Seções Particulares

Uma seção é um grupo de membros que formam um corpo organizado, subordinado à diretoria da Congregação, para levar a cabo a execução de um trabalho especial.

Cada Congregação Mariana tem objetivos particulares que atendem a sua espiritualidade, a classe de pessoas que congrega e as necessidades que visa atender. Desses muitos trabalhos, organizam-se seções, e cada membro pode, então, escolher em que atividades deseja dedicar seus esforços ingressando nas seções que julgar adequadas a suas disposições.

Desde os primórdios da Congregação Mariana, grupos de fervorosos membros se organizaram em variados trabalhos de piedade e misericórdia; e, embora o nome ‘seção’ tenha surgido apenas no século XIX, podemos vê-las e o trabalho executado nelas em toda a nossa história.

Dizem as Regras Comuns

Art. 12. Como as Congregações Marianas tem por fim levar a maior perfeição os seus membros e fazer que a muitos outros se estenda o seu salutar influxo e bem das almas, é mister que procurem, intensamente, fomentar de vários modos a piedade nos Congregados e movê-los à pratica de obras de caridade com o próximo. Estas obras serão, principalmente, o ensino da doutrina cristã, visitas aos enfermos nos hospitais e aos presos nos cárceres – obras a que se votaram com grande zelo as antigas Congregações, – e outras semelhantes, que as necessidades do tempo moderno requerem nos vários lugares.

Art. 13. Para a boa realização desta obra, convirá se o número dos Congregados o permitir, organizar seções particulares como forma de vida própria, sempre subordinados à autoridade que governa a Congregação.

Art. 42. Sendo muito conforme ao espírito da Congregação, com se disse no Título terceiro, a instituição de Seções particulares, destinadas a fomentar a piedade nos mesmos Congregados e o exercício do zelo e caridade cristã, é muito para desejar que todos tomem parte de alguma dessas seções, e até convirá tornar isso obrigatório onde as circunstâncias o permitirem.

A obrigação que cada um incumbe de assistir, em harmonia com os seus estudos e profissão, às Academias, se as houver na Congregação, dependerá das regras particulares de cada Congregação.

 

De fato, por ser a Congregação Mariana um grupo de ação, as antigas congregações julgavam inaceitável que um membro não tomasse parte ativa – e não apenas nominal – em uma seção. É no espírito de ação dos membros ativos das seções que podemos ver indícios do verdadeiro espírito de uma Congregação Mariana.

 

Vantagens

Um dos grande problemas enfrentados no apostolado é a multiplicação indefinida de associações sem vínculo entre si trabalhando desordenadamente em causas diversas, desperdiçando as forças dos fiéis e mesmo dividindo-os, e ao dividi-los, enfraquecendo-os. Totalmente diversa é a abordagem das seções.

As seções fornecem uma maneira flexível e efetiva de organização. Elas provêm uma maneira de dividir e organizar o trabalho dos congregados sem confusão ou sobrecarga de atividades, e sem a perda de energias. Enquanto a Congregação dá o permanente elemento de união e organização e inspira todos os membros no zelo e fervor ativo através das reuniões, exercícios e formações, as seções dão o elemento de variedade e o meio de atender a novas necessidades, acompanhar atividades específicas e permitir uma diversidade de trabalhos de acordo com os talentos e inclinações de cada membro, mantendo todos unidos, no único corpo da Congregação, dirigidos e inspirados pelos mesmos princípios e devoção à Santíssima Mãe de Deus.

A leitura dos relatórios de cada seção nas reuniões ordinárias atualiza todos dos trabalhos feitos pelas outras seções e assim, ao invés da inveja que facilmente pode surgir em várias pequenas organizações, os congregados todos trabalham em comum, cada um em sua esfera de atividade, e disso nasce uma salutar emulação entre as várias seções, para o bem da Congregação e da Igreja e honra da Santíssima Virgem.

