O Congregado em face do mundo

As almas fortes — e, por presunção, é forte a alma de todo Filho de Maria — trazem em si o antídoto contra as emanações pestilenciais que ameaçam a vida moral. Todos os congregados estão armados, pelas práticas de piedade e pela Comunhão frequente, contra os perigos de todos os instantes. Mas há um dever que nos incumbe para nosso proveito e para o bem do próximo, para suavizar a nossa luta e para que cumpramos a nossa missão de nos tornarmos, pelo exemplo, apóstolos de uma vida perfeita — esse dever é o de, a par daquele fecha­mento dos sentidos a todas as solicitações da sensualidade, evitarmos as ocasiões de pecar e punirmos, com a nossa abs­tenção, as licenças da vida moderna.

É preceito do nosso manual evitar diligentimente qualquer amizade ou conversação desnecessária com pessoas más ou suspeitas1 Devemo-nos “guardar de leituras e espetáculos inconvenientes2 e fugir “de todas as ocasiões que possam ser de perigo às nossas almas ou de escândalo e desedificação ao próximo”. Havemos “de evitar quanto possa ser desdouro nosso, trazer-nos dano à alma e escandalizar o próximo”. Havemos de evitar os “divertimentos perigosos ou menos morais”.

Estes são preceitos velhos como as Congregações, mas, na vida de hoje, ainda mais se fazem necessários, porque o estado de espírito do mundo atual favorece a expansão de toda a sorte de leituras e espetáculos inconvenientes e de divertimentos perigosos.

A literatura abastardou-se, degenerando, com raras exceções, na exaltação de idéias revolucionárias; o cinema, que não é controlado de modo algum no tocante ao sentido dos filmes exibidos, é um espetáculo obrigatório de todos os dias; não há mais recolhimento nos lares, naqueles doces serões de outrora, em que o círculo luminoso de uma lâmpada estreitava os laços afetivos da família, no aconchego dos colóquios salutares de toda ordem, sofre, pelo rádio, pela televisão e pela internet3, a deseducação estética da música barata, entremeiada de mensagens enervantes.

Como se não bastassem esses males, ainda mantemos en­tre nós, dominadoramente, as festas pagãs como o carnaval, festas sensuais e primi­tivas, que tanto nos deprimem, durante a qual há a recrudescência, o paroxismo de uma ânsia de diversões e de danças pouco edificantes, que se desdobra, por qualquer pretexto e mesmo sem pretexto algum, pelo correr do ano.

 

Diante, de tudo isto, qual o papel do Congregado Mariano?

Meus amigos; o nosso comportamento, em face do mundo, no sentido que desejei principalmente salientar, está eviden­te, e decorre de um preceito do Manual, que somos obrigados a cumprir fielmente, porque, se o não cumprirmos, melhor será que tenhamos a sinceridade de depor a fita azul celeste. Não só devemos fugir da participação nesses hábitos, nesses divertimentos, nessas festas, como ainda mostrar, pelo exemplo da nossa repulsa, o que eles têm de condenável para todos.

Ora, já que os outros católicos levam a sua inconsciência ao ponto de tolerar os excessos desses divertimentos e até mesmo de tomar parte neles e nele se comprazerem, — que os Marianos proclamem que os reprovam severamente e ensi­nem aos tíbios o caminho da santificação.

Ninguém é obrigado a ser Mariano, mas aqueles que che­garem a trazer no peito a fita da Congregação têm a obrigação estrita de mostrar que o distintivo não é mera exterioridade, mas o sinal de uma firmeza e direção de pureza na vida, que faz do seu portador um verdadeiro filho de Nossa Senhora.

Felizmente, de ano para ano, a mocidade mariana do Bra­sil vai demonstrando que tem a compreensão do seu destino apostolar, não só fugindo dos perigos a que se exporia, com o simples presenciar de tais folguedos, como ainda oferecendo aos outros a lição do seu exemplo, que é o exemplo de um desejo sempre maior de per­feição, para provar sua fidelidade a Jesus Cristo, que não nos pediu, nem simplesmente aconselhou, mas claramente ordenou: “Sede perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito.

 

Dr. Manuel de Lacerda Pinto,
secretário do Interior e Justiça do Estado do Paraná, congregado mariano,
em seu artigo para o Boletim Circular N. 11 das Federação das CCMM do Paraná de 1940

 

  1. Regra 35: Evitem diligentemente qualquer amizade ou conversação desnecessária, com pessoas más ou suspeitas. Guardem-se de leituras e espetáculos inconvenientes. E de uma maneira geral, fujam de todas as ocasiões que possam ser de perigo às suas almas, ou de escândalo e desedificação ao próximo.
  2. Preâmbulo “A Vida do Congregado
  3. A televisão e a internet foram adicionadas pelo editor
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