Preparação para a Consagração – 4º dia da Primeira Semana

Primeira Semana - Conhecimento de Si Mesmo

Somos pobres pecadores

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Orações

O rosário e a coroinha de Nossa Senhora podem ser encontrados aqui

Veni, Sancte Spiritus

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém

Veni Sancte Spíritus reple tuórum corda fidélium, et tu amóris in eis ignem accénde. Emítte Spíritum tuum et creabúntur. Et renovábis faciem terrae.

Oremus: Deus, qui corda fidélium Sancti Spíritus illustratióne docuisti da nobis in eódem Spíritu recta sápere, et de ejus semper consolatióne gaudére. Per Christum Dóminum nostrum. Amen

Ladainha do Espírito Santo

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus.
Espírito da verdade,
Espírito da sabedoria,
Espírito da inteligência,
Espírito da fortaleza,
Espírito da piedade,
Espírito do bom conselho,
Espírito da ciência,
Espírito do santo temor,
Espírito da caridade,
Espírito da alegria,
Espírito da paz,
Espírito das virtudes,
Espírito de toda graça,
Espírito da adoção dos filhos de Deus,
Purificador das nossas almas,
Santificador e guia da Igreja Católica,
Distribuidor dos dons celestes,
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração,
Doçura dos que começam a vos servir,
Coroa dos perfeitos,
Alegria dos anjos,
Luz dos patriarcas,
Inspiração dos profetas,
Palavra e sabedoria dos apóstolos,
Vitória doa mártires,
Ciência dos confessores,
Pureza das virgens,
Unção de todos os santos,

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio,
De toda a presunção e desesperação.
Do ataque à verdade conhecida,
Da inveja da graça fraterna,
De toda a obstinação e impenitência,
De toda a negligência e tepor do espírito,
De toda a impureza da mente e do corpo,
De todas as heresias e erros,
De todo o mau espírito,
Da morte má e eterna,

Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho,

Pela milagrosa conceição do Filho de Deus,
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado,

Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor,
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor,
No dia do juízo,
Ainda que pecadores,nós vos rogamos, ouví-nos.

Para que nos perdoeis,
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja,
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração,
Para que vos digneis inspirar-mos sinceros afetos de misericórdia e de caridade,
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro,
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranqüilidade no coração,
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça,
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça,
Para que vos digneis receber-nos o número dos vossos eleitos,
Para que vos digneis ouvir-nos,
Espírito de Deus,

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, envia-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, dai-nos o Espírito bom.
Espírito Santo, ouví-nos.
Espírito Consolador, atendei-nos.

V. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Deus, que instruístes o coração de vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo,
concedei-mos que, no mesmo Espírito, conheçamos o que é reto,
e gozemos sempre as suas consolações.

Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Kyrie, Eleison
Christie, Eleison
Spiritus Sancte, audi nos
Spiritus Paraclite, exaudi nos

Pater de caelis, Deus, miserere nobis.
Fili redemptor mundi Deus,
Spiritus Sancte Deus,
Sancta Trinitas, unus Deus,
Spiritus veritatis,
Spiritus sapientiae,
Spiritus intellectus,
Spiritus foritudinis,
Spiritus pietatis,
Spiritus recti consilit,
Spiritus scientiae,
Spiritus sancti timoris,
Spriritus caritatis,
Spiritus gaudii,
Spiritus pacis,
Spiritus virtutum,
Spiritus multiformis gratiae,
Spiritus adoptionis Filiorum Dei,
Purificatur animarum nostrarum,
Ecclesiæ catholicæ sanctificator et rector,
Caelestium donorum distributor,
Discretor cogitationum et intetionum cordis,

Dulcedo in tuo servitio incipientium,
Corona perfectorum,
Gaudium angelorum,
Iluminatio patriarcarum,
Instpiratio prophetarum,
Os et sapientiae apostolorum,
Victoria Martyrium,
Scientia Condessorum,
Puritas virginum,
Unctio sanctorum omnium,