 

Trabalhos

As seções podem ser criadas para qualquer trabalho que seja necessário e está ao alcance dos membros desenvolver. Podemos dividir, pois, as seções em dois tipos:

  • Seções permanentes
    Que cuidam de atividades que tem lugar contínuo nos esforços da Congregação
  • Seções temporárias
    Que são criadas a curto prazo para organizar uma ocasião especial e são dissolvidas assim que o trabalho foi executado ou não é mais necessário

De fato, é muito recomendado criar novas seções de tempos em tempos para suplantar o elemento de variedade, sem o qual mesmo a mais santa das associações, como é a Congregação Mariana, tende a empalidecer e se entediar.

O trabalho dos congregados normalmente podem ser divididos em quatro grandes categorias1

  1. Trabalho pelo apostolado externo, para defesa da fé e da Igreja e ensino da doutrina
    Tais são as seções de catecismo, de apologética, do serviço do altar, da boa imprensa, de estudos e, em geral, as academias
  2. Trabalho pela própria Congregação Mariana
    Tais são as seções que promovem a união dos membros, a confraternização, apoio fraterno ou se destinam a atender as necessidades da Congregação
  3. Trabalho pela santificação dos congregados
    Tais são as seções eucarísticas, de oração, de meditação e leitura espiritual e de estudo. Aqui também se inserem os círculos, grupos dentro da congregação destinados a determinado “subgrupos”, como seção de moças, de rapazes, de casados, etc
  4. Trabalho pela Caridade, Zelo e Obras de Misericórdia
    Tais são as seções de caridade e de trabalho externo em geral

O trabalho da seção não está restringido, obviamente, apenas aos seus membros. A seção está responsável por coordenar o trabalho e muitas vezes é bom, e até necessário, buscar apoio em membros fora dela.

 

Organização Interna

Toda seção deve ter um chefe e um secretário, que o substitui e outros oficiais, conforme necessidade. Estes serão responsáveis pela administração e coordenação do trabalho que a seção empreende e, embora estejam sob a autoridade do Diretor e da Diretoria, devem ser os principais – senão únicos – responsáveis por liderar a seção e organizar seus membros.

O padre diretor e a diretoria sem dúvida devem encorajar, sugerir, guiar onde for necessário ou útil o trabalho dos chefes, e em casos excepcionais mesmo intervir; mas, ordinariamente, a função executiva deve ser assumida totalmente pelos chefes das seções. É, por isso, importante escolher entre os mais capazes e enérgicos dos membros das seções ou mesmo fazer votação entre os participantes.

O chefe da seção tem em suas mãos a supervisão geral do trabalho. Ele preside as reuniões, organiza os planejamentos, divide as tarefas, acompanha os andamentos e cuida, com especial zelo, do andamento da seção.  O chefe deve consultar frequentemente o diretor e a diretoria para ser guiado por seus julgamentos, especialmente quando o bem de toda a congregação está em jogo. Deve ser ativo, enérgico, zeloso e, de maneira nenhuma, honorário e simbólico.

O secretário da seção tem a função de ajudar ao chefe em tudo o que for necessário, substituí-lo quando for preciso e assumir funções próprias de secretariado.

E como, nas palavras da Regra, cada seção tem uma “forma de vida própria”, embora sempre sujeita à autoridade da Congregação, a organização e o trabalho da seção pode ter uma forma de organização e um modo de trabalhar conforme a necessidade.

É muito aconselhável, porém, que haja, num prazo que as necessidades e costumes indicarem, uma reunião de todos os Chefes e Sub-Chefes de seções com a diretoria.

 

Quantos membros?

Como o objeto das seções é o trabalho, aqueles que não querem ou não podem fazer sua parte devem ser excluídos da participação na seção. Não deve haver membros honorários ou permanentemente inativos, embora se admita que por qualquer razão um congregado permaneça membro da seção sem ter participação ativa nela por algum tempo, por qualquer necessidade pessoal ou da congregação.

A presença de membros ociosos em seção desestimula os membros ativos e dá eles uma desculpa para o fracasso. O desejo de manter um bom número de membros não deve impedir que os oficiais da seção dispensem membros ociosos.

Uma boa seção é aquela que é cheia de boas obras e zelo ativo, ainda que a quantidade de membros seja pequena. Por outro lado, uma seção cujos membros não estão todos ocupados com algum trabalho próprio da seção é uma seção fraca, independentemente de quantos membros nominais ela possa ter.

