Preparação para a Consagração – 2º dia da Segunda Semana

Segunda Semana - Conhecimento da Santa Virgem

Mãe do Cristo Total

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Orações

Na segunda semana, deve-se rezar ao menos um terço do Rosário de Nossa Senhora, que pode ser encontrado aqui

Veni, Sancte Spiritus

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém

Veni Sancte Spíritus reple tuórum corda fidélium, et tu amóris in eis ignem accénde. Emítte Spíritum tuum et creabúntur. Et renovábis faciem terrae.

Oremus: Deus, qui corda fidélium Sancti Spíritus illustratióne docuisti da nobis in eódem Spíritu recta sápere, et de ejus semper consolatióne gaudére. Per Christum Dóminum nostrum. Amen

Ladainha do Espírito Santo

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus.
Espírito da verdade,
Espírito da sabedoria,
Espírito da inteligência,
Espírito da fortaleza,
Espírito da piedade,
Espírito do bom conselho,
Espírito da ciência,
Espírito do santo temor,
Espírito da caridade,
Espírito da alegria,
Espírito da paz,
Espírito das virtudes,
Espírito de toda graça,
Espírito da adoção dos filhos de Deus,
Purificador das nossas almas,
Santificador e guia da Igreja Católica,
Distribuidor dos dons celestes,
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração,
Doçura dos que começam a vos servir,
Coroa dos perfeitos,
Alegria dos anjos,
Luz dos patriarcas,
Inspiração dos profetas,
Palavra e sabedoria dos apóstolos,
Vitória doa mártires,
Ciência dos confessores,
Pureza das virgens,
Unção de todos os santos,

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio,
De toda a presunção e desesperação.
Do ataque à verdade conhecida,
Da inveja da graça fraterna,
De toda a obstinação e impenitência,
De toda a negligência e tepor do espírito,
De toda a impureza da mente e do corpo,
De todas as heresias e erros,
De todo o mau espírito,
Da morte má e eterna,

Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho,

Pela milagrosa conceição do Filho de Deus,
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado,

Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor,
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor,
No dia do juízo,
Ainda que pecadores,nós vos rogamos, ouví-nos.

Para que nos perdoeis,
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja,
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração,
Para que vos digneis inspirar-mos sinceros afetos de misericórdia e de caridade,
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro,
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranqüilidade no coração,
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça,
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça,
Para que vos digneis receber-nos o número dos vossos eleitos,
Para que vos digneis ouvir-nos,
Espírito de Deus,

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, envia-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, dai-nos o Espírito bom.
Espírito Santo, ouví-nos.
Espírito Consolador, atendei-nos.

V. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Deus, que instruístes o coração de vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo,
concedei-mos que, no mesmo Espírito, conheçamos o que é reto,
e gozemos sempre as suas consolações.

Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Kyrie, Eleison
Christie, Eleison
Spiritus Sancte, audi nos
Spiritus Paraclite, exaudi nos

Pater de caelis, Deus, miserere nobis.
Fili redemptor mundi Deus,
Spiritus Sancte Deus,
Sancta Trinitas, unus Deus,
Spiritus veritatis,
Spiritus sapientiae,
Spiritus intellectus,
Spiritus foritudinis,
Spiritus pietatis,
Spiritus recti consilit,
Spiritus scientiae,
Spiritus sancti timoris,
Spriritus caritatis,
Spiritus gaudii,
Spiritus pacis,
Spiritus virtutum,
Spiritus multiformis gratiae,
Spiritus adoptionis Filiorum Dei,
Purificatur animarum nostrarum,
Ecclesiæ catholicæ sanctificator et rector,
Caelestium donorum distributor,
Discretor cogitationum et intetionum cordis,

Dulcedo in tuo servitio incipientium,
Corona perfectorum,
Gaudium angelorum,
Iluminatio patriarcarum,
Instpiratio prophetarum,
Os et sapientiae apostolorum,
Victoria Martyrium,
Scientia Condessorum,
Puritas virginum,
Unctio sanctorum omnium,