Propitius esto, parce nobis Domine,
Porpitius esto, exaudi nos Domine,

Ab omni peccato libera nos Domine,
Ad omnibus tentationinbus et insidiis diaboli,
Ab omnine presumptione e desesperatione,
Ab impugnationem veritatis agnitae,
Ab invidentia fraternae gratiae,
Ab omni obstinatione et impoenitentia,
Ab omni negligentia et tepore animi,
Ab omni immunditia mentis et corporis,
Ab haeresibus et erroribus universais,
Ab omni malo spiritu,
A mala et aeterna morte,

Per aeternam ex Patre ex Filioque processionem tuam,
Per miraculosam conceptionem Filii Dei,
Per descensionem tuam super Christum baptizatum,
Per sanctam apparitionem tuam in tranfiguratione Domine,
Per adventum tuum super discípulos Christi,
In die iudicii.
Peccatores, te rogamus, audi nos.

Ut nobis parcas,
Ut omnia Ecclesia membra vivificare et sanctificare digneris,
Ut verae pietatis, devotionis et orationis donum nobis dare digneris,
Ut sinceros misericordiae charitatisque affectus nobis inspirare digneris,
Ut spiritum novum et cor mundum in nobis creare digneris,
Ut veram pacem et cordis tranquilitatem nobis dare digneris,
Ut ad tollerandas propter iustitiam persecutiones nos dignos et fortes efficias,
Ut nos in gratia tua confirmare digneris,

Ut nos in numerum electorum tuorum recipias,
Ut nos exaudire digneris,
Spiritus Dei,

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, effunde in nos Spiritum Sanctum.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, emitte promissum in nos Patris Spiritum.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, da nobis Spiritum bonum.
Spiritus Sanctum, audi nos.
Spiritus Paraclite, exaudi nos.

V. Emitte Spiritum tuum et creabuntur.
R. Et renovabis faciem terrae.

Oremus: Deus qui corda fidelium Sancti Spiritus illustratione docuisti, da nobis in eodem Spiritu recta sapere et de eius semper consolatione gaudere.

Per Christum Dominum nostrum. Amen.

 

Ave Maris Stella

Clique aqui para ouvir o canto gregoriano

Ave, do mar Estrela
De Deus mãe bela,
Sempre virgem, da morada
Celeste Feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca
Do anjo a saudação;
Dá-nos a paz e quietação;
E o nome da Eva troca.

As prisões aos réus desata.
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és mãe, fazendo
Que os rogos do povo seu
Ouça aquele que, nascendo
Pos nós, quis ser filho teu.

Ó virgem especiosa,
Toda cheia de ternura,
Extintos nossos pecados
Dá-nos pureza e bravura,

Dá-nos uma vida pura,
Põe-nos em vida segura,
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Pai veneremos:
A Jesus Cristo também:
E ao Espírito Santo; demos
Aos três um louvor: Amém.

Ave, Maris Stella,
Dei mater alma,
Atque semper Virgo,
Felix caeli porta.

Sumens illud Ave,
Gabrielis ore,
Funda nos in pace
Mutans Evae nomen.

Solve vincla reis,
Profer lumen caecis,
Mala nostra pelle,
Bona cuncta posce.

Monstra te esse Matrem,
Sumat per te preces,
Qui pro nobis natus
Tulit esse tuus.

Virgo singularis,
Inter omnes mitis,
Nos, culpis solutos,
Mites fac et castos.

Vitam praesta puram,
Iter para tutum:
Ut, videntes Jesum,
Semper collaetemur.

Sit laus Deo Patri,
Summo Christo decus
Spiritui Sancto,
Tribus honor unus. Amen.

Leitura Espiritual

Estas leituras espirituais podem ser feitas no dia anterior, em preparação para a meditação do dia.

Evangelho - Lc 13, 1-26 — A figueira estéril. A mulher encurvada. O grão de mostarda e de fermento

