A Meditação e a importância das resoluções

São Francisco de Sales aconselha aos leitores do livro Filoteia, também chamado Introdução à Vida Devota, o exercício da oração de espírito e coração, ocupando-se principalmente da vida e paixão de Nosso Senhor, contemplando tais verdades pela meditação assídua, pela qual a alma enche-se de Deus e a vontade conforma-se a dEle.

Ao nos unirmos a Nosso Senhor, pela meditação, notando Suas palavras e ações, sentimentos e inclinações, podemos aprender com Sua graça a falar, agir, julgar e a amar com Ele.

O próprio Cristo nos disse que para podermos ir ao Pai, a porta é Seu Filho, sendo, de forma atestada pelos Santos, a meditação a mais importante via de acesso a Ele. O Santo Bispo atesta que a vida, paixão e morte de Jesus Cristo constituem para as meditações o objeto mais proporcionado a nossas luzes, mais agradável ao nosso coração e mais útil ao melhoramento de nossos costumes.

O divino Salvador chamou-se a si mesmo de o Pão descido do céu por várias razões, das quais podemos aduzir que assim como se come o pão por alimento, assim devemos tomar o espírito de Nosso Senhor na meditação, nutrindo-nos e influenciando todas as nossas ações.

São Francisco de Sales possui um método de meditação apresentado no seu mencionado livro, assim como Santa Terezinha, Santa Teresa D’Ávila, Santo Afonso de Ligório, entre outros santos. Nós temos neste site um artigo prático de como realizar a meditação baseado no método de Santo Inácio de Loyola, por ser ele o precursor das Congregações Marianas e pela eficácia desse método.

Enfim, após a aplicação frutuosa da meditação, são produzidas resoluções, sobre as quais deve-se aclarar alguns pontos.

 

As resoluções da meditação

Segundo São Francisco, as resoluções produzidas na meditação devem estar tão presentes no espírito e no coração, de modo a pô-las efetivamente em prática.

Este é o principal fruto da meditação, sem o qual ela torna-se de certo modo prejudicial, porque a meditação assídua sobre as virtudes sem a prática delas, pode nos levar à cegueira, ou seja, pensamos que somos aquilo que nos propusemos ser, quando não o somos.

Decerto, é preciso ter força e solidez, sem as quais nenhum efeito será produzido, o que pode nos deixar em um estado de perigo, cheios de verdades guardadas e não praticadas.

Por isso, convém servir-se de todos os meios para pôr as resoluções em prática. Um exemplo apresentado pelo Santo é atrair pela brandura certas pessoas que costumam nos ofender ou pelo menos rezar a Deus na sua intenção.

Outra solução é sempre evitar as agitações violentas após o exercício da meditação, pois elas servem como neutralizadoras do bálsamo celeste adquirido. Portanto, sendo possível devemos permanecer um tempo em silêncio, conservando os pensamentos e os afetos, passando suave e gradativamente da oração ao trabalho.

É preciso não se distrair tão logo, mas considerar com uma atenção simples e tranquila do caminho pelo qual devemos andar.

É necessário também que nos acostumemos a passar da oração às outras ocupações da profissão, de modo suave e calmo, sem que nada nos perturbe, pois Deus, desejando uma e outra coisa em nossas vidas, nos revela a necessidade de nos submetermos a elas com igual devoção.

 

Extraído e adaptado do Livro Filoteia de São Francisco de Sales.

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