Propitius esto, parce nobis Domine,
Porpitius esto, exaudi nos Domine,

Ab omni peccato libera nos Domine,
Ad omnibus tentationinbus et insidiis diaboli,
Ab omnine presumptione e desesperatione,
Ab impugnationem veritatis agnitae,
Ab invidentia fraternae gratiae,
Ab omni obstinatione et impoenitentia,
Ab omni negligentia et tepore animi,
Ab omni immunditia mentis et corporis,
Ab haeresibus et erroribus universais,
Ab omni malo spiritu,
A mala et aeterna morte,

Per aeternam ex Patre ex Filioque processionem tuam,
Per miraculosam conceptionem Filii Dei,
Per descensionem tuam super Christum baptizatum,
Per sanctam apparitionem tuam in tranfiguratione Domine,
Per adventum tuum super discípulos Christi,
In die iudicii.
Peccatores, te rogamus, audi nos.

Ut nobis parcas,
Ut omnia Ecclesia membra vivificare et sanctificare digneris,
Ut verae pietatis, devotionis et orationis donum nobis dare digneris,
Ut sinceros misericordiae charitatisque affectus nobis inspirare digneris,
Ut spiritum novum et cor mundum in nobis creare digneris,
Ut veram pacem et cordis tranquilitatem nobis dare digneris,
Ut ad tollerandas propter iustitiam persecutiones nos dignos et fortes efficias,
Ut nos in gratia tua confirmare digneris,

Ut nos in numerum electorum tuorum recipias,
Ut nos exaudire digneris,
Spiritus Dei,

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, effunde in nos Spiritum Sanctum.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, emitte promissum in nos Patris Spiritum.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, da nobis Spiritum bonum.
Spiritus Sanctum, audi nos.
Spiritus Paraclite, exaudi nos.

V. Emitte Spiritum tuum et creabuntur.
R. Et renovabis faciem terrae.

Oremus: Deus qui corda fidelium Sancti Spiritus illustratione docuisti, da nobis in eodem Spiritu recta sapere et de eius semper consolatione gaudere.

Per Christum Dominum nostrum. Amen.

 

Ave Maris Stella

Clique aqui para ouvir o canto gregoriano

Ave, do mar Estrela
De Deus mãe bela,
Sempre virgem, da morada
Celeste Feliz entrada.

Ó tu que ouviste da boca
Do anjo a saudação;
Dá-nos a paz e quietação;
E o nome da Eva troca.

As prisões aos réus desata.
E a nós cegos alumia;
De tudo que nos maltrata
Nos livra, o bem nos granjeia.

Ostenta que és mãe, fazendo
Que os rogos do povo seu
Ouça aquele que, nascendo
Pos nós, quis ser filho teu.

Ó virgem especiosa,
Toda cheia de ternura,
Extintos nossos pecados
Dá-nos pureza e bravura,

Dá-nos uma vida pura,
Põe-nos em vida segura,
Para que a Jesus gozemos,
E sempre nos alegremos.

A Deus Pai veneremos:
A Jesus Cristo também:
E ao Espírito Santo; demos
Aos três um louvor: Amém.

Ave, Maris Stella,
Dei mater alma,
Atque semper Virgo,
Felix caeli porta.

Sumens illud Ave,
Gabrielis ore,
Funda nos in pace
Mutans Evae nomen.

Solve vincla reis,
Profer lumen caecis,
Mala nostra pelle,
Bona cuncta posce.

Monstra te esse Matrem,
Sumat per te preces,
Qui pro nobis natus
Tulit esse tuus.

Virgo singularis,
Inter omnes mitis,
Nos, culpis solutos,
Mites fac et castos.

Vitam praesta puram,
Iter para tutum:
Ut, videntes Jesum,
Semper collaetemur.

Sit laus Deo Patri,
Summo Christo decus
Spiritui Sancto,
Tribus honor unus. Amen.

Leitura Espiritual

 

Evangelho - Lc 1, 26-38 — A Anunciação

26.No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,
27.a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
28.Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”.
29.Perturbou-se ela com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria seme­lhante saudação.
30.O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
31.Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
32.Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
33.e o seu reino não terá fim”.
34.Maria perguntou ao anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?”
35.Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
36.Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
37.porque a Deus nenhuma coisa é impossível”.
38.Então disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo afastou-se dela."

