Pentecostes, a ação do Espírito Santo na Igreja

Paraclitus autem Spiritus Sanctus, quem mittet Pater in nominee meo, ille vos docebit omnia, et sugeret vobis omnia, quaecumque dixero vobis – O Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, Ele vos ensinará todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito.

É sabido que em Pentecostes cumpriu-se a profecia feita pelo Profeta Joel 3,1: “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões”.

Alguns padres da Igreja apontam que o Espírito Santo desceu primeiramente sobre a Santíssima Virgem e por meio Dela dividiu-se para os apóstolos em forma de línguas. Como é dito na epístola extraída dos Atos dos Apóstolos, que é lida nesta festa: Et apparuerunt illis dispertiæ linguæ tamquam ignis, seditque supra singulos eorum : et repleti sunt omnes Spiritu Sancto, et cæperunt loqui variis linguis, prout Spiritus Sanctus dabat eloqui illis – Em seguida, viram aparecer-lhes, semelhante a fogo, línguas que se repartiram, pousando-se sobre cada um deles. Nisto, todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram todos a falar em várias línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem.

Em Pentecostes, tanto a Santíssima Virgem quanto os apóstolos contemplaram a dispersão do Espírito Santo com todos os Seus dons, cada um distribuído aos apóstolos. Ficando todos fortificados com Ele, cada um dos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo, de acordo com a Divina Sabedoria que todos compartilhavam, seguiu um caminho diferente, dirigindo-se até os confins da Terra onde iam evangelizar e dar testemunho da Verdade.

Com isso, os apóstolos levaram outros povos a abraçar a Sabedoria Divina e se tornarem assim filhos de Deus, fazendo jus ao evangelho da festa de Pentecostes, segundo S. João: Si quis diligit me, sermonem meum servabit, et Pater meus diliget eum, et ad eum veniemus, et mansionem apud eum faciemus: qui non diliget me, sermones meos non servat. Et sermonem quem audistis, non est meus: sede ejus, qui misit me Patris – Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e Meu Pai o amará; e viremos até ele, e nele faremos a nossa morada. Quem não Me ama, não observará as minhas palavras. E a palavra que ouvistes, não é Minha, mas do Pai que Me enviou.

A Igreja sempre ensinou que o Espírito Santo é prometido para santificar e curar os fiéis de seus pecados e males, ensinado assim o Catecismo da Igreja Católica: “Pelo fato de estarmos mortos, ou, pelo menos, feridos pelo pecado, o primeiro efeito do dom do Amor é a remissão de nossos pecados. É a comunhão do Espírito Santo (2 Cor 13,13) que, na Igreja, restitui aos batizados a semelhança divina perdida pelo pecado”. Mas, ainda existem pessoas que confundem os frutos do Espírito Santo com seus Dons. Os frutos “são perfeições plasmadas em nós como primícias da glória eterna” enquanto que os dons “são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir as inspirações divinas”.

Existe uma divisão entre os dons ou graças do Espírito Santo, porém ela apenas se remete a graça santificante ou habitual (exposta pelo profeta Elias) e a outra se remete aos dons carismáticos (expostos por S. Paulo), relacionados à graça pessoal. Essas se dividem em:

a) graça santificante ou habitual: “A graça santificante é um dom habitual, uma disposição estável e sobrenatural para aperfeiçoar a própria alma e torná-la capaz de viver com Deus, agir por seu amor”. Este tipo de graça trata-se da “vida infundida pelo Espírito Santo em nossa alma, para curá-la do pecado e santificá-la” e é recebida no Batismo;

b) graça atual: designa “as intervenções divinas, quer na origem da conversão, quer no decorrer da obra da santificação”. A conversão de S. Paulo que se deu no caminho para Damasco por intervenção de Cristo é um exemplo deste tipo de graça (cf. At 9,1-8);

c) graça sacramental: são “dons que o Espírito nos concede, para nos associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja.” São “os dons próprios dos diferentes sacramentos”;

d) graça especial ou carisma: As “graças especiais, chamadas também ‘carismas’, segundo a palavra grega empregada por S. Paulo, que significa favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja. Entre as graças especiais, convém mencionar as graças de estado, que acompanham o exercício das responsabilidades da vida cristã e dos ministérios no seio da Igreja”.

Referências

O Dom das Línguas – Prof. Alessandro Lima;

The Gifts of the Holy Spirit – Cameron, Peter John;

El Espiritu Santo – D. Luis M. Martinez

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