S. Teresa do Menino Jesus, virgem

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Virgem e religiosa (carmelita).

Nascimento

02/01/18783, em Alençon, Orne, França

Morte

30/09/1897, em Lisieux, Calvados, França

Beatificação

29/04/1923, em Roma, pelo Papa Pio XI

Canonização

17/05/1925, em Roma, pelo Papa Leão XI

Festa Litúrgica

03 de Outubro

Onde Foi Congregado

Na Abadia das Beneditinas de Alençon, França

Santa Teresa do Menino Jesus foi uma freira carmelita francesa conhecida como grande modelo de santidade para os católicos e religiosos. Foi denominada, pelo Santo Padre Papa Pio X como “A maior entre os santos modernos”.

Nasceu com nome de Marie-Françoise-Thérèse Martin na cidade de Alençon. Sempre viveu cercada de grande afeto. Foi educada por seus pais Marie-Azélie Guerin Martin, uma bordadeira e Louis Martin, um joalheiro e relojoeiro. Ambos eram católicos, logo, ela foi educada também com sólidos valores cristãos. Seu batismo foi realizado dois dias após seu nascimento.

Era a quinta filha do casal, porém foi uma sobrevivente pois os seus quatro irmãos mais velhos, com exceção de Pauline e Marie, morreram ainda na infância de enterite (inflamação que ocorre na mucosa do intestino delgado). Santa Teresa também foi acometida com esta doença, logo, precisou ser entregue aos cuidados de uma enfermeira que já havia cuidado antes de duas crianças do casal Martin, mas para isso Teresa foi morar com a enfermeira, pois ela tinha seus próprios filhos e não podia morar com a família Martin. Na data de 02/04/1874, em uma Quinta-Feira Santa, com 15 meses de vida, Teresa se recuperou e voltou a morar com sua família em Alençon.

A sua atmosfera de educação católica consistia de Santas Missas diárias as 5h30 da manhã, jejuns realizados de formas estritas juntamente com orações, sempre seguindo o ritmo do calendário litúrgico. A sua família também pregava a caridade por meio da visitação dos doentes e idosos e, eventualmente, com a recepção de moradores de rua em sua mesa para jantar.

Sua mãe veio a falecer aos 45 anos de idade, foi um período de provação grande para a Santa, pois na época ela tinha apenas 4 anos e meio, mas em seus escritos, ela afirma o seguinte:

“Tudo me sorria na terra. Deparava com flores a cada passo que desse, e minha boa índole contribuía também para me tornar a vida agradável. Ia, porém, começar um novo período para minha alma. Devia passar pelo cadinho da provação e sofrer desde a minha infância, a fim de que pudesse ser oferecida mais cedo a Jesus. Assim como as flores da primavera começam a germinar debaixo da neve e desabrocham aos primeiros raios de sol, assim também a florinha (…) teve que passar pelo inverno da provação”1.

A morte de sua mãe causou-lhe tamanho impacto que, quando mais velha, ao falar daquele período, ela afirmou:

"A primeira parte de minha vida acabou naquele dia. Todos os detalhes da doença de minha mãe ainda me acompanham, especialmente suas últimas semanas na terra. Quando mamãe morreu, minha postura alegre mudou. Eu era altiva e aberta; tornei-me retraída e irritadiça, chorando se alguém olhasse pra mim. Só ficava feliz quando ninguém me notava... Era apenas no seio de minha própria família, onde todos eram maravilhosamente gentis, que eu conseguia ser mais eu mesma.".

Três meses após a morte de Zélia, seu pai Louis, a chamado de seu cunhado Isidorio Guérin, mudou-se para Lisieux. Ficaram na casa conhecida como Buissonnets, tinham contato frequente com os tios maternos de Teresa, que auxiliaram de forma frequente na educação da Santa que durou até os 8 anos e meio, que foi quando ela entrou para o colégio mantido pelas freiras beneditidas da Abadia de Notre Dame du Pré, em Lisieux. Exceto em redação e aritmética, ela se tornou a melhor de sua classe, em parte por causa da excelente educação que recebeu de Marie e Pauline. Por conta da sua idade e das altas notas, sofria constantes perseguições na sua sala, principalmente de uma jovem de 14 anos que ia mal. Como resultado de tudo, Teresa chegava a chorar escondido diversas vezes.