Tratado da Verdadeira Devoção n. 120 - 133 — A perfeita consagração a Jesus por meio de Maria

120. Toda a nossa perfeição consiste em sermos conformes a Jesus Cristo, estando unidos e consagrados a ele, de modo que a mais perfeita dentre todas as devoções é, sem sombra de dúvida, aquela que nos conforma, nos une e nos consagra a Jesus Cristo. Ora, sendo Maria, dentre todas as criaturas, a mais conforme a Jesus Cristo, disso resulta que a devoção que melhor consagra e conforma uma alma a Nosso Senhor é a devoção à Santíssima Virgem, sua santa Mãe, e que, à proporção que uma alma se consagrar mais a Maria, mais consagrada estará a Jesus Cristo. Por essa razão, a perfeita consagração a Jesus Cristo não é outra coisa senão uma consagração perfeita e total de si mesmo à Santíssima Virgem, e é essa a devoção que proclamo, a qual também se pode considerar uma perfeita renovação dos votos e promessas do santo batismo.

121. Sendo assim, essa devoção consiste em dar-se todo inteiro à Santíssima Virgem, para também dar-se todo inteiro a Jesus Cristo por meio dela. É necessário dar-lhe:

nosso corpo, com todos os seus sentidos e membros;

nossa alma, com todas as suas potências;

nossos bens exteriores, chamados pelo nome de fortuna, presentes e vindouros;
nossos bens interiores e espirituais, que constituem nossos méritos, virtudes e boas obras, passadas, presentes e futuras.

Em duas palavras: tudo aquilo que possuímos, na ordem da natureza e na ordem da graça, e tudo aquilo que poderemos possuir no futuro, na ordem da natureza, da graça ou da glória, de maneira irrestrita, sem restrição de um centavo, de um fio de cabelo, da mais ínfima boa ação, por toda a eternidade, sem a pretensão ou esperança de receber outra recompensa por sua oferenda e seu serviço senão a honra de pertencer a Jesus Cristo por meio dela, ainda que essa amável Mestra não fosse, quando na verdade sempre é, a mais plena de liberalidade e reconhecimento dentre todas as criaturas

122. Aqui, deve-se observar a existência de duas coisas nas boas obras por nós realizadas, quais sejam: a satisfação e o mérito, ou seja, o valor satisfatório ou impetratório e o valor meritório. O valor satisfatório ou impetratório de uma boa obra é uma boa ação que consiste em satisfazer ao castigo devido ao pecado, ou em obter alguma nova graça; o valor meritório, ou o mérito, é uma boa ação que consiste em merecer a graça e a glória eterna. Ora, nessa consagração de nosso próprio eu à Santíssima Virgem, nós oferecemos a ela todo o valor satisfatório, impetratório e meritório; de outro modo, pelas satisfações e os méritos de todas as nossas boas obras, oferecemos a ela nossos méritos, nossas graças e nossas virtudes, não para transmiti-los a outros (pois nossos méritos, graças e virtudes são, falando em sentido próprio, incomunicáveis; e somente Jesus Cristo, fazendo-se nosso resgate diante do Pai, pôde nos comunicar seus méritos), mas para conservá-los, aumentá-los e enchêlos de beleza em nós, como diremos ainda (cf. 146ss.). Damos a ela nossas satisfações, para que ela as comunique a quem bem entender, e para a maior glória de Deus.

