À Virgem das Dores

Ó Virgem dolorosa,
inclina à desditosa
o teu benigno olhar!
Só tu, com sete espadas
no coração cravadas,
sabes o que é penar.

Tu sim, que viste aflita,
pender, ó Mãe bendita,
o Filho teu da Cruz.
E alçaste, com dois rios,
aos céus teus olhos pios,
chamando o Bom Jesus.

Da dor que me lacera
mortal nenhum podera
sondar a profundez.
O que este peito chora,
treme, receia, implora,
só tu, Senhora, o vês.

Que dor! Nos sonhos cevo-a;
corro a fugir-lhe, levo-a;
que dor, ó mãe, que dor!
Sozinha a ti me abraço,
e em pranto me desfaço,
mercê! perdão! favor!

 

António Feliciano de Castilho

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