1.Neste mesmo tempo, contavam alguns o que tinha acontecido a certos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios.
2.Jesus toma a palavra e lhes pergunta: “Pensais vós que esses galileus foram maiores pecadores do que todos os outros galileus, por terem sido tratados desse modo?
3.Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo.
4.Ou cuidais que aqueles dezoito homens, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os demais habitantes de Jerusalém?
5.Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo”.
6.Disse-lhes também esta comparação: “Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou.
7.Disse ao viticultor: Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno?”.
8.Mas o viticultor respondeu: “Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo.
9.Talvez depois disso dê frutos. Caso contrário, mandarás cortá-la.”
10.Estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado.
11.Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se.
12.Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: “Estás livre da tua doença”.
13.Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus.
14.Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: “São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para vos curar, mas não em dia de sábado”.*
15.“Hipócritas!” – disse-lhes o Senhor. “Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber?
16.Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre dessa prisão, em dia de sábado?”
17.Ao proferir essas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.
18.Jesus dizia ainda: “A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei?
19.É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou na sua horta, e que cresceu até se fazer uma grande planta e as aves do céu vie­ram fazer ninhos nos seus ramos.”
20.Disse ainda: “A que direi que é semelhante o Reino de Deus?
21.É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha e toda a massa ficou levedada”.

Imitação de Cristo - Livro III, Cap XIII

Da obediência e humilde sujeição, a exemplo de Jesus Cristo

1. Filho, quem procura subtrair-te à obediência aparta-se também da graça; e quem procura favores particulares perde os comuns. Aquele que não se sujeita pronta e de boa mente a seu superior, mostra que sua carne não lhe obedece ainda prontamente, mas muitas vezes se revolta e resmunga. Aprende, pois, a sujeitar-te prontamente a teu superior, se
queres subjugar a própria carne, porque facilmente se vence o inimigo exterior quando o homem interior não está assolado. Pior inimigo e mais perigoso não tem a alma, que tu mesmo, quando não obedeces ao espírito. Se queres vencer a carne e o sangue, deves compenetrar-te do sincero e absoluto desprezo de ti mesmo. Mas porque ainda te amas desordenadamente, por isso te repugna sujeitar-te de todo à vontade dos outros.

2. Ora, que muito é que tu, que és pó e nada, te sujeites a um homem, por amor de Deus, quando eu, o Todo-poderoso e Altíssimo, que criei do nada todas as coisas, me sujeitei humilde ao homem, por amor de ti? Fiz-me o mais humilde e o último de todos para que venças, com a minha humildade, a tua soberba. Aprende, pó, a obedecer; aprende, terra e limo, a humilhar-te e curvar-te aos pés de todos. Aprende a quebrantar tua vontade e a submeter-te a todos em tudo.

3. Indigna-te contra ti mesmo; não toleres em ti desvanecimento algum; mas torna-te tão humilde e submisso, que todos te possam pisar e calcar aos pés, qual lama da rua. Em que podes, vil pecador, contradizer os que te repreendem, tu, que ofendeste a Deus tantas vezes e tantas vezes mereceste o inferno? Pouparam-te, porém, meus olhos, porque tual alma é preciosa diante de mim, para que conheças meu amor e te conserves grato aos meus benefícios; para que te dês continuamente à verdadeira sujeição e humildade, sofrendo com paciência o desprezo dos outros.

Meditação

Consideraremos hoje nossa miséria de pobres pecadores, isto é, as faltas que cometemos no passado e as que cometemos ainda no presente. Esse exame de nossa consciência nos fará reconhecer o quanto somos indignos de nos aproximar diretamente e por nós mesmos da santa e augusta Majestade de Deus; o quanto, também, devemos sentir profundamente a necessidade de recorrer a Maria Mediadora, misericordiosamente colocada entre nossa miséria de pecadores e a santidade divina.

Para nosso maior auxilio, percorreremos nossas faltas segundo ofendem mais especialmente uma ou outra das três adoráveis Pessoas da Trindade: nossas ingratidões para com o pai, nossas infidelidades para com o Filho, nossa mornidão para com o Espírito Santo.

Humilhados e contritos, ficaremos felizes por encontrar, então, o rosto acolhedor Daquela cuja misericórdia nunca faltou a ninguém. É sua Mediação que obtém para nós as graças do perdão e as graças mais excelentes de nossa união a Jesus Cristo. Repitamos-lhe, para começar, a invocação familiar "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pobres pecadores."

NOSSA MISÉRIA DE POBRES PECADORES. Reconheçamos primeiro nossas INGRATIDÕES para com o Pai. Ele é nosso primeiro e maior benfeitor. Devemos-lhe tudo, nossa vida de natureza e nossa vida de graça. Ele nos criou, ele nos mantém na existência. Nossa alma unida ao nosso corpo, nossas faculdades, nossas potências de conhecer e de amar vêm-nos diretamente dele.

