem é porque não as meditam. Ora, os associados das congregações são levados a pensar nelas, por tantas meditações, leituras e sermões que aí se fazem. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz” (Jo X, 27).

Em segundo lugar, para salvar-se é necessário encomendar-se a Deus.

Fazem-no os congregados continuamente e Deus os atende com mais facilidade, porquanto Ele mesmo declarou que de boa vontade concede Suas graças às preces feitas em comum. “Ainda vos digo que, se dois de vós vos unirdes entre si sobre a terra, qualquer coisa que pedirdes ser-vos-á concedida por Meu Pai que está nos céus” (Mt XVIII, 19). Aqui observa Ambrosiasta: muitos fracos tornam-se fortes quando se mantêm unidos, e a oração de muitos não pode ficar desatendida.

Em terceiro lugar, nas confrarias é mais fácil a freqüência dos sacramentos, não só pelos estatutos, como pelos bons exemplos dos confrades.

Ora, com isso garante-se a perseverança na graça. O Santo Concílio de Trento chama a comunhão um remédio que nos livra das faltas de cada dia e nos preserva do pecado mortal.

Além de tudo, fazem-se nas congregações muitos exercícios de mortificação, de humildade e de caridade para com os confrades enfermos e pobres.

E bom seria que em cada congregação se introduzisse o santo costume de assistir os doentes pobres do lugar.

Já dissemos quanto aproveita à nossa salvação servirmos a Mãe de Deus. Ora, que fazem os confrades nas congregações, senão servi-la? Aí, quantos a louvam! Quantas orações lhe apresentam! Consagram-se desde o princípio a seu serviço, elegendo-a de um modo especial por sua Senhora e Mãe. Inscrevem-se no livro dos filhos de Maria e como são servos devotos distintos da Virgem, ela os trata e protege com distinção, na vida e na morte. De modo que o congregado mariano pode dizer que com a congregação recebeu todos os bens (cf. Sb VII, 11).

A duas coisas, porém, precisa atender cada confrade: à intenção com que entra e à fidelidade aos compromissos. A primeira deve referir-se à glória de Deus e de Maria e à salvação da própria alma. Depois seja fiel em comparecer às reuniões marcadas, que não se devem perder para atender aos negócios do mundo. Pois na congregação se trata do mais importante de todos os negócios: a salvação eterna. Deve também procurar para sua associação novos confrades, e especialmente fazer voltar para ela aqueles que a têm abandonado. Tais egressos já têm sido às vezes rudemente punidos por Deus. Pelo contrário, os confrades que perseveram são cumulados por Maria de bens espirituais e temporais. “Todos os seus domésticos trazem vestidos forrados” (Pr XXXI, 21).

Auriema fala de graças que Maria concede a seus congregados durante a vida e na hora da morte, principalmente. Conta Crasset que, em 1586, um jovem perto de morrer, tendo adormecido, disse a seu confessor ao acordar:

Ó meu padre! Estive em grande perigo de perder-me, porém a Senhora me livrou. Os demônios apresentaram os meus pecados no tribunal de Deus, e já estavam prontos para me arrastarem ao inferno, quando sobreveio a Santíssima Virgem e lhes disse: ‘Para onde levais este moço? Que tendes que ver com um servo meu, que me serviu tanto tempo em minha congregação? ’”.

O mesmo autor conta que outro rapaz congregado, também na hora da morte, teve de sustentar luta renhida com o inferno; mas triunfando, finalmente, exclamou cheio de júbilo: “Ó! Que grande bem é servir a Mãe Santíssima em sua congregação!”. E morreu cheio de consolação. Também em Nápoles, o duque de Popoli, moribundo, disse a seu filho:

Meu filho, fica sabendo que à minha congregação devo o pouco bem que fiz em vida. Por isso a maior riqueza que tenho para deixar-te é a congregação mariana. Estimo mais ter sido congregado, que ter sido duque de Popoli”.

Santo Afonso Maria de Ligório

Glórias de Maria, Parte II, Tratado IV, VII.

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