123. Segue-se daí: 1o) que essa consagração permite dar a Jesus Cristo, da maneira mais perfeita, porquanto seja pelas mãos de Maria, tudo o que é possível lhe dar, e muito mais do que com o auxílio de outras devoções, mediante as quais damos a Ele uma parcela de nosso tempo, ou uma parcela de nossas boas obras, ou uma parcela de nossas satisfações e mortificações. Por esta devoção, tudo é dado e consagrado, inclusive o direito de dispor dos próprios bens interiores, e as satisfações que se obtêm pelas próprias boas obras dia após dia – isso, aliás, não se faz em nenhuma ordem religiosa. Nas ordens religiosas, são confiados a Deus os bens materiais, pelo voto de pobreza; os bens corpóreos, pelo voto de castidade; a própria vontade, pelo voto de obediência, e algumas vezes a liberdade do corpo, pelo voto de enclausuramento. Contudo, não se dá a Ele a própria liberdade, ou o direito de dispor do valor das próprias boas obras, e não se despoja tanto quanto possível daquilo que o homem cristão possui de mais caro e de mais precioso, que são seus méritos e satisfações.

124. 2o) Segue-se que uma pessoa que, de livre e espontânea vontade, se consagrou e se sacrificou a Cristo por Maria, não pode mais fazer o que bem entender do valor de nenhum de seus bons atos: tudo o que ela sofre, tudo o que ela pensa, diz e faz de bom pertence a Maria, a fim de que ela disponha de tudo isso segundo a vontade de seu Filho, e para sua maior glória, sem que, contudo, essa dependência seja de modo nenhum prejudicial às obrigações do estado em que se está atualmente, e no qual se poderá estar no porvir. Referimo-nos aqui, por exemplo, às obrigações de um presbítero que, por força de seu ofício ou algum outro motivo, deve aplicar o valor satisfatório e impetratório da santa Eucaristia a um particular, uma vez que só é possível fazer essa oferenda segundo a ordem de Deus e os deveres de seu estado de vida.

125. Segue-se que a consagração é feita conjuntamente à Santíssima Virgem e a Jesus, como sendo o modo perfeito que Jesus escolheu para se unir a nós e nos unir a ele; e a Nosso Senhor, como a nosso fim último, a quem devemos tudo o que somos, como a nosso Redentor e nosso Deus.

126. Acima eu disse que esta devoção poderia perfeitamente ser chamada de perfeita renovação dos votos e promessas do santo batismo, na medida em que todo cristão, antes de ser batizado, era escravo do demônio, uma vez que a ele pertencia. Ao ser batizado, e por seus próprios lábios ou pelos lábios de seu padrinho e de sua madrinha, ele renunciou solenemente a Satanás, a suas ciladas e obras, assumindo Jesus Cristo como seu Mestre e supremo Senhor, com vistas a depender dele na condição de escravo de amor. É isso também que a presente devoção possibilita: renunciar ao pecado, ao demônio, ao mundo e a si mesmo (como consta na fórmula de consagração), para entregar-se inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Maria. Aliás, há inclusive algo de mais, pois quando se recebe o batismo, costuma-se falar pela boca de outros, a saber, o padrinho e a madrinha, de modo que a entrega de si a Jesus Cristo é feita pela mediação de um procurador; todavia, nesta devoção, é por si mesmo, de livre e espontânea vontade, com conhecimento de causa, que se concretiza essa autoentrega. No santo batismo, o neófito não se dá a Jesus Cristo pelas mãos de Maria, ao menos de maneira expressa, nem confia a Jesus Cristo o valor de suas boas ações; porém, por esta devoção, a pessoa se dá expressamente a Nosso Senhor pelas mãos de Maria, e consagra-lhe o valor de todas as suas ações.

127. Diz Santo Tomás: “Os homens fazem no Batismo voto de renunciar ao demônio e às suas pompas”. E, segundo Santo Agostinho, é este o maior e mais indispensável dos votos, em que prometemos permanecer em Cristo. O mesmo dizem os canonistas: “O principal voto é aquele que fazemos no Batismo”. No entanto, quem é que guarda este grande voto? Quem cumpre fielmente as promessas do Santo Batismo? Não é verdade que quase todos os cristãos quebram a fidelidade prometida a Jesus Cristo no seu Batismo? Donde provirá este desregramento universal, senão do esquecimento em que se vive das promessas e compromissos do Batismo, e do fato de que quase ninguém ratifica por si mesmo o contrato de aliança que fez com Deus por meio de seus padrinhos!