Como devemos apreciar esse dom da vida, de uma vida inteligente e livre, que faz brilhar sobre nossa fronte algo da luz de sua Face. "ó Deus, bendito Sejais por ter-me criado!" , murmurava, ao morrer, Santa Clara de Assis. A graça santificadora, recebida no batismo, é um benefício de ordem incomparavelmente superior. Por meio dela, podemos com toda verdade chamar Deus como "nosso Pai", visto que ela nos dá participação, não em sua essência (esta não se partilha), mas em sua vida, isto é, em seu modo de agir, em sua atividade íntima.

Começa-mos, desde este mundo, a conhecê-lo como ele mesmo se conhece em seu Verbo, e a amá-lo como ele mesmo se ama em seu Espírito Santo, o que constitui sua vida bem-aventurada. A felicidade de Deus se torna, assim, nossa felicidade, mesmo nesta vida presente; e foi para conquistá-la para nós que o Pai deu ao mundo o Filho de sua complacência. Que amor supõe semelhante dom, o maior que se possa conceber! Como respondemos a esses benefícios de nossa criação e de nossa divinização? Em vez de nos mostrarmos filialmente gratos, não fomos, ao contrário, filhos negligentes, ingratos e revoltados, a ponto de nos expor a perder nossos direitos à herança celeste? Não imitamos o filho pródigo, afastando-se da casa paterna para ir dissipar seu bem nos prazeres proibidos? Quantas faltas graves terão sujado nossa alma no passado? O que nos reprova nossa consciência?... Se nossas ofensas são perdoadas, resta que elas foram cometidas e que devem nos humilhar ao pensarmos na infinita santidade de nosso tão amoroso Pai dos Céus.

Nossas INFIDELIDADES para com o Filho nos tornaram mais culpados ainda. Ele é nosso Redentor: por seus sofrimentos e sua morte na cruz, pelo preço de seu sangue derramado até à última gota, ele conquistou para nós a graça de nossa filiação divina. Muito mais, ele nos incorporou a si: formamos com ele um só Corpo vivo, do qual ele é a Cabeça e nós somos os membros. Vivemos de sua vida: ele é em nós e nós somos nele. É com toda verdade que cada batizado, fiel ao seu batismo, pode dizer como São Paulo: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim." Ele vive e cresce em mim pela graça dos sacramentos e principalmente por sua Eucaristia.

Reflitamos sobre esse dom inefável que ele nos proporcionou na véspera de sua morte, sobre essa invenção de amor que lhe permitiu vencer a morte, permanecer sempre presente em nosso meio: deixar que nos alimentemos dele, para sermos transformados nele. É assim que, sabendo que era chegada a hora de passar deste mundo ao seu Pai, e tendo-nos amado até então, amou-nos ainda mais nesse momento supremo, elevando-se a esse topo de afeição sobre o qual seu Coração estará para sempre. A esse Jesus amoroso ao extremo nós prometemos uma devoção fiel e inviolável. Quantas vezes renovamos-lhe nossas promessas de fidelidade! Quantas vezes também, talvez, nos separamos dele, nos desligamos dele, tornando-nos como membros mortos no seio do Corpo místico.

Pois o pecado grave cometido de modo consciente consiste nisto: uma ofensa que acarreta a interrupção da graça santificaste, um corte do influxo vital proveniente do Cristo. Misericordiosamente, após a humilde confissão de nossas faltas, com o arrependimento de nosso coração, Jesus nos perdoa e nos religa a ele, devolve-nos sua vida; mas teremos sempre a lamentar nos termos separado dele, desprezando seu amor, seus sofrimentos e sua morte na cruz, desprezando sua Eucaristia.

Como devemos nos humilhar, nos reconhecer indignos das ternuras e das predileções que ele se oferece a nos devolver, como se nunca o tivéssemos ofendido! Oh! Nossa miséria de pecadores arrependidos em face desse Amor que quer tudo esquecer e aceitar outra vez nossas promessas!