Quando Teresa completou 9 anos, Pauline entrou para as carmelitas de Lisieux, e como ela agia como segunda mãe da jovem Teresa, a santa ficou devastada, pois sabia que Pauline passaria para o claustro e que elas jamais se veriam novamente. Porém, com essa situação, uma chama se reacendeu em seu coração e ela decidiu por se juntar às carmelitas também, porém, como era jovem demais não foi aceita, o que a deixou em choque. Apesar de tudo, ela impressionou a Madre Marie Gonzague de tal forma, e como ela era a prioresa na época, escreveu para a jovem Teresa de forma a reconfortá-la com os seguintes dizeres: “minha futura filhinha”.

Na idade dos 10 anos, Santa Teresa é acometida por uma doença desconhecida, por causa da tinha constantes tremores nervosos, anorexia, alucinações que se agravaram até ela não poder falar. Tudo começou após uma caminhada que ela fez com seu tio, onde falavam de Zélie. Em 1882, o Dr. Gayral a diagnosticou dizendo que ela reagia às frustrações com um ataque neurótico. Mas tudo melhorou quando ela virou-se fitando a estátua da Virgem Maria, que ficava no quarto de Marie, para onde ela havia sido movida. Segundo ela, em 13/05/1883, a Virgem lhe deu um sorriso. Contudo, quando contou sua visão para as freiras carmelitas, a pedido de Marie, ela ficou consternada com as várias perguntas, chegando até a duvidar dela mesma, e, por isso, permaneceu com essa preocupação durante uns cinco anos.

Por volta de um ano após a sua primeira comunhão, Teresa passou a sofrer a atormentação dos escrúpulos, onde tudo que ela fazia, pensava e realizava, eram motivos de pecado, a impedindo de receber a Eucaristia. Mas, na noite de natal de 1886, ela passou pela sua conversão completa, onde finalmente superou as pressões que vinha enfrentando desde quando sua mãe veio a falecer. A santa, após já adulta, expressou-se sobre aquele evento: “Deus fez um pequeno milagre para me fazer crescer num instante. Naquela abençoada noite. Jesus, que achou por bem fazer-se uma criança por amor a mim, achou também por bem tirar-me das faixas [de bebê] e imperfeições da infância”.

Para entrar no Carmelo, Teresa sofreu diversos obstáculos. O primeiro foi quando teve uma conversa com o seu tio, que a proibiu de falar sobre sua vocação antes dos 17 anos, mas algum tempo depois, em um sábado, dia consagrado a Nossa Senhora, resolveu falar com ele novamente e encontrou outra pessoa. A segunda barreira foi quando falou com Pauline e recebeu a triste notícia de que o superior eclesiástico do Carmelo de Lislieux, o Pe. Delatroëtte só permitiria entrar para o claustro aos 21 anos. A terceira foi quando tentou conversar com o prelado e, apesar da firme convicção de mostrar sua vocação, também não recebeu uma resposta favorável.

Em uma peregrinação a Roma, devido ao áureo jubileu sacerdotal do Papa Leão XIII, ela teve uma audiência com o Sumo Pontífice e, após beijar os seus pés com os olhos marejados e a voz trêmula, pediu ao Santo Padre a graça de entrar no Carmelo com apenas 15 anos. A resposta que ela recebeu foi: “Vamos lá... Vamos lá...Entrareis, se o Bom Deus o quiser!”. Essa resposta foi dada porque o Sumo Pontífice foi informado pelo vigário geral de D. Hugonin, monsenhor Révérony, de que o assunto estava sendo examinado pelos superiores do Carmelo. Eis que, no dia 28/12/1887, ela foi aceita, porém a priora Madre Marie de Gonzague determinou que seu ingresso seria feito apenas após a quaresma. Então, na data de 09/04/1888, festa da Anunciação, Teresa teve seu sonho realizado.

Embora tenha se juntado a Marie e Pauline, desde o primeiro dia começou a lutar para se distanciar das duas e manter-se fiel aos seus desígnios. Logo no início, Marie de Gonzague colocou a nova postulante aos cuidados de Marie, que, dentre outras coisas, ensinava-a o Ofício Divino. Logo depois, foi nomeada assistente de Pauline no refeitório e quando sua prima Marie Guérin também entrou, ambas ficaram designadas em trabalhar na sacristia.