O limite de trabalho em uma seção é o limite do número de membros competentes e dispostos disponíveis em seu interior. Se em uma seção de vários membros apenas três são assim, então a presença dos demais membros é supérflua e, normalmente, contraproducente. A falácia dos números é sempre perigosa para uma organização ativa, mas parece especialmente no caso de um trabalho sobrenatural como o empreendido pela Congregação Mariana.

 

Como devem ser os membros?

Em primeiro lugar, ativos. Mas a ação, se for boa, sempre acompanha uma fervorosa vida interior precedente. E, para ser frutuosa, a vida interior exige estudo. Oração, Estudo e Trabalho. Eis a ordem necessária a todo congregado e membro de seção. Como a natureza da Congregação é espiritual, e mais do que isso, é formar santos de escol, é indispensável buscar o auxílio da graça através da oração e da manutenção da vida espiritual dos membros. O mesmo se pode dizer da instrução.

Os esforços e sacrifícios dos congregados em executar seu dever deve ser oferecido pelo amor do Bom Deus para benefício da seção. Em toda a reunião, deve-se rezar orações definidas pela mesma intenção, e os membros devem ser pedidos para oferecer suas missas e comunhões pelos trabalhos da seção e pelos demais membros2

 

Diretivas especiais às seções

Para garantir o bom andamento da seção, é útil valer-se das seguintes diretivas:

  1. Cada seção deve ter um trabalho bem definido, e deve ser claro aos membros o que devem esperar dela. Essas diretivas gerais preferencialmente devem ser escritas e lidas por todos os membros, unificando o pensamento e os esforços;
  2. O trabalho deve ser dividido de acordo com as capacidades dos membros, de modo que ninguém fique sobrecarregado e ninguém fique ocioso. O trabalho geral da seção deve, por isso, levar em conta que o empreendimento da seção deve estar dentro da capacidade dos membros;
  3. Líderes apaixonados e competentes devem estar a frente. Importa mais o amor e o zelo do líder e dos mais ativos que o número. Faça-se saber que o sucesso de uma seção depende em grande parte do líder;
  4. Cuide-se que o trabalho da seção seja tornado público, ao menos dentro da CongregaçãoIsso deve ser feito na Reunião Ordinária, mas pode ser feito de vários outros modos, como usando dos recursos da imprensa e boletins. A importância de ser público é multiforme: manter acesa a chama nos membros, cooptar novos membros, garantir as orações e a santa emulação dos demais, tornar a seção dinâmica e espalhar as boas obras feitas;
  5. É bom que haja entre as seções um espírito de emulação e mesmo de saudável e amigável competição, assim as diferentes seções se animam mutuamente;
  6. Defina um sistema simples de trabalho e mantenha-se nele tanto quanto possível, para que todos se acostumem a como proceder e o trabalho possa prosseguir. Boa dica é dividir tarefas e acompanhá-las individualmente, sempre com um prazo final para sua execução ou uma estimativa de trabalho.
  7. Introduza novas fases de trabalho e métodos de tempos em tempos
  8. Não se tente fazer coisas demais ao mesmo tempo, nem se sobrecarregue o zelo e a energia dos membros. Deve-se ser lembrado que para o apostolado como o empreendido pelas seções, os membros normalmente tem que tirar tempo de descanso ou recreação para o trabalho.
  9. Evitem-se círculos muito fechados dentro das seções. Todo aquele que deseja trabalhar deve ser bem recebido e encaminhado.
  10. Lembrem-se todos que o espírito sobrenatural de oração e sacrifício deve ser a inspiração de toda atividade exterior.
  11. Lembrem-se todos que todo o trabalho dos congregados, nas mais diversas seções, são inspirados por uma ardente devoção a Santíssima Virgem Maria, e que os trabalhos das seções fazem parte essencial na promessa do congregado: “Prometo servir-vos sempre e fazer o quanto puder, para que dos mais sejais também fielmente servida e amada.”

 


 

  1. Nota-se aqui a relação das quatro categorias com os quatro deveres do congregado
  2. Aqui não se trata da Comunhão Geral, que é feita por todos os membros, mas uma espécie de comunhão nas intenções da seção, feita em outra ocasião
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