Ingratos para com o pai, infiéis para com o Filho, é preciso ainda que reconheçamos nossa MORNIDÃO para com o Espírito Santo, hóspede tão doce da alma em estado de graça. Não é ele o artesão de nossa santificação?

Por suas inspirações, suas iluminações, suas moções, ele indica o caminho a seguir, desperta os pensamentos de fé, os bons desejos, os ímpetos generosos, os ardores de apostolado; ele convida ao recolhimento, ao silêncio interior, à vida interior profunda, à subida rumo à perfeição, aos progressos incessantes nas virtudes e sobretudo na Caridade, que é o amor de Deus e do próximo. Ele ama e quer nos ver amar sem voltar atrás. As faltas graves o fazem ir embora; as faltas veniais voluntárias o contristam; a solidão à qual o abandonamos tão frequentemente provoca seus gemidos de amor não reconhecido, que são ainda chamados da graça.

Quantas vezes o obrigamos a partir? Quantas vezes o contristamos? Quantas vezes o abandonamos, não tendo um olhar para ele, arrebatados que estamos na dissipação das coisas exteriores? Quanta dispersão exterior de nosso ser! Quantas distrações em nossas preces!

Quantas confissões, quantas comunhões feitas sem uma preparação conveniente, sem uma correção séria de nossa vida espiritual! E nossas transgressões à caridade em pensamentos e em palavras, nossas palavras inúteis e más, nossos ressentimentos, às vezes, no fundo de nosso coração, a busca de nosso comodismo, de nosso bem-estar, de nossas satisfações naturais; nossas imortificações, nossas resistências multiplicadas às inspirações do Espírito Santo...; quantos obstáculos que se opõem à sua ação santificadora! Chegamos assim à tibieza, ao contentamento de si na mediocridade.

Não há progresso, não há avanço, não há coragem e energia para uma tentativa de melhora. Não nos inquietamos, e isso pode durar muito tempo. Então, tomando consciência de todas as nossas faltas passadas e presentes, de nossa miséria real de pobres pecadores, reconheçamos humildemente que somos indignos de nos aproximar por nós mesmos da infinita santidade das três adoráveis Pessoas divinas. Reconheçamos também a sabedoria do Plano redentor, que nos deu Jesus, Verbo encarnado, como Mediador junto ao Pai, e Maria, Mãe de Jesus, como Mediadora junto a seu Filho. Por Maria, que nos dedicaremos a conhecer melhor durante nossa segunda Semana, não temeremos nos aproximar de Jesus e nos unir a ele, sob a condução do Espírito Santo.

Por Jesus, estaremos unidos ao Pai, na unidade de amor desse mesmo Espírito Santo. Reconheçamos a necessidade que temos de uma Mediadora junto ao próprio Mediador.

II
PRECISAMOS DE MARIA MEDIADORA. Jesus Cristo é nosso Mediador de redenção e de justiça junto ao seu Pai. Maria é nossa Mediadora de intercessão e de misericórdia junto ao seu Filho. Por meio de Jesus Cristo, apoiados e revestidos por seus méritos, acedemos ao Pai, oramos a ele com toda a Igreja triunfante e mili-ante.

Quando recitamos o Pater, é pelo coração e pelos lábios do Filho que fazemos subir essa prece que glorifica e que pede. Não foi ele quem no-la ensinou? É também por seus méritos que podemos chamar Deus "nosso Pai", visto que sua redenção conquistou para nós a graça de nossa filiação divina. Desse modo, não nos apoiamos sobre nós mesmos, sobre nossos próprios trabalhos, habilidades e preparações, que seriam de pouca importância diante de Deus, para fazê-lo se unir a nós e nos atender.

Negligenciar essa meditação e querer nos aproximar diretamente da Majestade e da Santidade do Pai, sem nenhuma recomendação, seria, diz-nos Montfort, "faltar com humildade, faltar com respeito para com um Deus tão elevado e tão santo; seria fazer menos caso desse Rei dos reis do que faríamos de um rei ou um príncipe da terra, do qual não desejaríamos nos aproximar sem algum amigo que falasse em nosso favor". (V D., n. 83.)