Santa Teresa seguia estritamente a regra que proibia todas as conversas supérfluas durante o trabalho. Então elas só teriam tempo para conversar nas horas de recreação em grupo, durante as refeições e mesmo nestas ocasiões a santa sentava-se ao lado da pessoa que estivesse mais próxima ou de alguma freira mais abatida, desconsiderando todo tipo de sentimento tácito ou explicitado, de gênero ciumento de suas irmãs biológicas. Teresa chegou a falar para elas os seguintes dizeres:

Devemos nos desculpar aos outros por sermos quatro sob o mesmo teto. Quando estiver morta, vocês devem tomar muito cuidado para não levarem uma vida familiar umas com as outras... Eu não vim para o Carmelo para estar com minhas irmãs; pelo contrário, percebi claramente que a presença delas me custaria caro, pois estava determinada a não ceder à natureza [humana].”

Apesar de tudo, e por conta da sua idade, ela sofria um certo desprezo das outras irmãs por causa de sua pouca aptidão aos trabalhos manuais e artesanatos. Dentre as irmãs, em especial se destacava a irmã Maria de São Vicente de Paulo, que era a melhor bordadora e fazia Santa Teresa se sentir excluída e inclusive chegou a chamá-la de “cabritinho da mamãe”.

Seu noviciado durou de 10/01/1889 a 24/09/1890, onde ela tomou o hábito e passou a vestir o escapulário marrom, a touca branca e véu, o cinto de couro com um rosário, meias de lã e sandálias de corda. Durante este período ela aprofundou seu senso vocacional de levar uma vida reclusa, de rezar e oferecer seus sofrimentos além de esquecer completamente de si com o objetivo de aumentar seus discretos atos de caridade. Ela possuía dois epítetos que tinham igual importância para a santa, sendo o primeiro “do Menino Jesus” prometido pela madre Marie de Gonzague e o segundo foi a pedido de Teresa que a Madre Marie conferisse a ela o “da Santa Face”. Ela foi considerada jovem demais para a realização dos votos, tanto que passou mais 8 meses em seu noviciado. No dia 08/09/1890, realizou sua profissão de fé com 17 anos e meio. Na véspera, sua reclusão foi caracterizada como sendo de aridez absoluta, tanto que ela entrou em pânico, mas foi reassegurada pela Madre e mestra das noviças Marie de Gonzague, tendo a cerimônia prosseguido normalmente no dia seguinte.

Os anos seguintes foram de maturação vocacional, ela rezava constantemente, multiplicou seus atos de caridade e cuidados com os outros realizando diversas obras sem buscar reconhecimento, aceitava as críticas, mesmo as injustas, em silêncio e sorria para as irmãs que eram desagradáveis com ela. Em 1891, experimentou provações interiores, chegando até a duvidar da existência do Céu. Depois de um retiro pregado por um franciscano que nada tinha de ligação com as carmelitas, ela passou a pautar sua vida espiritual cada vez mais nos evangelhos, tanto que pediu para Céline conseguir os evangelhos e as epístolas paulinas em um volume pequeno o suficiente para levar juntamente ao coração.

Seus últimos anos foram marcados pelo declínio de sua saúde, tendo resistido de forma resoluta e sem reclamar. A tuberculose foi a principal causadora de seu sofrimento, mas ela via a doença como parte de sua jornada espiritual. Após observar o jejum rigoroso do período quaresmal do ano de 1896, ela se deitou na véspera da Sexta-Feira Santa e na manhã seguinte encontrou sangue no lenço. Imediatamente compreendeu seu destino: tossir sangue era o significado de tuberculose e essa doença significava a morte, logo, ela escreveu: "Pensei imediatamente na coisa alegre que eu teria que aprender e fui até a janela. Consegui ver que não estava enganada. Ah! Minha alma estava preenchida de uma grande consolação; eu fui interiormente persuadida que Jesus, no aniversário de sua própria morte, queria que eu ouvisse Seu primeiro chamado!".

Em suas horas finais, a própria Teresa exclamou "Eu jamais acreditaria ser possível sofrer tanto, nunca, nunca!". Em julho de 1897, mudou-se pela última vez para a enfermaria do mosteiro. No dia 19/08, comungou pela última vez e na data de 30/09/1897 Santa Teresinha morreu com apenas 24 anos de idade e em seu leito de morte, suas últimas palavras foram "Meu Deus, eu te amo!".

Ela foi enterrada em 4 de outubro no espaço das carmelitas, no cemitério municipal de Lisieux, junto com Zélie e Louis Martin, seus pais.

  1. Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. História de uma alma: manuscritos autobiográficos. 2ª. ed., São Paulo: Paulus, 2008. p. 45)

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