128. Isto é muito verdade. O Concílio de Sens foi convocado por ordem de Luís, o Bondoso, para remediar as grandes desordens dos cristãos. Ora, este concílio entendeu que a principal causa dessa corrupção de costumes provinha do esquecimento e da ignorância em que se vivia das promessas do Batismo. E não encontrou melhor meio para remediar tão grande mal que o de levar os cristãos a renovar os votos e promessas do Santo Batismo.

129. O Catecismo do Concílio de Trento, fiel intérprete das intenções deste santo concílio, exorta os párocos a fazer o mesmo: “Levem os seus fiéis a recordar e crer que estão ligados e consagrados a Nosso Senhor Jesus Cristo como escravos ao seu Redentor e Senhor”.

130. Ora, os concílios, os Padres da Igreja e até a experiência mostram-nos que o melhor meio para remediar os desregramentos dos cristãos é lembrar-lhes as obrigações do seu Batismo e fazer-lhes renovar os votos que nele emitiram. Portanto, não é bastante razoável que o façamos agora duma maneira perfeita, mediante esta Devoção e consagração a Nosso Senhor por meio de sua Mãe Santíssima? Digo duma maneira perfeita porque, ao consagrarmo-nos a Jesus Cristo, nos servimos do mais perfeito de todos os meios, que é a Santíssima Virgem.

131. Não se pode objetar que esta Devoção seja nova ou indiferente. Não é nova, pois os concílios, os Padres e vários outros autores, antigos e modernos, falam desta Devoção a Nossa Senhora, ou renovação dos votos do Batismo, como de coisa praticada antigamente, e que aconselham a todos os cristãos. Não é indiferente ou sem importância, porque a principal fonte de todas as desordens, e logo, da condenação dos cristãos, vem do esquecimento e do abandono desta prática.

132. Poderá alguém dizer que esta Devoção, fazendo-nos dar a Nosso Senhor, pelas mãos da Santíssima Virgem, o valor de todas as nossas boas obras, orações, mortificações e esmolas, nos impossibilita de socorrer as almas de nossos parentes, amigos e benfeitores.
Em primeiro lugar, respondo que não é de crer que os nossos amigos, parentes ou benfeitores sejam prejudicados pelo fato de nos termos dedicado e consagrado sem reservas ao serviço de Nosso Senhor e da sua Santa Mãe. Pensá-lo seria fazer uma injúria ao poder e à bondade de Jesus e Maria, que saberão muito bem socorrer os nossos parentes, amigos e benfeitores com o nosso pequeno tesouro espiritual, ou por outros meios.
Em segundo lugar, esta prática não impede que se reze pelos outros, quer sejam vivos ou mortos, embora a aplicação das nossas boas obras dependa da vontade da Santíssima Virgem. Mas, pelo contrário, levar-nos-á a orar com mais confiança, precisamente como uma pessoa rica que tivesse entregado toda a sua fortuna a um grande príncipe, para o honrar melhor, suplicaria com mais confiança a este príncipe que desse esmola a algum dos seus amigos que lha pedisse. Daria até prazer ao príncipe por proporcionar-lhe assim ocasião de mostrar seu reconhecimento para com uma pessoa que se despojou para o revestir, e que se fez pobre para o honrar. O mesmo se deve dizer de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem: nunca se deixarão vencer em gratidão.

133. Dirá talvez outro, se dou à Santíssima Virgem todo o valor das minhas ações para que o aplique a quem quiser, será talvez preciso que sofra muito tempo no Purgatório.Esta objeção, que nasce do amor próprio e da ignorância acerca da liberalidade de Deus e da Virgem destrói-se por si mesma. Uma alma fervorosa e generosa, que preza mais os interesses de Deus que os seus; que dá a Deus, sem reservas, tudo o que tem, sem poder dar mais; que só anseia pela glória e pelo Reino de Jesus por Maria; que se sacrifica inteiramente para o conseguir; essa alma generosa e liberal haverá de ser castigada no outro mundo por ter sido mais liberal e mais desinteressada do que as outras? De modo algum: é para com essa alma, como veremos mais adiante, que Nosso Senhor e sua Santa Mãe são mais liberais neste mundo e no outro na ordem da natureza, da graça e da glória.

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