Mas nossa miséria de pobres pecadores é tamanha — como acabamos de ver — que, mesmo junto de Jesus Mediador, precisamos ainda de Maria Mediadora. Apesar de possuir uma natureza semelhante à nossa, Jesus permanece "Deus, em todas as coisas igual ao seu Pai. Ele é, por isso, o Santo dos santos, tão digno de respeito quanto seu Pai. Se, por sua caridade infinita, ele se fez nossa caução e nosso mediador junto a Deus, seu Pai, para aplacar sua ira e pagar-lhe o que lhe devemos, importa, por essa razão, que tenhamos menos respeito e temor por sua Majestade e sua Santidade? "Digamos, portanto, ousadamente com São Bernardo, continua Montfort, que necessitamos de um mediador junto ao próprio Mediador, e que a divina Maria é a mais capaz de cumprir esse oficio caridoso."

A primeira e melhor razão é a que nos dá o próprio Verbo encarnado, quando de sua Encarnação: visto que é por intermédio de Maria que ele veio até nós, é, pois, por Maria que devemos ir a ele. Não podemos fazer melhor do que imitar seu exemplo.

Em Belém, os pastores o contemplam ainda pequenino, deitado por sua Mãe em uma manjedoura. Um pouco mais tarde, são os Magos que o adi ram sobre os joelhos e nos braços de sua Mãe. Por meio dela, elc enche-os todos com seus tesouros de graças. O mesmo se dará a, longo de toda a sua vida terrena: desde sua Apresentação no Templo onde começa ostensivamente seu Sacrifício, até o Calvário, onde ele se consuma, é sempre Jesus que se oferece ao seu Pai e que se doa, por meio de Maria, ao mundo manchado de crimes que ele veio lavar em seu sangue.

Nossa miséria de pobres pecadores deve, pois, nos levar a implorar com ousadia a ajuda e a intercessão de Maria. Ela é boa, acolhedora, acessível aos nossos pedidos. "Nada há nela de austero nem de desencorajador, nada de sublime ou brilhante demais; vendo-a, vemos nossa natureza pura." Por mais santa, por mais elevada que seja, ela permanece sendo uma simples pessoa humana.

"Ela não é o sol que, pela vivacidade de seus raios, poderia nos cegar devido à nossa fraqueza; mas ela é bela e doce como a lua, que recebe sua luz do sol para torná-la conforme ao nosso pequeno alcance. Ela é tão caridosa que não rejeita nenhum daqueles que pedem sua intercessão, por mais pecadores que sejam; pois, como dizem os santos, nunca se ouviu dizer, desde que o mundo é mundo, que alguém tenha recorrido à Santa Virgem com confiança e perseverança, e tenha sido por ela rejeitado.

Ela é tão poderosa que seus pedidos nunca foram negados. Ela só precisa se apresentar diante de seu Filho para pedir a ele, que logo concede, que logo acolhe; é sempre amorosamente vencido pelo seio, pelas entranhas e pelas preces de sua caríssima Mãe". (V D., n. 85.)

Encontramos às vezes certas almas, orgulhosas até em sua piedade, que vos dizem que não têm necessidade de passar pela Santa Virgem, nem de recorrer à sua intercessão; dirigem-se diretamente ao Nosso Senhor e se unem assim a ele. É preciso desculpá-las: falta-lhes luz sobre a Santa Virgem e sobre si mesmas. Não refletiram sobre o lugar central que ocupa Maria no plano divino em sua qualidade de Mãe de Deus e de Corredentora de nossas almas. Nunca escrutaram, sobretudo, o fundo de suas misérias.

Um pouco de humildade abrir-lhes-ia os olhos. Sucede também que encontramos outras almas — estas muito humildes e belas — que amaram e amam muito ainda a Santa Virgem, mas que, a partir de um certo tempo, se acostumaram a se dirigir mais frequentemente a Nosso Senhor diretamente, a falar-lhe familiarmente e a provar da intimidade de sua união com ele. Experimentam, então, alguns temores, perguntam-se se ainda estão no bom caminho, se amam ainda a Santa Virgem como antes; e interrogam, pedem conselho.

É preciso tranquilizá-las: nessas almas amorosas e dóceis, Maria Mediadora cumpriu sua obra de santificação. Despojou-as de seu amor-próprio e de sua própria vontade; revestiu-as com suas virtudes amáveis; colocou-as em intimidade direta com Nosso Senhor.

Depois, ela não se retirou (pois nunca se retira), mas como que se apagou, se eclipsou, pôs-se na sombra, a fim de deixar essas almas saborearem melhor as alegrias de sua união ao seu divino Filho. Esse é o testemunho que nos deu de si mesma a reclusa carmelita do beguinário de Gante, Maria de Santa Teresa (t 1677), alma admiravelmente privilegiada.

Espantando-se, um dia, por não mais gozar com tanta frequência como outrora da presença da amável Maria e de suas instruções ou afetuosas palavras, ela tinha, contudo, a íntima convicção de que seu amor era mais tão terno, inocente, filial e doce do que nunca. Veio-lhe, então, esta resposta interior: quando a amável Mãe estava constantemente junto de ti e te guiava no caminho de suas virtudes, era a fim de te preparar para a união perfeita com seu caríssimo Filho.

Agora que essa união se cumpriu, ela se mantém afastada e te deixa conversar sozinha com ele... Essa alma gozava da união mística. Ainda não chegamos a esse ponto. Enquanto permanecemos às voltas com nossas misérias, sentimos profundamente essa necessi dade de recorrer a Maria, de sempre passar por sua intercessão para ir a Jesus. Quando, recitando as Ave de nosso Rosário, bendizemo-la primeiro: "bendita sois vós entre as mulheres; é para melhor bendizer, em seguida, seu divino Filho: "bendito o fruto de vosso ventre, festo."

"A mais forte inclinação de Maria, diz-nos Montfort, é de nos unir a Jesus Cristo, seu Filho; e a mais forte inclinação do Filho é que no% dirijamos a ele por meio de sua santa Mãe." (V. D., n. 75.) Oferecemos-lhe honra e prazer quando seguimos o caminho virginal que ele quis tomar para vir a nós. Maria atrai pelo encanto de sua bondade maternal, mas não retém jamais uma só alma; e é coisa muito notável que as almas verdadeiramente marianas sejam sempre almas euca rísticas.

A maravilha de Lourdes se realiza nelas: em nenhum lugar, como nesse canto de terra aonde se dirigem as multidões do mundo inteiro, Jesus-Hóstia é mais amado, mais aclamado e mais glorificado. Maria exerce ali, com esplendor, seu papel de Mediadora.

No início da fórmula de Consagração que nos preparamos a professar ou a renovar, São Luís Maria de Montfort nos faz seguir esse caminho da mediação mariana. Depois de ter oferecido a Jesus Cristo, a Sabedoria eterna e encarnada, a homenagem de sua adoração e de sua gratidão, ele se humilha e nos convida a nos humilharmos com ele, considerando nossa miséria de pobres pecadores: "Mas, ai de mim! Ingrato e infiel que sou, não conservei (ó Jesus) os votos e as promessas que vos fiz tão solenemente em meu batismo, não cumpri minhas obrigações; não mereço ser chamado vosso filho nem vosso escravo."

Vosso filho, porque tantas vezes, talvez, perdi por minhas faltas vossa graça santificante; vosso escravo, porque quis emancipar-me e subtrair-me aos direitos de vossa Redenção. Por isso, "como não há nada em mim que não mereça vossa rejeição e vossa cólera, não ouso mais me aproximar, por mim mesmo, de vossa santa e augusta Majestade". É a homenagem da satisfação se elevando de um coração contrito, humilhado à lembrança de suas faltas passadas e à visão de sua miséria presente.

Então, ocorre o pedido, a imploração das graças, aos pés de Maria Mediadora: "É por isso que recorro á intercessão e á misericórdia de vossa Santíssima Mãe, que me destes como Mediadora junto a vós; e é por meio que espero obter de vós a contrição e o perdão de meus pecados", isto é, graça que vai primeiro curar e purificar minha alma; depois, a aquisição e a conservação da Sabedoria", isto é, a graça que me transformará progressivamente, até fazer-me possuir constantemente o amável e adorável Jesus, gozando dos tesouros que sua divina Pessoa encerra. Com que confiança e que perseverança devemos, então, implorar tais graças pela intercessão e pela misericórdia de nossa celeste Mediadora! Que consolação para nossa miséria de pobres pecadores!

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